A 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa agendou a audiência de instrução do processo que envolve o policial militar Thiago Almeida Filho, réu por duplo homicídio qualificado. O caso, que chocou a Paraíba, refere-se à morte de Guilherme Pereira e sua namorada, Ana Luiza, durante uma abordagem policial no bairro de Muçumagro, ocorrida no final de 2023. Este agendamento marca um passo significativo no desenrolar jurídico do trágico evento, trazendo as famílias das vítimas e a sociedade paraibana mais perto de respostas.
O Andamento do Processo Judicial e Administrativo
A primeira audiência de instrução sobre o caso está programada para o dia <b>5 de maio</b>. A decisão que tornou o policial militar formalmente réu foi divulgada pelo advogado da família do casal na última terça-feira (10) e confirmada pelo g1, solidificando a acusação de que Thiago Almeida Filho é o responsável pelas mortes de Guilherme Pereira e Ana Luiza.
Em paralelo à esfera criminal, um processo administrativo segue em curso na Corregedoria da Polícia Militar da Paraíba. Este procedimento investiga a conduta de Thiago Almeida e outros quatro policiais militares que participaram da abordagem. É importante destacar que, embora diversos agentes estivessem no local, os outros policiais não respondem criminalmente pelas mortes dos jovens. A Corregedoria da PM, questionada sobre o relatório final do processo administrativo, comprometeu-se a fornecer uma resposta na quarta-feira (11).
Detalhes Cruciais da Investigação e Provas Periciais
As investigações aprofundadas sobre o incidente trouxeram à tona laudos periciais e relatórios da Polícia Civil que fornecem uma base robusta para as acusações. Um laudo do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC), ao qual o g1 teve acesso no ano passado, revelou que Guilherme Pereira, que pilotava a motocicleta, foi atingido com um tiro na cabeça antes da colisão fatal. O documento, assinado por três peritos, aponta uma perfuração transfixante no crânio da vítima, causada por um projétil de arma de fogo que entrou pelo lado esquerdo e saiu pelo lado direito da cabeça. A análise pericial também constatou a perfuração do capacete utilizado por Guilherme, confirmando a trajetória do disparo.
Um relatório adicional da Polícia Civil, assinado pela delegada Luísa Correia, foi determinante para o indiciamento do policial militar. Este documento indicou que a munição que atingiu Guilherme era 'similar à utilizada em fuzis' da Polícia Militar da Paraíba (PMPB). No mesmo relatório, foi informado que os policiais militares envolvidos na ronda que seguiu a moto dos jovens tiveram suas armas submetidas a verificação junto ao Comando da PMPB. Em seus depoimentos, dois dos policiais confirmaram que portavam fuzis durante a ação. O documento conclui que 'o policial efetuou o disparo de arma de fogo que atingiu o jovem na cabeça e provocou a colisão da moto'.
Em relação a Ana Luiza, o laudo pericial acessado pela reportagem constatou que a causa de sua morte foi uma forte pancada na cabeça, resultante do impacto da colisão. Diferentemente do namorado, nenhum elemento ou fragmento de munição foi encontrado em seu corpo, indicando que ela não foi diretamente atingida por um projétil de arma de fogo.
Relembrando a Noite Trágica da Abordagem no Muçumagro
As mortes de Guilherme e Ana Luiza ocorreram na madrugada do dia <b>30 de novembro de 2023</b>, no bairro de Muçumagro, em João Pessoa. Segundo informações inicialmente divulgadas pela Polícia Militar à época, as equipes foram acionadas para verificar a denúncia de uma festa ilegal na região da Praia do Sol. Durante o deslocamento para o patrulhamento, os agentes se depararam com três motocicletas trafegando em alta velocidade.
O relato da PM indicou que os policiais conseguiram parar uma das motocicletas e abordaram o casal que a ocupava. No entanto, as outras duas motos continuaram em fuga, sendo que uma delas seguiu pela contramão e a outra, onde estavam Guilherme e Ana Luiza, desviou pela calçada. Foi nesse momento que o piloto perdeu o controle do veículo, resultando na colisão violenta contra um poste. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi imediatamente acionado, mas, infelizmente, não houve tempo para socorro, e ambos os jovens vieram a óbito no local do acidente.
Próximos Passos e a Busca por Justiça
A marcação da audiência de instrução representa um estágio crucial no processo que busca esclarecer completamente as circunstâncias que levaram à morte de Guilherme Pereira e Ana Luiza. A progressão do processo criminal contra o policial militar, somada à continuidade da investigação administrativa na Corregedoria, demonstra o empenho das autoridades em apurar todas as responsabilidades. A sociedade paraibana e as famílias das vítimas aguardam com expectativa o desfecho judicial, na esperança de que a justiça seja plenamente alcançada neste caso de grande repercussão.
Fonte: https://g1.globo.com

















