A cidade de Tenório, no Seridó paraibano, vivenciou um sábado (7) de transição política com a posse de Adilson Conserva (União), presidente da Câmara Municipal, como prefeito interino. A mudança na gestão ocorre após a cassação dos mandatos do então prefeito Manoel Vasconcelos (Republicanos) e de sua vice, Janine Onofre (União), por conduta vedada. A sessão extraordinária, realizada na Câmara Municipal para oficializar a vacância dos cargos e a assunção de Conserva, foi, no entanto, ofuscada por um episódio controverso de misoginia, denunciado por uma vereadora de oposição.
Nova Liderança em Tenório Após Crise Política
Em cumprimento a uma determinação judicial, Adilson Conserva declarou a vacância dos cargos majoritários e, em seguida, tomou posse como o novo chefe do Executivo municipal. A solenidade contou com a presença do deputado estadual Chico Mendes (PSB), que acompanhou o rito. Em seu primeiro discurso como prefeito interino, Conserva, que é aliado da gestão cassada, prometeu estabilidade administrativa e a continuidade dos projetos em andamento. “Em time que se ganha não se mexe”, afirmou, assegurando que não haverá exonerações de funcionários nomeados pela administração anterior e que os pagamentos a fornecedores seguirão o curso normal, pautados na responsabilidade fiscal.
A Cassação do Mandato: Entenda o Caso
A decisão que levou à cassação do prefeito Manoel Vasconcelos e da vice Janine Onofre foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que analisou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). A ação apontou o uso indevido de um programa social pela prefeitura, com a ampliação de pagamentos em dinheiro e distribuição de bens à população nos meses que antecederam as eleições de 2024, configurando uma tentativa de desequilibrar o pleito. O julgamento resultou em uma decisão unânime pela cassação, invalidando o pleito e abrindo caminho para novas eleições. A expectativa é que o calendário eleitoral para o pleito suplementar seja aprovado pelo TRE na próxima semana.
Denúncia de Misoginia Marca Sessão Solene
Apesar do rito formal da posse, a sessão foi marcada por um incidente que gerou indignação. Nos minutos finais, após o discurso de posse de Conserva, gritos de aliados da nova gestão foram ouvidos, e a vereadora de oposição Edna Souto (PL) alegou ter sido vítima de misoginia e machismo. Durante a transmissão ao vivo da sessão, disponível no perfil da Câmara no YouTube, um homem foi flagrado gritando a expressão “Chupa, Edna”. O ocorrido é particularmente sensível, pois coincidiu com o discurso do deputado Chico Mendes em homenagem às mulheres da cidade, em véspera do Dia Internacional da Mulher.
Edna Souto, que faz oposição ao grupo político agora no poder, é filha de Evilázio Souto, ex-gestor do município e responsável pela ação judicial que culminou na cassação dos mandatos. Em resposta ao ataque, a defesa da vereadora informou ao Jornal da Paraíba que solicitará a abertura de um processo administrativo na Câmara Municipal para apurar o caso. Adicionalmente, também será acionado o Ministério Público contra o responsável pela ofensa, buscando a devida responsabilização pelo ato de intolerância e desrespeito.
A posse do novo prefeito interino e a subsequente denúncia de misoginia evidenciam a complexidade do cenário político em Tenório. Enquanto a gestão de Adilson Conserva promete continuidade e estabilidade, o episódio na Câmara Municipal reforça a necessidade de combater o machismo e garantir um ambiente político respeitoso e igualitário, especialmente em um momento de profunda transição para a cidade.



















