Denúncia de Agressão a Criança Autista em Escola de Campina Grande Reacende Debate sobre Inclusão e Supervisão Escolar

Em Campina Grande, na Paraíba, uma família de um menino autista de sete anos levantou uma grave denúncia na última terça-feira (24), alegando que a criança teria sido agredida por outro aluno em uma escola municipal. O caso, amplamente divulgado nas redes sociais, expõe não apenas as lesões sofridas pelo estudante, mas também uma suposta falha da instituição em comunicar prontamente o incidente aos responsáveis, gerando preocupações sobre a supervisão e o suporte oferecidos a crianças com necessidades especiais no ambiente escolar.

As Lesões e a Queixa da Família

A denúncia veio à tona com a divulgação de imagens que mostram o menino, aluno do 2º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Padre Cornélio Boer, com hematomas visíveis nos braços e na região da virilha. Além das marcas, a mãe relatou que a criança, diagnosticada com autismo nível 2 de suporte, apresentou fortes dores de cabeça após o suposto ocorrido, o que motivou a família a procurar atendimento médico no Hospital de Trauma de Campina Grande para avaliação. Este quadro clínico acentuou a preocupação familiar, que apontou a falta de supervisão durante o período escolar como o principal fator contribuinte para o incidente.

Relato Materno: Falta de Comunicação e Transparência

A mãe da criança detalhou que a escola não comunicou o incidente de forma clara e imediata. Segundo seu relato à TV Paraíba, a verdade sobre o ocorrido só veio à tona através de seu outro filho, que estuda na mesma instituição. Ela descreveu uma conversa inicial com a equipe escolar onde o foco teria sido desviado para o laudo médico do filho, e apenas após a intervenção do irmão mais novo, que testemunhou o empurrão, a psicóloga da escola admitiu um 'desentendimento'. A genitora enfatizou que, se houvesse supervisão adequada, a família teria sido informada imediatamente sobre o que realmente aconteceu, especialmente sobre o impacto na cabeça da criança, que só foi descoberto devido às dores e posterior consulta médica.

A Posição Oficial da Escola e da Secretaria de Educação

Em resposta às acusações, a diretora da Escola Municipal Padre Cornélio Boer afirmou, em entrevista, desconhecer a motivação exata do conflito, mencionando que ambos os estudantes envolvidos são autistas. Paralelamente, a Secretaria de Educação de Campina Grande emitiu uma nota oficial contestando a versão da família sobre uma agressão. A pasta classificou o episódio como um 'desentendimento pontual entre duas crianças', informando que um dos alunos foi empurrado e sofreu arranhões leves decorrentes da queda, enfatizando que não houve registro de 'espancamento'.

A Secretaria ainda reiterou que sua equipe pedagógica interveio prontamente após o incidente e que os pais de ambos os alunos foram devidamente acionados. Conforme o órgão municipal, uma reunião de mediação foi organizada, onde os fatos teriam sido esclarecidos, resultando na resolução do conflito entre os envolvidos diretos. Esta versão oficial contrasta significativamente com a percepção da família sobre a gestão da crise pela instituição.

Medidas de Acompanhamento e Suporte Especializado

Apesar das versões conflitantes, a Secretaria de Educação de Campina Grande assegurou que o caso continua sob acompanhamento constante da supervisão escolar. Este processo visa não apenas garantir o bem-estar contínuo do aluno, mas também dar prosseguimento a quaisquer apurações administrativas que se façam necessárias. Além disso, a coordenação de educação especial da pasta informou que está em fase de reavaliação da necessidade de designar um educador social exclusivo para a criança em questão. Atualmente, o estudante conta com o suporte de um profissional que é compartilhado com os demais alunos da turma, levantando discussões sobre a adequação dos recursos de apoio para estudantes com Transtorno do Espectro Autista.

O episódio em Campina Grande expõe a complexidade dos desafios enfrentados por escolas na promoção de um ambiente inclusivo e seguro para crianças com autismo. A divergência entre as narrativas da família e da Secretaria de Educação sublinha a importância de protocolos claros de comunicação, supervisão efetiva e a constante adequação dos recursos de apoio pedagógico para garantir que a inclusão seja plena e que as necessidades de cada estudante sejam atendidas com a devida atenção e cuidado.

Fonte: https://g1.globo.com

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