Destaques:
- Cuba sofreu um segundo apagão nacional em menos de uma semana.
- A “desconexão total” do sistema elétrico afetou a ilha inteira.
- Crise energética é agravada por bloqueio e infraestrutura antiga.
Cuba foi novamente mergulhada na escuridão neste sábado (21), após um novo apagão generalizado que afetou todo o sistema elétrico nacional. Este incidente marca o segundo corte de energia em âmbito nacional que atinge a ilha caribenha em um período de apenas cinco dias, evidenciando a profunda crise energética que o país enfrenta. O Ministério de Energia cubano confirmou a “desconexão total” e informou que os esforços para restabelecer o serviço já estavam em andamento.
Os moradores de Havana começaram a sentir a interrupção do fornecimento de energia ao entardecer, pouco antes das 18h30 locais (19h30 de Brasília). A recorrência desses eventos sublinha a fragilidade da infraestrutura energética cubana e o impacto significativo que a situação tem na vida diária da população, que já lida com cortes de energia rotineiros e prolongados.
A recorrência dos cortes de energia em Cuba
A recente interrupção do fornecimento elétrico em Cuba não é um evento isolado, mas sim a manifestação de uma crise energética crônica. O apagão deste sábado (21) ocorre apenas cinco dias após um incidente similar ter deixado o país inteiro às escuras, gerando preocupação e frustração entre os cidadãos. A “desconexão total” do sistema elétrico nacional, conforme declarado pelo Ministério de Energia, indica uma falha em larga escala que afeta todas as províncias e municípios da ilha.
Equipes técnicas foram imediatamente mobilizadas para avaliar a extensão dos danos e iniciar o processo de restauração. No entanto, a complexidade do sistema e a falta de recursos adequados frequentemente resultam em longos períodos de espera até que a energia seja completamente restabelecida, especialmente em áreas mais remotas. A capital, Havana, que é o centro econômico e populacional, também sofre com a instabilidade, com edifícios perdendo o fornecimento de forma abrupta.
Raízes da crise energética cubana e o bloqueio
A crise energética em Cuba é multifacetada, enraizada em um antigo e desgastado sistema de geração elétrica que não consegue atender à demanda crescente. A infraestrutura atual é caracterizada por usinas termelétricas obsoletas e com manutenção deficiente, resultando em avarias frequentes e na necessidade de paradas programadas e não programadas. Consequentemente, partes da ilha chegam a enfrentar cortes diários de até 20 horas, impactando severamente a produtividade e o bem-estar social.
Um fator agravante crucial é a escassez de combustível, essencial para operar as usinas. Essa falta é intensificada por um bloqueio petrolífero de facto imposto por Washington. Desde que as sanções dos Estados Unidos intensificaram a pressão sobre a Venezuela, principal aliada de Cuba, em 3 de janeiro, a economia da ilha foi ainda mais afetada pela restrição no acesso a fontes de energia. Essa situação geopolítica limita a capacidade de Cuba de importar petróleo e derivados, comprometendo a estabilidade do seu sistema elétrico. Para mais informações sobre a situação internacional de Cuba, visite a seção de notícias internacionais da BBC Brasil.
Impacto social e contexto internacional
O impacto dos apagões vai além da simples falta de luz, afetando serviços essenciais, a conservação de alimentos e a comunicação. A recorrência desses eventos sobrecarrega a população, que precisa se adaptar a uma rotina de incertezas. Em meio a essa situação desafiadora, um comboio de ajuda internacional começou a chegar a Havana nesta semana, trazendo suprimentos vitais como equipamentos médicos, alimentos, água e painéis solares, que podem oferecer uma alternativa energética em pequena escala.
Paralelamente, a Casa Branca tem aumentado a pressão sobre a ilha, com medidas que visam forçar Cuba a negociar. Apesar da fragilidade do regime em Havana e das múltiplas crises que o país enfrenta – incluindo a econômica e a energética –, especialistas na região não acreditam na possibilidade de um colapso iminente. A resiliência da população e a capacidade do governo de gerenciar as adversidades são pontos frequentemente citados, mesmo diante de um cenário de grande instabilidade.
Perspectivas futuras e os desafios persistentes
A situação energética de Cuba permanece um desafio complexo e de longo prazo. A modernização do sistema elétrico exigiria investimentos substanciais e acesso a tecnologias que são dificultados pelas sanções internacionais. A dependência de combustíveis fósseis e a vulnerabilidade a choques externos continuam a ser pontos críticos para a segurança energética da ilha.
Enquanto a ajuda internacional oferece um alívio temporário e pontual, a solução definitiva para a crise energética cubana passará por reformas estruturais profundas e por uma reavaliação das relações internacionais que impactam diretamente o acesso a recursos essenciais. A população cubana, por sua vez, continua a demonstrar notável capacidade de adaptação, mas a expectativa por uma solução duradoura para os apagões é cada vez maior.
Fonte: g1.globo.com

















