O diagnóstico de diabetes, especialmente o tipo 1, representa um desafio significativo em qualquer idade. Na infância, essa condição impõe uma série de adaptações na rotina familiar e escolar, muitas vezes agravadas pela falta de informação e pelo preconceito. Diante dessa realidade, a publicitária Rebecca Patrício encontrou inspiração na própria experiência com a filha, Helena, para criar uma série de livros infantis que visam desmistificar a doença e promover a inclusão.
A iniciativa de Rebecca surge como uma ferramenta valiosa para pais, educadores e, principalmente, crianças, ao transformar a complexidade do diabetes tipo 1 em uma narrativa acessível e lúdica. Os livros não apenas explicam a condição, mas também celebram a capacidade das crianças de viverem uma vida plena e ativa, apesar dos cuidados diários.
A inspiração por trás de ‘Lena e o Bracinho Mágico’
A ideia para o primeiro livro, intitulado “Lena e o Bracinho Mágico”, nasceu de uma necessidade prática. Após o diagnóstico de diabetes tipo 1 da filha Helena, a família enfrentou a transição para uma nova escola, onde as outras crianças poderiam não compreender a condição ou os acessórios médicos que Helena precisava usar. Rebecca percebeu a importância de uma ferramenta que pudesse explicar de forma simples e acolhedora o que é o diabetes tipo 1 e como ele se manifesta no dia a dia.
O livro aborda, de maneira didática, o uso de dispositivos como o sensor de glicose, que se torna um “bracinho mágico” na história, ajudando a monitorar a saúde de Helena. A autora enfatiza que o objetivo é mostrar que, apesar dos cuidados e da tecnologia envolvida, a condição não impede a criança de ter uma vida completamente normal, brincar, estudar e interagir com os amigos sem estigmas.
Desvendando os ‘Superpoderes das Comidas’ e a rotina de cuidados
Além do primeiro título, Rebecca Patrício também escreveu “Lena e os Superpoderes das Comidas”, que se aprofunda nas adaptações alimentares necessárias para quem vive com diabetes tipo 1. Este livro explora a importância de entender os nutrientes, como carboidratos e proteínas, e como a contagem desses elementos é fundamental para o controle glicêmico. A autora explica que o diagnóstico abriu um “outro universo” de conhecimento sobre alimentação e saúde.
A rotina de Helena, que inclui a aplicação de insulina e a verificação constante da glicemia, é apresentada de forma positiva. A tecnologia, como o sensor de glicose contínuo, desempenha um papel crucial, enviando informações em tempo real para os pais, professores e médicos. Isso permite que Helena mantenha uma rotina ativa, inclusive praticando esportes, com a segurança de que seus níveis de glicose estão sendo monitorados. A própria Helena compartilha sua experiência, dizendo que descobriu que “não dói tanto botar o Libre e fazer a insulina”, o que reforça a mensagem de normalização e superação.
Combatendo o estigma e promovendo a inclusão
Os livros de Rebecca Patrício vão além da mera explicação da doença; eles são uma ferramenta poderosa para combater o preconceito e a desinformação. A autora faz questão de esclarecer que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, não causada por excesso de doces ou sedentarismo, uma distinção crucial para evitar julgamentos equivocados.
Ao normalizar o dia a dia de uma criança com diabetes, as obras contribuem para um ambiente mais inclusivo e compreensivo. A linguagem acessível e a abordagem lúdica facilitam a compreensão tanto para crianças quanto para adultos, ajudando a construir uma comunidade mais empática em relação à condição. As obras estão disponíveis gratuitamente na internet, acessíveis através do perfil do projeto “Clube da Lena” nas redes sociais, ampliando seu alcance e impacto. Para mais informações sobre iniciativas locais, visite o portal G1 Paraíba.
Fonte: g1.globo.com


















