O Sertão paraibano foi palco de um fenômeno climático extraordinário durante o mês de fevereiro, com volumes pluviométricos que desafiaram as expectativas e superaram significativamente as previsões. Dados recentes divulgados pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) revelam que diversas cidades da região registraram precipitações muito acima da média histórica, chegando a quase 230% em alguns pontos, um indicativo de um período chuvoso excepcionalmente intenso.
Cajazeiras Lidera com Chuvas Recordes e Açude Vertendo
Entre os municípios que se destacaram pelo alto volume de chuvas, Cajazeiras, no Alto Sertão, registrou um cenário notável. A cidade acumulou impressionantes 603,1 milímetros de chuva ao longo do mês de fevereiro, um valor que representa 228,3% acima do volume originalmente previsto para o período. Este montante pluviométrico elevado resultou em um aumento de 47,1% em relação ao que era esperado. Um dos picos de precipitação foi observado no dia 25 de fevereiro, quando Cajazeiras recebeu 113 milímetros em um único registro. A consequência direta desse volume foi o sangramento do Açude Grande, um importante reservatório local, indicando que sua capacidade máxima foi plenamente atingida e superada.
Extensão do Fenômeno: Outras Cidades com Volumes Excepcionais
O padrão de chuvas intensas não se restringiu a Cajazeiras, espalhando-se por outras localidades do Sertão paraibano. O balanço pluviométrico da Aesa, referente ao período de 1º a 28 de fevereiro, aponta que muitos municípios vivenciaram um fevereiro atipicamente chuvoso. Bom Jesus, por exemplo, registrou 469,3 mm, o que representa 182,4% acima do previsto. Santa Helena acumulou 461,8 mm, com um excedente de 207,3%. Sousa alcançou 436,2 mm, ultrapassando a previsão em 177,1%, enquanto São José da Lagoa Tapada atingiu 434,8 mm, 119,9% acima. Outras cidades como Carrapateira (388,6 mm, 125,8% acima), Teixeira (388,6 mm, 184,3% acima), e Quixaba (380,4 mm, 205,8% acima) também apresentaram volumes consideravelmente superiores às suas médias históricas para o mês. Até mesmo o Açude Engenheiro Ávidos, em Cajazeiras, monitorou um volume de 409,5 mm, 144,9% acima do esperado, e o distrito de São Gonçalo, em Sousa, registrou 376,1 mm, um aumento de 117,4%.
Impactos das Chuvas: Reservatórios Cheios e Desafios Estruturais
A bonança hídrica trazida pelas chuvas de fevereiro tem um impacto dual. Por um lado, a elevação significativa dos níveis dos açudes e reservatórios em toda a região representa um alívio crucial para o abastecimento de água, especialmente em uma área historicamente castigada por períodos de seca prolongada. A cena de açudes sangrando, como o Açude Grande em Cajazeiras, é um sinal positivo para a segurança hídrica. Contudo, essa intensidade pluviométrica também gerou desafios. O rápido e volumoso escoamento da água pode acarretar estragos na infraestrutura local, como pontes, estradas e moradias, exigindo atenção das autoridades para mitigar os impactos negativos e garantir a segurança da população. A gestão dos recursos hídricos e a infraestrutura de drenagem tornam-se, assim, pontos cruciais diante de eventos climáticos dessa magnitude.
O fevereiro excepcional no Sertão da Paraíba reforça a imprevisibilidade dos padrões climáticos e a importância do monitoramento contínuo realizado por órgãos como a Aesa. Enquanto as chuvas trazem uma renovada esperança para a região sedenta, elas também sublinham a necessidade de planejamento e resiliência para lidar com os extremos climáticos, que se tornam cada vez mais frequentes.
Fonte: https://g1.globo.com















