O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, tornou-se alvo de uma complexa investigação da Polícia Federal por suspeita de envolvimento com um esquema criminoso conhecido como 'Máfia dos Concursos'. A operação, que se estendeu por Alagoas, Paraíba e Pernambuco, culminou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do oficial, levantando sérias questões sobre a integridade de altas patentes nas forças de segurança.
A Investigação e as Medidas Judiciais Iniciais
A apuração, centrada na cidade de Patos, no Sertão da Paraíba, onde a 'máfia' teria sua base, indica que o delegado-geral teria exercido pressão sobre a família que liderava a organização criminosa. O objetivo seria garantir vantagens ilícitas, facilitando a aprovação de familiares em concursos públicos. Embora o Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB) tenha solicitado a prisão preventiva de Gustavo Xavier, o juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal de Justiça da Paraíba, considerou o mandado de busca e apreensão como medida suficiente no estágio atual. O magistrado apontou que, embora os indícios coletados sinalizem uma possível participação que merece aprofundamento, não são, por ora, robustos o bastante para justificar a detenção imediata. Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou que só se pronunciará após ser formalmente notificada, enquanto o delegado e a Polícia Civil de Alagoas não emitiram declarações.
Evidências e Mecanismos da Alegada Coerção
As bases para a investigação contra Gustavo Xavier são sólidas, provenientes de depoimentos de colaboração premiada de integrantes do grupo criminoso, que detalharam a participação e a pressão exercida pelo delegado-geral. Além disso, interceptações telefônicas entre os investigados também corroboram as alegações. Trechos do resumo do MPF revelam que Thyago de Andrade, apontado como chefe da organização, e sua esposa, Laís Giselle, teriam sido coagidos por um 'Delegado Xavier', através de um preposto, a fraudar concursos sob seu comando. As evidências sugerem que Xavier teria utilizado sua posição hierárquica na corporação para ameaçar o líder da organização, assumindo um 'poder de comando' na ORCRIM e direcionando as fraudes em benefício de seus aliados.
A Rede de Beneficiados e Outros Envolvidos
A investigação detalha uma lista de indivíduos que teriam sido beneficiados diretamente pela suposta influência do delegado-geral. Entre eles, a esposa de Gustavo Xavier, Aially Soares, que teria sido aprovada por fraude no Concurso Nacional Unificado para o cargo de auditor fiscal, e seu irmão, Mércio Xavier, em um concurso do Banco do Brasil em 2023. Outro beneficiado seria Anacleide Ferreira Feitosa, esposa de Eudson Matos – um policial civil que atuava em Alagoas, atualmente preso desde 2024, e apontado como o 'porta-voz' do delegado-geral na organização criminosa. A aprovação de Anacleide no concurso da Polícia Científica de Alagoas é atribuída, conforme o MPF, a uma 'determinação de Gustavo Xavier' em favor de seu homem de confiança. O processo também cita outro policial civil alagoano, Ramon Izidoro Soares Alves, que também exerce mandato de vereador em Arapiraca. Contra ele, a Justiça Federal aprovou quebra de sigilo telemático, interceptação telefônica e um mandado de busca e apreensão.
A Abrangência da Operação Federal
A operação da Polícia Federal não se limitou ao delegado-geral, estendendo-se a outros suspeitos chave. Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza e Flávio Luciano Nascimento Borges, ambos funcionários da Caixa Econômica, detidos em João Pessoa. No total, a operação resultou no cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão, que levaram à apreensão de diversos equipamentos eletrônicos como celulares, notebooks e tablets, materiais que agora serão analisados para aprofundar as provas e desvendar completamente a estrutura e o funcionamento da 'Máfia dos Concursos'.
As acusações contra o delegado-geral de Alagoas e a amplitude da operação federal lançam uma sombra sobre a credibilidade de importantes instituições públicas. A continuidade das investigações será crucial para esclarecer as responsabilidades, confirmando ou refutando as graves alegações e garantindo que a justiça seja aplicada em um caso que envolve a suposta manipulação de processos seletivos públicos e o abuso de poder por parte de um alto funcionário da segurança.
Fonte: https://g1.globo.com


















