A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama dos EUA, Hillary Clinton, está programada para depor nesta quinta-feira perante uma comissão do Congresso norte-americano, em um desenvolvimento crucial da investigação em torno do bilionário Jeffrey Epstein. O testemunho de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, está agendado para o dia seguinte, sexta-feira. Ambos os depoimentos, aguardados com grande expectativa, acontecerão de forma remota, de sua residência em Chappaqua, Nova York, marcando um novo capítulo na intrincada rede de relações do falecido financista condenado por crimes sexuais.
Convocação e Particularidades dos Depoimentos
A intimação do casal Clinton para prestar esclarecimentos à comissão é um pleito majoritário dos republicanos, que compõem a maior parte do grupo investigativo. Embora as sessões sejam gravadas e transcritas integralmente, a decisão é de que não haverá transmissão pública dos testemunhos. Esta modalidade de depoimento à distância, apesar de não ser a regra geral para a maioria dos convocados ao Capitólio, já havia sido concedida anteriormente a outras figuras proeminentes, como o empresário Les Wexner, fundador da Victoria's Secret e antigo associado de Epstein, e Ghislaine Maxwell, ex-parceira do financista, que depôs da prisão onde cumpre pena, invocando seu direito de permanecer em silêncio.
Inicialmente, os Clintons deveriam ter comparecido perante a comissão em 2025, mas adiamentos decorrentes de conflitos de agenda postergaram suas oitivas. Essa demora levou o casal a emitir uma carta em janeiro deste ano, denunciando o que consideraram uma perseguição por parte do presidente do comitê, o deputado republicano James Comer. A recusa inicial em depor chegou a resultar em uma denúncia de desacato, que poderia ter acarretado em sérias consequências legais.
Alegações e o Contexto das Relações com Epstein
O envolvimento de Hillary Clinton no caso Epstein tem sido objeto de controvérsia, visto que seu nome não figura diretamente nos arquivos do financista. Seus porta-vozes têm consistentemente afirmado que sua convocação é meramente uma manobra política. Por outro lado, Bill Clinton aparece em diversas imagens ao lado de Jeffrey Epstein, e há registros de sua participação em voos particulares no avião do financista. Apesar dessas associações visuais, é importante ressaltar que não existem acusações formais contra o ex-presidente em relação aos crimes de Epstein.
O porta-voz de Bill Clinton, Angel Ureña, já se manifestou publicamente sobre o assunto, assegurando que o ex-presidente rompeu qualquer laço com Epstein muito antes de os crimes virem à tona. Ureña minimizou a importância das fotografias, declarando que 'podem divulgar quantas fotos de mais de 20 anos quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton', enfatizando a desassociação do ex-presidente com as atividades criminosas de Epstein.
O Cenário da Disputa Partidária e as Conexões com Donald Trump
O imbróglio em torno dos depoimentos dos Clintons se insere em uma acirrada disputa partidária. O casal e os democratas acusam os republicanos de orquestrar a convocação como uma tática para desviar o foco das relações do próprio presidente dos EUA, Donald Trump, com Jeffrey Epstein. Argumentam que os republicanos buscam, na verdade, ofuscar as repetidas menções a Trump nos arquivos do caso e suas aparições em fotos ao lado do falecido milionário.
Arquivos revelados no final do ano passado trouxeram à tona evidências que alimentam essa narrativa, incluindo um e-mail de janeiro de 2019, no qual Epstein supostamente afirmava a um interlocutor, Wolff, que Trump 'sabia' sobre as 'garotas'. Este elemento adiciona uma camada de complexidade à investigação, transformando os depoimentos dos Clintons não apenas em um esclarecimento sobre suas próprias conexões, mas também em um palco para a contínua polarização política sobre quem, de fato, esteve mais próximo das operações de Jeffrey Epstein.
Conclusão
A oitiva de Hillary e Bill Clinton pela comissão congressional sublinha a amplitude e a sensibilidade da investigação sobre Jeffrey Epstein, cujo impacto continua a reverberar por todo o cenário político americano. Mais do que meros esclarecimentos sobre suas interações com o financista, os depoimentos se inserem em uma tensa batalha política, onde cada lado busca direcionar a narrativa e responsabilizar seus adversários. O escrutínio público e as implicações políticas do caso Epstein permanecem intensos, e os testemunhos dos Clintons certamente adicionarão novas dimensões a esta complexa e contínua saga.
Fonte: https://g1.globo.com
















