A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) elegeu, na tarde desta quinta-feira (26), o deputado estadual Douglas Ruas (PL) para a presidência da Casa. A votação, que contou com 45 dos 47 deputados presentes, alça Ruas a exercer o cargo de governador do estado interinamente até o fim do ano, em um desdobramento crucial para o governo Rio.
A ascensão de Ruas, de 37 anos, é o mais recente capítulo de um complexo imbróglio político que tem marcado a sucessão no Poder Executivo estadual. A eleição na Alerj ocorreu em cumprimento a uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou o mandato do então governador Cláudio Castro (PL) e do deputado Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Alerj, tornando-os inelegíveis até 2030.
A eleição na Alerj e a ascensão ao governo Rio
A votação que levou Douglas Ruas à presidência da Alerj registrou 45 votos favoráveis entre os 47 deputados que compareceram. A oposição, em protesto, boicotou o pleito, resultando na ausência de 22 parlamentares. Com a eleição, Ruas assume a liderança da Casa e, por consequência, o comando interino do governo Rio, dada a vacância na linha sucessória.
Este movimento político consolida uma nova fase na administração estadual, após meses de incertezas e mudanças no comando. A decisão do TSE de cassar os mandatos de figuras-chave abriu caminho para a necessidade de uma nova eleição na Alerj, reconfigurando o cenário político fluminense.
O complexo cenário sucessório no Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro tem enfrentado uma série de reviravoltas na sua linha sucessória desde maio de 2025, quando o vice-governador Thiago Pampolha renunciou para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com essa manobra, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, tornou-se o primeiro na linha de sucessão ao governo.
No entanto, em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, que investigava ligações políticas com o Comando Vermelho. Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi afastado da presidência da Alerj, mesmo após ser libertado. A Casa passou a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que, devido à interinidade, não ocupava lugar na linha sucessória.
O cenário se intensificou quando Cláudio Castro renunciou ao cargo de governador em 23 de março de 2026, com a intenção de disputar uma vaga no Senado. A renúncia também era vista como uma tentativa de evitar uma eventual inelegibilidade, já que enfrentava um julgamento no TSE por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. O julgamento, contudo, resultou na cassação de Castro e sua inelegibilidade até 2030, decisão que também atingiu Rodrigo Bacellar. O TSE, então, determinou que a Alerj realizasse eleições indiretas para o governo do estado. Desde a renúncia de Castro, o comando do Executivo fluminense estava sendo exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Ricardo Couto de Castro. Você pode ler mais sobre a cassação de Castro e Bacellar aqui.
A contestação da oposição e os próximos passos
A oposição ao grupo político de Castro, Bacellar, Delaroli e Ruas na Alerj decidiu boicotar a votação para a presidência da Casa e anunciou que ajuizará uma ação na Justiça contra o resultado. A deputada Renata Souza (PSOL) argumentou que a Mesa Diretora da Alerj não respeitou o prazo mínimo para a convocação da eleição.
Segundo a deputada, a convocação com apenas duas horas de antecedência foi “escandalosa” e impediu a preparação de uma chapa de oposição. Ela avalia que a pressa na condução do processo se deu pelo crescimento de apoio a uma possível chapa oposicionista, demonstrando uma Assembleia Legislativa que, em sua visão, “se demonstra inimiga do povo do Rio de Janeiro”.
Perfil de Douglas Ruas, o novo governador interino
Nascido em 17 de janeiro de 1989, Douglas Ruas dos Santos é natural de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele é filho do atual prefeito da cidade, Capitão Nelson. Para a eleição de 2022, Ruas se identificou como policial civil, bacharel em direito e pós-graduado em gestão pública.
O deputado declarou um patrimônio de R$ 1,266 milhão, composto por investimentos, terrenos, imóveis e dinheiro em espécie. Ele foi eleito como o segundo candidato a deputado estadual mais votado, com quase 176 mil votos. Em seu currículo, Ruas já ocupou cargos como subsecretário de Trabalho de São Gonçalo (2017-2018), superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) (2019-2020) e Secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo (2021).
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


















