A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia está prestes a iniciar um projeto inovador que promete ampliar a prevenção do HIV entre jovens. O estudo, que será lançado em Salvador, visa testar a eficácia da profilaxia pré-exposição (PrEP) em adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, com foco especial em homens gays, travestis e mulheres trans.
Iniciativa pioneira e seus objetivos
Coordenado por pesquisadores da Fiocruz Bahia e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), o estudo busca avaliar o impacto da PrEP, um método preventivo que utiliza medicamentos antirretrovirais para evitar a infecção pelo HIV. A pesquisa será realizada em Salvador e São Paulo, envolvendo cerca de 1.400 jovens. O financiamento vem do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos, com apoio do Ministério da Saúde e organizações da sociedade civil.
Desafios enfrentados pela juventude
Os jovens de 15 a 24 anos são uma das populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV, principalmente devido à dificuldade de acesso a serviços de saúde. O professor Laio Magno destaca que muitos serviços de saúde não são receptivos a jovens, especialmente aqueles pertencentes a populações de diversidade sexual e de gênero. Dados do Ministério da Saúde indicam que apenas 0,2% dos usuários de PrEP no Brasil têm entre 15 e 19 anos, apesar de essa faixa etária apresentar alta incidência de infecção.
Estratégias de prevenção comunitária
O estudo PrEP na Comunidade (COmPrEP) introduz uma abordagem inovadora ao testar a oferta de PrEP mediada por educadores pares, jovens da própria comunidade treinados e supervisionados por profissionais de saúde. Essa estratégia visa aumentar a adesão e continuidade do uso da profilaxia, em comparação com o modelo tradicional de atendimento em unidades de saúde.
Metodologia e expectativas
Os participantes serão divididos entre dois modelos de cuidado: o tradicional, em unidades de saúde, e o comunitário, mediado por educadores pares. O acompanhamento durará até 12 meses, com avaliações de indicadores como início, adesão e permanência no uso da profilaxia. O recrutamento de participantes começará entre setembro e outubro, com resultados finais previstos para 2028.
Impacto esperado e continuidade
O projeto representa um avanço significativo na prevenção do HIV entre jovens, especialmente em comunidades marginalizadas. Ao integrar a comunidade no processo de prevenção, o estudo espera não apenas reduzir a incidência de HIV, mas também combater o estigma e a discriminação associados à infecção. Acompanhe o PB em Rede para mais atualizações sobre esse e outros temas de saúde pública.



















