O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, fez uma declaração de forte impacto político nesta terça-feira (7), ao vincular diretamente o futuro judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao desempenho eleitoral da sigla em 2026. Segundo Valdemar, uma eventual derrota do partido na próxima eleição presidencial, que terá o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato ungido pelo pai, poderia resultar em uma prolongação da prisão do ex-presidente por mais uma década.
A afirmação, proferida durante um evento em São Paulo, revela a alta aposta do PL na eleição de 2026 e a percepção de que o resultado nas urnas transcende a disputa por cargos, impactando diretamente a situação legal de seu principal líder. Bolsonaro, que atualmente enfrenta inegibilidade e diversas investigações judiciais, tem seu destino político e pessoal intrinsecamente ligado aos movimentos do partido.
A projeção de Valdemar e o cenário de 2026
A declaração de Valdemar Costa Neto sobre a possível prisão de Bolsonaro por mais dez anos, caso o PL não vença em 2026, lança luz sobre a gravidade com que a cúpula do partido enxerga o próximo pleito. O cenário de 2026 é visto não apenas como uma disputa pelo poder, mas como um divisor de águas para a família Bolsonaro e para a própria existência política do ex-presidente.
A escolha de Flávio Bolsonaro como candidato à presidência, com o apoio explícito do pai, demonstra uma estratégia de manter o sobrenome Bolsonaro no centro do debate político. Contudo, a fala de Valdemar adiciona uma camada de urgência e risco, sugerindo que a derrota eleitoral pode ter consequências jurídicas severas para o ex-mandatário, que já enfrenta um complexo quadro de processos e acusações.
Conflitos internos e a busca por unidade no PL
Apesar da projeção audaciosa para 2026, o PL também lida com tensões internas. Valdemar Costa Neto revelou que viajará a Miami no próximo dia 19 para se encontrar com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo é apaziguar um conflito interno entre Eduardo e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a quem Valdemar considera um “fenômeno” em Minas Gerais.
“Conversar com cada um, para que a gente não tenha desentendimento. Para que a gente faça com que tudo corra bem. Porque, se nós não ganharmos eleição, o Bolsonaro vai ficar mais dez anos preso”, reiterou o dirigente. Essa mediação é crucial para a coesão do partido e para evitar que disputas internas comprometam a estratégia eleitoral, que Valdemar claramente associa à liberdade de Bolsonaro.
Autocrítica e estratégias para a vitória eleitoral
Em um raro momento de autocrítica, Valdemar Costa Neto reconheceu que a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 foi resultado de falhas estratégicas e “teimosia” em decisões tomadas à época. Entre os pontos citados, o presidente do PL mencionou a escolha do general Walter Braga Netto como vice e a condução do governo durante a pandemia de Covid-19 como fatores que, em sua avaliação, prejudicaram o desempenho eleitoral.
Para 2026, Valdemar sinalizou a necessidade de ajustes. “O Bolsonaro tinha muitos militares no começo do governo e isso atrapalhou a vida dele. […] [Para 2026] eu sou a favor de ter uma mulher como vice. As mulheres têm crescido muito no Brasil e são muito melhores do que os homens em todos os aspectos”, afirmou, indicando uma possível mudança de perfil na chapa.
Alianças inusitadas e o desafio do Nordeste
A busca por uma base eleitoral mais ampla também está no radar do PL. Valdemar admitiu que o partido deverá rever antigas divergências para expandir sua influência, especialmente no Nordeste, uma região que ele descreveu como um “desastre” para o PL e que é um reduto eleitoral do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição. A região representa um desafio significativo e uma oportunidade de crescimento para a direita brasileira.
Entre os estados estratégicos, Valdemar citou o Ceará como prioridade e apontou um possível aliado-chave: Ciro Gomes. “Só tem um cidadão que pode ganhar do PT no Ceará: é o senhor Ciro Gomes. Temos que abrir mão disso [processos judiciais], deixar para lá esses desentendimentos”, declarou, sinalizando uma disposição para superar rivalidades históricas em prol de um objetivo maior.
O peso de Minas Gerais e a ascensão de Nikolas Ferreira
Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, Valdemar Costa Neto demonstrou grande confiança no desempenho eleitoral de Nikolas Ferreira. O presidente do PL afirmou que a projeção do parlamentar é tão alta que o partido precisou barrar a entrada de outros políticos interessados em se beneficiar de sua popularidade. “Tivemos que falar não para oito deputados de mandato. Porque todo mundo quer vir para o partido, a votação do Nikolas vai ser muito alta”, completou.
A estratégia do PL para 2026, portanto, se desenha como um complexo tabuleiro de xadrez, onde a unidade interna, a autocrítica, a busca por novas alianças e a capitalização de figuras emergentes como Nikolas Ferreira são peças fundamentais. Tudo isso, segundo Valdemar, com o pano de fundo da liberdade do ex-presidente Bolsonaro.
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Fonte: gazetadopovo.com.br



















