Censo Escolar revela déficit de 1 milhão de matrículas na educação básica
O Brasil registrou a maior queda de matrículas na educação básica dos últimos 20 anos, conforme aponta o Censo Escolar 2025. Um total de 1 milhão de estudantes deixou de frequentar as escolas entre 2024 e 2025, um dado que acende um sinal vermelho para o futuro da educação no país.
A variação negativa mais acentuada foi observada no ensino médio, mas a educação infantil também apresentou redução de alunos, um cenário que não se via desde o período da pandemia de Covid-19. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC).
Ao todo, o Censo Escolar 2025 contabilizou 46.018.380 matrículas em 178 mil escolas públicas e privadas, representando uma queda de 2,3% em comparação com o ano anterior. Essa diminuição expressiva só foi superada em 2007, quando houve mudanças na metodologia do levantamento, resultando em uma queda de 5,21%.
Ensino médio lidera a evasão escolar
A redução de matrículas no ensino médio foi um dos pontos mais surpreendentes, com uma queda de 5,4%. No setor público, especificamente, a diminuição chegou a 6,3%. As redes estaduais, responsáveis por cerca de 80% dos alunos dessa etapa, perderam 428 mil estudantes. Em contrapartida, a rede privada apresentou um leve aumento de 0,6% nas matrículas.
O número total de matrículas no ensino médio em 2025 foi de 7.370.879, ante 7.790.396 no ano anterior. As causas exatas para esse fenômeno ainda não foram detalhadas, mas fatores como taxas de abandono, reprovação e alterações demográficas podem estar contribuindo para esse quadro.
Educação infantil e fundamental também sentem o impacto
A educação infantil, que engloba creches e pré-escolas, também registrou uma queda no número de matrículas pela primeira vez desde 2021. O total de alunos passou de 9,5 milhões em 2024 para 9,3 milhões em 2025. Houve um aumento nas matrículas de creche na rede pública, mas uma queda na rede privada.
Na pré-escola, a redução foi generalizada, com destaque para a rede pública, que viu o número de alunos cair 3,2%. O ensino fundamental, entre o 1º e o 9º ano, também apresentou uma leve redução de 0,75%, seguindo uma tendência de queda já observada em anos anteriores, em parte devido à transição demográfica com menos nascimentos.
Outras modalidades e o cenário dos professores
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) também sofreu uma nova redução de 5,8%, com 2,4 milhões de alunos em 2025. Por outro lado, o país viu um aumento no número de professores na educação básica, que passou de 2,36 milhões em 2024 para 2,40 milhões em 2025. O número de alunos em educação especial cresceu significativamente, com uma alta de 18,4%.
A educação indígena teve um leve retrocesso em suas matrículas, enquanto a educação profissional no ensino médio apresentou um salto de 24%, impulsionada pela oferta de itinerários formativos dentro da reforma do ensino médio. O Censo registra 3,19 milhões de alunos em cursos profissionalizantes.
Fonte: Folha de Pernambuco

















