Destaques:
- Ministro Flávio Dino exige cronograma da AGU para aprimorar gestão de emendas parlamentares.
- Codevasf e Dnocs são alvos de determinações para corrigir anomalias e instaurar Tomadas de Contas Especiais.
- Prazos são fixados para ajustes em portarias ministeriais e recomposição da capacidade de auditoria do Denasus.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu uma determinação crucial neste domingo (22), exigindo que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente, em um prazo de dez dias úteis, um cronograma detalhado. O objetivo é a implementação de melhorias significativas na execução de emendas parlamentares, com foco especial na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
A medida visa intensificar a transparência e o controle sobre a destinação de recursos públicos, um tema de constante debate e fiscalização no cenário político nacional. A decisão sublinha a preocupação do Judiciário com a correta aplicação das verbas e a necessidade de aprimorar os mecanismos de gestão e prestação de contas em entidades federais.
Fiscalização intensificada sobre Dnocs e Codevasf
No que tange ao Dnocs, o ministro Flávio Dino apontou para um “quadro de mais anomalias, descontroles e vícios” na utilização das emendas. Essa constatação não é isolada, visto que a Polícia Federal (PF) já havia deflagrado, no fim de 2025, uma operação direcionada ao órgão. As investigações revelaram suspeitas de superfaturamento e a não execução de obras em contratos de pavimentação em diversos municípios, resultando em um prejuízo estimado em mais de R$ 22 milhões aos cofres públicos.
Diante desse cenário, o Dnocs recebeu um prazo até 30 de maio para implementar novas regras de controle, buscando reverter o quadro de irregularidades. Para a Codevasf, o ministro estabeleceu um prazo de 60 dias para a instauração de Tomadas de Contas Especiais (TCEs), com o foco principal na recuperação de valores pagos indevidamente. Apesar das novas exigências, Dino considerou que a decisão anterior, que solicitava a elaboração de uma nota técnica sobre a execução das emendas por esses órgãos, foi cumprida.
Ajustes em portarias ministeriais e transparência das emendas
Outro ponto relevante abordado na decisão do ministro Flávio Dino foi a necessidade de ajustes em portarias de cinco ministérios: Cidades, Esporte, Turismo, Agricultura e Educação. Essas pastas apresentaram inconsistências na definição de critérios para a destinação de emendas parlamentares, o que pode gerar ambiguidades e dificultar a fiscalização. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a prorrogação do prazo até 31 de março para que novas regras sejam publicadas, garantindo maior clareza e uniformidade nos processos.
Essa medida é fundamental para assegurar que as emendas parlamentares, instrumentos importantes de alocação de recursos, sejam utilizadas de forma eficiente e transparente, seguindo diretrizes claras e evitando interpretações divergentes que possam comprometer a integridade dos projetos financiados. A atuação do Supremo Tribunal Federal na fiscalização de recursos públicos é fundamental para a integridade dos processos administrativos, conforme diretrizes estabelecidas para a transparência governamental.
Desafios na auditoria da Saúde Pública e o papel do Denasus
A decisão também se estendeu ao Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus). O ministro Flávio Dino prorrogou em 30 dias o prazo para que o órgão apresente um plano de recomposição de sua capacidade de trabalho. O Denasus informou ao STF que se encontra em uma situação crítica, com um déficit de 50% no quadro de servidores, o que impede a realização de auditorias adequadas sobre as emendas destinadas ao setor da Saúde.
Flávio Dino enfatizou a gravidade da situação: “Caso não haja a recomposição do Denasus em prazo razoável, serão adotadas imediatas medidas excepcionais de auditoria e fiscalização, já que um segmento como a Saúde Pública não pode permanecer executando dezenas de bilhões de reais em emendas parlamentares (e outras transferências) sem os controles estabelecidos”. A declaração ressalta a urgência em fortalecer os mecanismos de controle para um setor que gerencia volumosos recursos e impacta diretamente a vida da população.
Avanços e futuras cobranças na gestão de recursos
Apesar das cobranças e das novas determinações, o ministro Flávio Dino reconheceu que o plano de trabalho conjunto entre os Poderes Executivo e Legislativo, que visa dar mais transparência às emendas, está sendo executado de forma adequada até o momento. Este reconhecimento indica um esforço conjunto para aprimorar a gestão dos recursos públicos.
Contudo, a vigilância permanece. O ministro determinou que novos relatórios sejam apresentados até 10 de junho, detalhando os avanços na identificação dos responsáveis pelas indicações de recursos. Além disso, embora tenha considerado cumprido o cronograma do plano de trabalho sobre a execução de emendas de relator (RP 9), de comissão (RP 8) e de bancada (RP 7), Dino ressaltou que o parecer favorável “não obsta a adoção futura de medidas que se mostrem necessárias para assegurar o seu integral cumprimento”.
Fonte: gazetadopovo.com.br

















