Em um desenvolvimento que intensifica as já elevadas tensões no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (28 de fevereiro de 2026) a realização de ataques militares contra o Irã. A operação, que incluiu explosões relatadas no centro de Teerã, foi justificada por Washington como uma medida essencial para proteger o povo americano de ameaças do governo iraniano e para impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo país persa.
A Justificativa de Washington e o Alerta de Baixas
Donald Trump articulou a motivação para a ação militar, reiterando o compromisso de 'defender o povo americano' e de 'garantir que o Irã não terá uma arma nuclear'. Em declarações subsequentes, o presidente americano não hesitou em alertar para a possibilidade de 'baixas' como consequência da operação. Essa admissão vem à tona após relatórios, incluindo do *NYT*, indicarem que o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, já havia expressado em reuniões privadas preocupações sobre o risco de militares americanos serem feridos ou mortos em um conflito com o Irã.
A Dinâmica da Operação e as Reações Regionais
As primeiras horas da manhã de sábado (28), no horário local iraniano, foram marcadas por fortes explosões na capital, Teerã, que sinalizaram o início da ofensiva. A operação, conforme revelado, foi coordenada entre os Estados Unidos e Israel, ocorrendo tanto por vias terrestres quanto marítimas. Em Israel, a resposta foi imediata e de alta prontidão: o ministro da Defesa, Israel Katz, classificou a ação como um 'ataque preventivo' para 'eliminar ameaças', sem fornecer detalhes adicionais. O país acionou sirenes de alerta aéreo em diversas regiões, suspendendo aulas e deslocamento para o trabalho, além de fechar seu espaço aéreo a voos civis, preparando a população para possíveis retaliações. Enquanto isso, a Embaixada dos EUA no Catar implementou protocolos de confinamento para seu pessoal, refletindo a gravidade da situação. Informações adicionais também indicaram que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, havia sido transferido para um local seguro fora de Teerã.
O Embate Diplomático e a Questão Nuclear Iraniana
A escalada militar é o desfecho de semanas de intensas e frustradas negociações entre Washington e Teerã, cujo objetivo central era limitar ou encerrar o controverso programa nuclear iraniano. As discussões mais recentes ocorreram em Genebra, na quinta-feira (26), com enviados americanos avaliando-as como positivas e agendando um novo encontro para a próxima segunda-feira (1º). Contudo, a divergência fundamental persiste: os EUA exigem que o Irã cesse o enriquecimento de urânio, temendo a construção de uma bomba nuclear, enquanto o governo iraniano insiste que seu programa possui exclusivamente fins pacíficos de geração de energia. Além da questão nuclear, a imprensa americana aponta que os EUA buscavam também restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e eliminar o apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, havia sinalizado aceitar algumas limitações em seu programa nuclear e reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do levantamento de sanções, mas manteve a postura de que qualquer ataque, mesmo que limitado, resultaria em uma 'resposta feroz', com a possibilidade de atingir bases militares americanas na região.
Escalada da Presença Militar e o Contexto Regional
Este ataque não é um incidente isolado, inserindo-se em um cenário de crescente militarização. Os Estados Unidos já haviam reforçado sua presença militar no Oriente Médio nas semanas precedentes, deslocando porta-aviões como o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, que se juntaram a uma vasta frota de navios de guerra e às mais de 10 bases militares já mantidas em países vizinhos ao Irã, além de tropas em outras nove nações. Houve também relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel, consolidando um cerco militar na região. A ação ocorre menos de um ano após outro ataque norte-americano em junho de 2025, que bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel. Em contrapartida, o Irã tem intensificado seus próprios exercícios militares conjuntos com Rússia e China, e imagens de satélite revelam o fortalecimento e a camuflagem de suas instalações nucleares, indicando uma preparação para um possível conflito.
Crise Interna Iraniana: Protestos e Sanções
A pressão externa sobre o Irã se sobrepõe a uma complexa situação interna. O início do ano foi marcado por uma onda de protestos massivos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, violentamente reprimidos, resultando em milhares de mortos. Naquela ocasião, o então presidente Trump havia ameaçado Teerã com ação militar caso a 'matança' prosseguisse, mas os atos foram sufocados. Recentemente, por volta de 20 de fevereiro, novos protestos de estudantes foram registrados, com o governo iraniano alertando contra a 'ultrapassagem de limites'. A economia do Irã também enfrenta severas dificuldades há anos, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. Essa medida foi adotada em 2018, quando o presidente Trump retirou os EUA do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. Ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump havia reiniciado a política de pressão e exigências por um novo acordo nuclear, culminando nos eventos atuais.
A confirmação dos ataques ao Irã por parte dos Estados Unidos representa um ponto crítico nas já voláteis relações entre os dois países, com repercussões imediatas e imprevisíveis para a estabilidade do Oriente Médio. Enquanto Washington justifica a ação como defesa e impedimento nuclear, a reação iraniana e a coordenação regional indicam que o cenário está propenso a uma escalada ainda maior. A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos, ciente de que os próximos passos definirão o curso de uma crise que pode transcender as fronteiras da região.
Fonte: https://g1.globo.com
















