O arquipélago do Havaí foi atingido por chuvas torrenciais sem precedentes na última sexta-feira, 20 de março de 2026, desencadeando inundações consideradas as piores em duas décadas. A ilha de Oahu, a mais populosa, tornou-se o epicentro de uma vasta operação de resgate que já salvou mais de 230 pessoas. Contudo, a atenção das autoridades se volta para uma ameaça ainda maior: o risco iminente de rompimento de uma barragem centenária, classificada como vulnerável, que colocou milhares de moradores sob ordens de evacuação.
Impacto Catastrófico e a Mobilização em Oahu
As enchentes transformaram paisagens urbanas e rurais, submergindo ruas, arrastando veículos e causando danos extensos a residências, principalmente nas comunidades ao norte de Honolulu. A magnitude da destruição levou o governo local a estimar que os prejuízos podem ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão, evidenciando a escala do desastre. As equipes da Guarda Nacional e do Corpo de Bombebeiros foram rapidamente mobilizadas, realizando salvamentos por terra e ar para alcançar moradores isolados.
Entre os resgatados, destaca-se um grupo de 72 pessoas, incluindo crianças, que ficou ilhado em um acampamento após as vias de acesso serem completamente bloqueadas pela água. Embora o balanço total de casas danificadas ainda esteja sendo apurado, as autoridades preveem que centenas de propriedades foram afetadas. O prefeito de Honolulu, Rick Blangiardi, descreveu os danos iniciais como “catastróficos”, sublinhando a gravidade da situação.
Barragem de Wahiawa: Uma Ameaça Subterrânea
A mais grave das preocupações reside na barragem de Wahiawa, uma estrutura de 1906 localizada na costa norte de Oahu. Com mais de um século de existência, a barragem foi classificada como de alto risco e já havia sido alvo de alertas de segurança em anos anteriores. A rápida elevação do nível da água em menos de 24 horas, chegando perigosamente próximo à sua capacidade máxima, levou as autoridades a acionarem sirenes de emergência e a ordenarem a evacuação de cerca de 5.500 pessoas que residem em áreas abaixo da estrutura.
Mesmo com um leve recuo no volume de água da barragem, o risco de rompimento ainda é considerado iminente, especialmente se as chuvas persistirem. Uma eventual ruptura da barragem de Wahiawa poderia resultar em uma perda significativa de vidas, conforme alertam as autoridades. A fragilidade da estrutura diante do volume excepcional de água sublinha a urgência das medidas preventivas e a complexidade da gestão de infraestruturas antigas em um cenário de eventos climáticos extremos.
Desafios dos Resgates e o Cenário Pós-Desastre Imediato
A complexidade das operações de resgate foi exacerbada por fatores inesperados. O uso não autorizado de drones por civis, por exemplo, interferiu nas buscas aéreas essenciais, adicionando uma camada de dificuldade às já desafiadoras condições. Apesar da intensidade das enchentes e da urgência das evacuações, o Havaí não registrou mortes ou desaparecidos até o momento, um alívio em meio à catástrofe. No entanto, cerca de dez pessoas precisaram de atendimento hospitalar por casos de hipotermia, destacando os riscos à saúde enfrentados pelos afetados.
Alerta Contínuo e as Implicações das Mudanças Climáticas
O estado do Havaí permanece sob alerta de inundação, com a previsão de novas chuvas para os próximos dias, o que mantém a apreensão sobre a recuperação das áreas afetadas. Em algumas regiões, o volume pluviométrico atingiu entre 20 e 30 centímetros em poucas horas, e áreas mais elevadas registraram quase 40 centímetros. A situação crítica não se limita a Oahu; em Maui, alertas de evacuação preventiva também foram emitidos após os reservatórios locais alcançarem sua capacidade máxima, revelando a extensão do fenômeno. O governador Josh Green expressou a incerteza do momento, afirmando que seria “um dia muito incerto”.
Especialistas apontam que a intensidade das chuvas está ligada a sistemas meteorológicos conhecidos como “baixas de Kona”, tempestades que trazem grande volume de umidade para o arquipélago. Cientistas alertam que eventos desse tipo têm se tornado mais frequentes e severos, um sintoma do aquecimento global impulsionado pela atividade humana. Este cenário levanta questões cruciais sobre a resiliência da infraestrutura e a preparação para futuros eventos climáticos em um mundo em constante mudança.
À medida que as águas começam a recuar em algumas áreas, o Havaí se prepara para um longo e custoso processo de recuperação. A combinação de um evento climático extremo com a vulnerabilidade de uma infraestrutura centenária serve como um lembrete contundente dos desafios que as comunidades costeiras enfrentam diante das crescentes ameaças climáticas.
Fonte: https://g1.globo.com


















