Hospital metropolitano avalia romper contrato após denúncias de laudos com erros

A direção do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, localizado em Santa Rita, na Grande João Pessoa, está avaliando a não renovação de contrato com uma empresa de São Paulo. Esta empresa é responsável por uma parte significativa da realização de exames de imagem na unidade, e a decisão surge após denúncias de erros recorrentes nos laudos, levantadas por profissionais de saúde do próprio hospital.

A situação tem gerado preocupação, especialmente considerando o papel do hospital como referência em cardiologia e neurologia na Paraíba, onde realiza diariamente uma vasta gama de exames. A potencial interrupção do contrato reflete a seriedade das inconsistências apontadas, que podem ter implicações diretas na precisão dos diagnósticos e, consequentemente, na segurança dos pacientes.

A origem das denúncias e a mudança no sistema de laudos

As primeiras denúncias sobre os erros nos laudos começaram a surgir em outubro do ano passado, marcando um período de transição na forma como os exames de imagem eram processados. Anteriormente, a responsabilidade pela emissão dos laudos era dos radiologistas da própria unidade. No entanto, após uma mudança na gestão, uma empresa externa de São Paulo assumiu essa função.

O contrato vigente com a empresa em questão está previsto para terminar em abril. Diante do cenário de irregularidades, uma audiência com a participação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) foi agendada, e a questão da renovação contratual será um dos pontos centrais da pauta. A discussão visa encontrar soluções que garantam a qualidade e a segurança dos serviços prestados aos pacientes.

Apuração interna e o envolvimento de órgãos de fiscalização

A direção do Hospital Metropolitano iniciou uma apuração interna detalhada em 10 de fevereiro, logo após ser informada pela Coordenação Médica da UTI Cardiológica sobre as inconsistências. Essa investigação confirmou a existência de falhas nos laudos de exames de radiologia emitidos pela empresa terceirizada. Em resposta, a administração do hospital notificou a empresa, que, por sua vez, afastou os integrantes da equipe médica envolvidos nos casos.

Em paralelo às ações da empresa, o próprio hospital abriu uma sindicância para aprofundar a investigação sobre os erros. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também se mobilizou, realizando uma inspeção nas instalações do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) e no setor de radiologia do hospital em 4 de março. O MPPB continua acompanhando o desdobramento do caso, assim como o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e o Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), que também abriram sindicâncias e acompanham a situação após serem procurados por médicos da unidade.

A gravidade dos erros e o risco iminente aos pacientes

Uma carta interna, à qual veículos de comunicação tiveram acesso, revela a preocupação dos profissionais de saúde da unidade. No documento, eles alertam que os laudos com erros são “reiterados” e “carecem de descrição técnica pormenorizada dos achados tomográficos, apresentando-se de forma excessivamente sucinta e, por vezes, limitadas a conclusões genéricas”.

Um profissional de saúde, que preferiu não se identificar, exemplificou a gravidade da situação ao mencionar um caso de aneurisma. Segundo ele, uma imagem mostrava um aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões, mas o laudo ignorava completamente esse diagnóstico. “É uma emergência médica que pode ter consequências catastróficas para o paciente, pode causar morte desse paciente em pouco tempo”, alertou o profissional, sublinhando o perigo que tais falhas representam para a vida dos pacientes.

A defesa do modelo de gestão e a visão da administração hospitalar

Em resposta às alegações, a fundação PB Saúde, que administra o Hospital Metropolitano, informou que a unidade “conta com uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis pela emissão de laudos de Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias”. Este modelo, segundo a administração, foi adotado para “garantir agilidade na liberação dos resultados, atendimento contínuo à população e suporte especializado às equipes médicas”.

Sobre as alegações de erros, a PB Saúde defendeu que “divergências de interpretação podem ocorrer na prática médica, especialmente em exames de alta complexidade. A elaboração do laudo é um ato médico técnico, baseado em critérios científicos e de responsabilidade do profissional que o assina”. A fundação também ressaltou que a “conduta clínica, por sua vez, é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente que inclui exame físico, histórico e demais informações clínicas, além do laudo de imagem”, e que “o laudo é um componente essencial do processo diagnóstico, mas não constitui, por si só, o único determinante da estratégia terapêutica”. Para mais informações sobre gestão em saúde, consulte o site do Ministério da Saúde.

Fonte: g1.globo.com

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