Após a recente revelação de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria utilizado voos de empresas associadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, novas apurações trazem à tona que o ministro Dias Toffoli também fez uso de aeronaves particulares com conexões ao empresário. A informação, que adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário político-judiciário, levanta questionamentos sobre a conduta de magistrados e a transparência em suas relações.
Uma reportagem detalhada, publicada pela Folha de S. Paulo, revelou que Dias Toffoli realizou, pelo menos, dez voos em jatinhos particulares partindo do terminal privado do aeroporto de Brasília ao longo do ano passado. Desses, cinco teriam ligações diretas ou indiretas com Daniel Vorcaro, que foi preso sob acusação de comandar um grande esquema de fraudes financeiras. A série de viagens, que inclui destinos como São Paulo, Ourinhos e Marília, cidades com relevância pessoal para o ministro, adiciona um elemento de escrutínio público sobre as interações entre figuras do judiciário e empresários sob investigação.
As conexões dos voos de Dias Toffoli com o empresário Vorcaro
Os documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), cruzados pela investigação jornalística, indicam que Dias Toffoli voou em aviões de diversas empresas que mantêm ou já mantiveram ligação com Daniel Vorcaro. Entre as companhias citadas, estão a OSN Administração e Participação e a Heringer Táxi Aéreo, embora para estas não tenha sido apontada uma conexão direta com a rede de Vorcaro em voos específicos para Goiânia em fevereiro de 2025.
No entanto, outros voos considerados suspeitos ocorreram em abril, junho, julho e outubro, com destinos estratégicos. Além da capital paulista, Toffoli viajou para Ourinhos, no interior de São Paulo, cidade próxima ao resort Tayayá, e para Marília, seu município natal e residência de seus irmãos. Essas rotas e a frequência dos voos reforçam a necessidade de um olhar atento sobre a natureza dessas relações e os potenciais conflitos de interesse.
O resort Tayayá e outras ligações empresariais
A apuração detalha que, em 4 de julho de 2025, Toffoli acessou o terminal executivo de Brasília, e minutos depois, uma aeronave de prefixo PR-SAD decolou para Marília. Curiosamente, o mesmo modelo de avião teria sido utilizado por Alexandre de Moraes em três ocasiões. Na mesma data, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), localidade do resort Tayayá, frequentemente visitado pelo ministro e situado a cerca de 150 quilômetros de Marília.
A Prime Aviation, uma das empresas responsáveis pelas aeronaves utilizadas, invocou a confidencialidade dos contratos e a Lei Geral de Proteção de Dados para não divulgar informações sobre os usuários. Contudo, a empresa integrava um fundo de compartilhamento de bens de luxo do qual Vorcaro foi sócio direto até setembro do ano passado. Outros registros apontam coincidências entre os horários de embarque de Toffoli e voos de aeronaves ligadas à Petras Participações, que tem entre seus sócios Paulo Humberto Barbosa, atual proprietário do resort Tayayá. Em 17 de junho e 1º de outubro, situações similares foram observadas, com o ministro embarcando e, logo em seguida, aviões da empresa partindo para destinos próximos ao empreendimento ou a São Paulo.
Além disso, há o registro de um voo em 10 de abril de 2025 em uma aeronave ligada a Luiz Pastore, amigo pessoal do ministro. Toffoli e Pastore mantêm uma relação próxima, sendo que o magistrado já viajou em avião do empresário para acompanhar a final da Copa Libertadores no Peru, ao lado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um dos executivos do Banco Master. Essas conexões ampliam o leque de relações que merecem escrutínio.
Repercussões e o afastamento de Dias Toffoli do caso Master
Até o início deste ano, Dias Toffoli era o relator dos processos referentes ao Banco Master no STF, mantendo silêncio sobre as apurações relacionadas ao resort Tayayá, apesar de funcionários do local o considerarem proprietário. No entanto, após a Polícia Federal revelar diálogos com o empresário, o ministro deixou a relatoria do caso. Pouco depois, declarou-se suspeito de participar do julgamento colegiado do mandado de prisão preventiva emitido por André Mendonça, que assumiu a relatoria.
O ministro também confirmou, em meio às revelações da imprensa, que era sócio de seus irmãos no resort Tayayá, mas alegou não atuar na administração da Maridt Participações, que detinha cotas do empreendimento negociadas com o fundo Arleen. A defesa de Vorcaro e o gabinete de Dias Toffoli no STF foram procurados pela reportagem, mas não houve retorno até o momento da publicação original.
A série de revelações sobre os voos e as ligações com Daniel Vorcaro e seus associados sublinha a importância da transparência e da ética no serviço público, especialmente em cargos de alta relevância como os do Supremo Tribunal Federal. O PB em Rede continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste caso e de outras notícias relevantes, oferecendo aos seus leitores informação de qualidade e contextualizada, para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que impactam o Brasil e o mundo.
Fonte: gazetadopovo.com.br



















