João Pessoa foi palco de um crime chocante que abalou a capital paraibana. Uma mulher idosa, identificada como Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, médica aposentada e de nacionalidade francesa, foi encontrada morta, carbonizada e dentro de uma mala, no bairro de Manaíra. A Polícia Civil da Paraíba rapidamente qualificou o caso como feminicídio, apontando o namorado da vítima, Altamiro Rocha dos Santos, como o principal suspeito e autor do crime. A investigação revelou detalhes de um relacionamento conturbado, culminando em uma tragédia com requintes de crueldade e descarte do corpo.
O Perfil da Vítima: Uma Vida na Paraíba
Chantal Etiennette Dechaume, após uma bem-sucedida carreira na medicina em seu país natal, escolheu João Pessoa para desfrutar de sua aposentadoria. Residindo em um apartamento no bairro de Tambaú, a francesa mantinha uma vida financeiramente independente, com uma renda mensal estimada em cerca de R$ 40 mil, proveniente de sua aposentadoria recebida no exterior. A Polícia Civil ainda busca precisar a data exata de sua chegada ao Brasil e à capital paraibana. Dada a ausência de familiares na Paraíba, o Consulado da França no Brasil será acionado para auxiliar na localização de parentes e na liberação do corpo, um processo que adiciona uma camada de complexidade ao já delicado caso.
O Relacionamento e a Motivação Fatal
A relação entre Chantal e Altamiro Rocha dos Santos teve início de forma inusitada. Os dois se conheceram na orla da capital, onde Altamiro vendia objetos artesanais. Chantal, impulsionada por um gesto de generosidade, passou a auxiliar o então artesão financeiramente e, durante o período da pandemia, chegou a abrigá-lo em sua residência. Foi nesse contexto que a amizade evoluiu para um relacionamento amoroso. No entanto, a Polícia Civil aponta que a decisão de Chantal de encerrar a união, motivada pelo vício em drogas de Altamiro, teria sido o estopim para o assassinato, caracterizando o crime como feminicídio.
A Cronologia Macabra da Tragédia
A investigação detalhou uma sequência de eventos que culminou na descoberta do corpo. Imagens de segurança foram cruciais para montar a cronologia do crime. Chantal foi vista pela última vez em vida no sábado, dia 7, retornando ao seu apartamento por volta das 18h30. Na segunda-feira, dia 9, Altamiro é flagrado saindo e voltando com um galão de álcool. O corpo da vítima, já sem vida, foi deixado na calçada dentro de uma mala pelo namorado na terça-feira, dia 10, às 22h36, após ele ter saído do apartamento com a mala às 22h06. O laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que Chantal morreu devido a golpes de faca na região do tórax, indicando que ela já estava morta antes de ter seu corpo acondicionado na mala. O ato final de desrespeito ocorreu na madrugada de quarta-feira, dia 11, quando Altamiro retornou ao local com o galão de álcool, encontrou um morador de rua e, em seguida, esse homem ateou fogo ao corpo, às 01h55.
A Descoberta e a Conexão com Outro Crime
O corpo carbonizado de Chantal foi descoberto na quarta-feira (11), chamando a atenção das autoridades e da comunidade. As câmeras de segurança foram fundamentais não apenas para rastrear os passos do namorado da vítima, mas também para registrar o momento em que um homem, posteriormente identificado como um morador de rua, ateou fogo ao corpo. A polícia esclareceu que este indivíduo não é o autor do feminicídio. Contudo, a trama se adensou na quinta-feira (12), quando outro corpo, de um homem com mãos e pés amarrados e uma lesão profunda no pescoço (esgorjamento), foi encontrado no bairro do João Agripino. As autoridades estão tratando os dois casos como potencialmente ligados, sugerindo uma investigação mais ampla e complexa.
Enquanto Altamiro Rocha dos Santos é apontado como o autor do feminicídio contra Chantal Dechaume, a Polícia Civil continua as investigações para elucidar a participação do morador de rua que ateou fogo ao corpo e, principalmente, para desvendar a possível conexão entre a morte da médica francesa e a brutal execução do homem encontrado no João Agripino, em um desdobramento que mantém a comunidade em alerta e a justiça em busca de respostas.
Fonte: https://g1.globo.com
















