A cidade de Itaporanga, no Sertão da Paraíba, foi palco de uma tragédia que deixou marcas profundas na vida da família de Cláudia Kell de Oliveira. Em um ato de feminicídio que chocou a região, Cláudia foi brutalmente assassinada por seu ex-companheiro, Elson Felix de Souza, que não se deteve ali, também alvejando a filha do casal, então com apenas um ano de idade. O crime, que adiciona Cláudia à dolorosa estatística de vítimas de feminicídio no estado, desestruturou completamente o núcleo familiar, que agora se reajusta para cuidar dos filhos da vítima e lutar por justiça.
O Trauma Imprevisível e o Histórico de Violência
Para Adriana Oliveira, irmã de Cláudia, a notícia da morte chegou como um 'pancada muito grande', uma dor que, mesmo com o tempo, parece ter acontecido 'hoje'. A comoção e a lembrança dos fatos ainda são palpáveis na voz da família, que revive o sofrimento constante da vítima durante seu relacionamento com Elson. O pai de Cláudia, Ruzivete Clemente, relata um histórico alarmante de agressões. Antes do dia fatal, Elson já havia causado fraturas nas costelas de Cláudia e até mesmo cortado seu cabelo, colando-o de volta ao couro cabeludo em um ato de extrema violência e humilhação.
Ainda mais perturbador é o contexto em que o feminicídio ocorreu: Elson Felix cometeu o crime apenas três dias após deixar a prisão. Ele já acumulava um registro de cinco passagens pela polícia por violência doméstica contra Cláudia e era conhecido por sua ligação com uma facção criminosa ativa no Vale do Piancó, o que sublinha a periculosidade do agressor e a vulnerabilidade da vítima.
Um Legado de Amor: A Dedicação à Reconstrução Familiar
Diante da ausência irreparável de Cláudia, a família se mobilizou em um esforço conjunto para acolher e proteger as crianças. A filha do casal, baleada na ocasião do crime, permaneceu dois meses internada no Hospital de Trauma de Campina Grande, demandando cuidados intensivos. Sua tia, Adriana Oliveira, assumiu a guarda da menina, abdicando de seu próprio processo de luto para se dedicar integralmente à recuperação da sobrinha.
Adriana descreve a exaustão emocional de vivenciar o hospital enquanto o luto pela irmã ficava em segundo plano. 'Eu chorava todos os dias', desabafa, lembrando-se do momento em que a ficha caiu sobre a dimensão da perda. Além da criança baleada, Cláudia deixou outros três filhos: dois meninos de 11 e 7 anos, e uma menina de 4 anos, que hoje são criados pelos avós maternos. A solidariedade familiar, como pontua o cunhado Jacó Pereira, foi imediata, visando 'prosseguir o trabalho da mãe dela' e abraçar as crianças para que encontrassem um novo alicerce de afeto e segurança.
A Busca Incessante por Justiça
Elson Felix de Souza, de 35 anos, foi preso em junho do ano passado e atualmente aguarda julgamento. A família de Cláudia Kell de Oliveira deposita suas esperanças na justiça, clamando por uma sentença que reflita a gravidade do crime e previna que o agressor represente uma ameaça à sociedade novamente. O pai da vítima é enfático em seu desejo: 'Não pode soltar aquele homem, um homem muito mau, não pode fazer uma coisa dessas, tão horrível que nem ele fez'.
A Polícia Civil informou que o crime foi desencadeado por uma discussão. Após os disparos contra Cláudia e a filha, Elson fugiu. No entanto, com o apoio do setor de inteligência da polícia, ele foi localizado e preso em uma área de mata próxima a Itaporanga, mesmo após ter tentado se esconder com o auxílio de uma facção criminosa. A família espera que o veredito do tribunal traga, senão um alívio completo para a dor, ao menos uma sensação de reparação diante da barbárie que lhes foi imposta, reforçando a importância de não silenciar a violência contra a mulher.
Fonte: https://g1.globo.com
















