A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, aprovou nesta terça-feira (31) a convocação de figuras proeminentes da política e da economia brasileira. Entre os nomes que deverão prestar depoimento estão os ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Além deles, Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025, também foi reconvocado para esclarecer pontos cruciais relacionados à atuação da comissão.
A decisão de convocar os ex-governadores e o ex-presidente do Banco Central surge após eles não terem atendido a convites anteriores da comissão. A CPI busca aprofundar investigações sobre a lavagem de dinheiro, a infiltração do crime organizado no aparato estatal e as complexas relações financeiras que podem estar ligadas a atividades ilícitas em diferentes esferas do poder.
Relações financeiras e o caso Ibaneis Rocha
A convocação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI. Segundo Vieira, o depoimento de Ibaneis é fundamental para desvendar as relações comerciais entre seu escritório de advocacia e entidades que estão sob investigação da Polícia Federal (PF).
Informações preliminares indicam que o escritório fundado por Ibaneis teria mantido contratos milionários com empresas ligadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, ambos alvos de investigações federais. Além disso, teriam sido identificadas transferências financeiras consideradas atípicas, provenientes do Grupo J&F. A CPI busca entender os critérios que guiaram as decisões do governo distrital relativas às negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, especialmente a aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados.
O senador Vieira sustenta que Ibaneis teria agido pessoalmente para aprovar a aquisição do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e a transparência dessas operações financeiras.
Cláudio Castro e a complexidade do crime no Rio de Janeiro
No caso do ex-governador fluminense Cláudio Castro, a expectativa da CPI é obter um “panorama macroestratégico inestimável”. O objetivo é investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
Alessandro Vieira ressaltou que o Rio de Janeiro se tornou um “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”. Ele destacou a alarmante mutação no cenário criminoso, onde a divisão entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos, formados por agentes e ex-agentes de segurança pública, deu lugar a uma “simbiose criminosa”, frequentemente denominada narcomilícia. A oitiva de Cláudio Castro é vista como indispensável para compreender a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal e avançar nos trabalhos da comissão.
Roberto Campos Neto e o papel do Banco Central
A reconvocação de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, também foi proposta pelo senador Alessandro Vieira. Campos Neto havia informado que não poderia comparecer à reunião anterior da CPI. A comissão busca ouvi-lo na condição de testemunha qualificada, e não como investigado, para que possa contribuir com informações sobre os procedimentos, instrumentos e práticas institucionais do Banco Central.
O relator da CPI enfatizou que o depoimento de Campos Neto pode ser relevante para os trabalhos da comissão, auxiliando na compreensão de como as estruturas financeiras e regulatórias podem ser utilizadas ou impactadas por atividades de crime organizado, sem que isso implique em qualquer atribuição de responsabilidade prévia ao ex-presidente.
Outras deliberações e o rigor do STF
Além das convocações de alto perfil, os senadores da CPI aprovaram outros requerimentos, incluindo a convocação do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, Renato Dias de Brito Gomes. A comissão também reanalisou e aprovou pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas, atendendo às novas exigências e diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa medida reforça o compromisso da CPI em conduzir suas investigações com o máximo rigor legal e em conformidade com as determinações da mais alta corte do país.
A atuação da CPI do Crime Organizado é um termômetro da preocupação do legislativo com a crescente complexidade das redes criminosas no Brasil e sua capacidade de se infiltrar em setores estratégicos da economia e do poder público. Os próximos depoimentos prometem trazer à tona detalhes que podem ser cruciais para o avanço das investigações e para a proposição de medidas mais eficazes de combate a essas organizações. Para mais informações e análises aprofundadas sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o PB em Rede, seu portal de notícias com foco em informação atualizada e contextualizada.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




















