A cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, encontra-se em estado de consternação após um grave incidente envolvendo uma pizzaria local. O estabelecimento está sob investigação depois da morte de uma mulher e o atendimento médico de mais de 100 pessoas que consumiram seus produtos. Pela primeira vez, Marcos Antônio, proprietário da pizzaria, pronunciou-se publicamente, expressando lamento e reafirmando sua total colaboração com as autoridades. O caso levanta sérias questões sobre segurança alimentar e as responsabilidades dos estabelecimentos comerciais, enquanto a comunidade busca respostas para a tragédia.
A Tragédia que Abalou Pombal: Uma Morte e Centenas de Adoecimentos
O fatídico evento teve seu ápice com a morte de Rayssa Maritein Bezerra e Silva, uma engenheira agrônoma e servidora pública de 44 anos. Na noite de domingo, 15 de outubro, Rayssa e seu namorado desfrutavam de uma pizza de carne de sol na pizzaria investigada. Após o retorno para casa, ambos começaram a sentir-se mal, necessitando de atendimento no Hospital Regional de Pombal. Embora o namorado tenha se recuperado sem complicações graves, Rayssa teve uma piora rápida de seu estado de saúde, sendo internada novamente na manhã de segunda-feira e vindo a óbito na terça-feira seguinte. O Hospital Regional de Pombal confirmou que a paciente apresentou um 'quadro infeccioso grave' com 'rápida evolução clínica', resultando em seu falecimento.
Além da perda irreparável de Rayssa, a pizzaria é o foco de uma investigação por um surto de intoxicação que levou cerca de 118 outras pessoas a procurar assistência médica, todas após consumirem alimentos no local. A dimensão do incidente, com um número tão elevado de afetados, mobilizou as autoridades sanitárias e policiais, gerando grande preocupação e clamor por esclarecimentos na região.
O Proprietário se Defende e Busca a Verdade
Marcos Antônio, de apenas 24 anos e dono do estabelecimento, divulgou um vídeo através de sua advogada, Raquel Dantas, para externar sua versão dos fatos. No pronunciamento, ele lamentou profundamente a morte de Rayssa e todo o transtorno causado aos clientes, enfatizando que jamais teve a intenção de prejudicar qualquer pessoa. O jovem empresário descreveu seu comércio como 'sua vida', fruto de 'seis anos de muita luta, renúncia e dificuldade', reiterando que sua última intenção seria 'prejudicar justamente os clientes que dão seu sustento, que dão seu pão'.
Antônio afirmou estar prestando total colaboração com todos os órgãos envolvidos nas investigações, incluindo a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil. Ele ressaltou a importância de descobrir a verdade sobre o ocorrido para sua própria tranquilidade, fornecendo amostras e informações solicitadas pelas autoridades. A advogada do proprietário, por sua vez, apontou que uma inspeção inicial não encontrou produtos fora da validade ou estragados, levantando a possibilidade da existência de bactérias não visíveis a olho nu, sugerindo a complexidade da situação.
As Ações das Autoridades e as Irregularidades Reveladas
Diante da gravidade dos acontecimentos, as autoridades agiram prontamente. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades criminais e civis relacionadas à morte e ao surto de intoxicação. Em paralelo, a Vigilância Sanitária Municipal de Pombal realizou a interdição imediata do estabelecimento para salvaguardar a saúde pública.
A Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa-PB) conduziu uma inspeção mais detalhada na pizzaria. Durante esta fiscalização, foram identificadas diversas irregularidades, incluindo a presença de pragas e insetos, além de problemas no acondicionamento e armazenamento dos alimentos. Esses achados contrastam com a declaração inicial da defesa do proprietário de que não havia produtos visivelmente impróprios, direcionando o foco das investigações para condições de higiene e manipulação que poderiam ter contribuído para a contaminação.
O Perfil de Rayssa e o Luto Comunitário
Rayssa Maritein Bezerra e Silva era uma figura querida em sua comunidade. Descrita por familiares, como sua prima Izabele Freitas, como uma pessoa 'alegre, simples e acolhedora', Rayssa dedicava-se à sua carreira como engenheira agrônoma e servidora pública. Ela não tinha filhos nem era casada, mas sua presença era marcante para amigos e parentes.
O velório de Rayssa foi realizado no Auditório da UBS Solar das Oiticicas, em Pombal, e o sepultamento aconteceu no Cemitério São Francisco, também na cidade, marcando um momento de profunda dor e reflexão para todos que a conheciam e para a comunidade em geral, que se uniu para prestar as últimas homenagens e manifestar solidariedade à família.
Próximos Passos: Em Busca de Respostas Definitivas
A fase atual da investigação concentra-se na coleta de evidências cruciais para desvendar as causas exatas do surto. Exames periciais serão realizados em materiais coletados na pizzaria e também em amostras do corpo de Rayssa Maritein. Esses procedimentos serão conduzidos tanto pela Polícia Civil quanto por órgãos de saúde como a Agevisa-PB. Até o momento, não há um prazo definido para a conclusão desses exames, que serão fundamentais para determinar a origem da contaminação e as eventuais responsabilidades.
O desenrolar das investigações é aguardado com expectativa por toda a população de Pombal e pelas famílias das vítimas, que buscam justiça e a verdade sobre o ocorrido. O caso serve como um alerta crítico para a importância da vigilância sanitária rigorosa e da responsabilidade dos estabelecimentos que lidam com a alimentação de seus consumidores.
Fonte: https://g1.globo.com
















