Um incidente naval nas águas territoriais de Cuba resultou na morte de quatro pessoas e na prisão de outras seis, após um confronto com a Guarda Costeira cubana. As autoridades da ilha caribenha afirmam que os ocupantes de uma lancha com bandeira americana tinham a intenção de realizar uma "infiltração com fins terroristas". O ocorrido, que escalou a tensão entre os Estados Unidos e Cuba, provocou reações imediatas da Rússia, que classificou o episódio como uma "provocação agressiva" americana, enquanto Washington solicitou mais informações antes de qualquer pronunciamento oficial.
A Versão de Havana: Infiltração e Confronto Armado
Segundo o Ministério do Interior de Cuba, a lancha, que ostentava registro da Flórida (FL7726SH), foi detectada em águas cubanas na manhã de quarta-feira. As autoridades cubanas alegam que a embarcação entrou ilegalmente e, ao ser abordada pela Guarda Costeira para identificação, os tripulantes teriam desobedecido a ordem de parar e aberto fogo. O confronto resultante levou à morte de quatro ocupantes e ferimentos em seis, todos identificados como cubanos residentes nos Estados Unidos. Um guarda costeiro cubano também precisou de assistência médica.
Após a interceptação, as autoridades cubanas revelaram a apreensão de um arsenal significativo a bordo da lancha. Entre os itens confiscados, foram encontrados rifles de assalto, pistolas, artefatos explosivos de fabricação artesanal (incluindo coquetéis Molotov), coletes à prova de bala, miras telescópicas e uniformes de camuflagem. O governo cubano ainda acrescentou que a maioria dos dez indivíduos a bordo possuía um histórico conhecido de envolvimento em atividades criminosas e violentas, reforçando a narrativa de uma tentativa de infiltração terrorista.
Reações Internacionais: Cautela Americana e Condenação Russa
O incidente desencadeou uma série de pronunciamentos internacionais. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, manifestou que o governo americano pretende responder adequadamente após reunir e verificar informações independentes. Rubio enfatizou que os dados disponíveis até o momento provêm exclusivamente das autoridades cubanas, negou qualquer envolvimento de funcionários do governo americano no caso e descartou ter mantido conversas com Havana sobre o assunto. Paralelamente, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação sobre o ocorrido.
Em contraste com a postura mais cautelosa dos EUA, a Rússia rapidamente condenou o incidente. Uma porta-voz do Ministério do Exterior russo descreveu o evento como uma "provocação agressiva" por parte dos Estados Unidos, com o objetivo claro de agravar a situação na região e "desencadear um conflito", segundo declarações à agência de notícias TASS. A embarcação em questão, descrita pelo jornal The New York Times como uma lancha Pro-Line, fabricada em 1981 e com aproximadamente sete metros de comprimento, parecia ser um barco de pesca comum, não pertencendo a flotilhas ou forças militares dos EUA.
Contexto de Tensão Crescente entre Washington e Havana
O confronto em águas cubanas ocorre em um período de elevada tensão nas relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba. A imposição de um embargo petrolífero por parte de Washington à ilha, juntamente com apelos para que Havana chegue a um acordo, tem contribuído para um ambiente político delicado. Nos últimos anos, vários incidentes semelhantes foram registrados, com os dois mais recentes em 2022, ambos com desfecho fatal. No entanto, esses casos anteriores estavam geralmente associados a tentativas de remoção ilegal de pessoas de Cuba, distinguindo-se da atual acusação de "fins terroristas" feita pelas autoridades cubanas.
A situação atual, com a morte de cidadãos cubanos residentes nos EUA e a apreensão de um arsenal significativo, eleva a gravidade do incidente. As diferentes narrativas apresentadas por Cuba e as demandas por verificação independente por parte dos EUA sugerem que o episódio poderá ter implicações duradouras nas já fragilizadas relações entre os dois países e na estabilidade regional.
Fonte: https://g1.globo.com


















