O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não compareceu para depor nesta terça-feira (7) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado. Esta foi a terceira vez que o político se ausentou de uma sessão da comissão, sendo que nas duas primeiras ele havia sido convidado. Diante das ausências anteriores, o colegiado havia aprovado sua convocação, tornando o comparecimento obrigatório.
Apesar da convocação formal, Ibaneis Rocha obteve do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma autorização para não comparecer à reunião. A decisão judicial foi publicada na última quinta-feira (2), gerando um novo capítulo na relação entre o Poder Judiciário e as comissões de inquérito parlamentares.
Ausência de Ibaneis Rocha e o amparo judicial
A convocação do ex-governador Ibaneis Rocha pela CPMI do Crime Organizado havia sido solicitada em 31 de maio, por meio de requerimento do relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O objetivo era que Rocha prestasse esclarecimentos sobre importantes negociações envolvendo o banco estatal do Distrito Federal, o BRB, e a tentativa de compra do Banco Master.
A decisão do ministro André Mendonça de autorizar a ausência de Ibaneis Rocha levanta discussões sobre os limites da atuação do STF em relação aos trabalhos investigativos do Congresso Nacional. Embora decisões judiciais devam ser cumpridas, a recorrência de liminares que desobrigam depoentes de comparecerem a comissões parlamentares tem sido alvo de críticas por parte dos membros do Legislativo, que veem seus poderes de investigação sendo cerceados.
O caso Banco Master e as suspeitas de fraude
O foco da CPMI do Crime Organizado na figura de Ibaneis Rocha está diretamente ligado às negociações do Banco de Brasília (BRB) para adquirir o Banco Master. Esse negócio, no entanto, foi impedido pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação do Banco Master e encaminhou as suspeitas de fraudes no sistema financeiro à Polícia Federal. A comissão busca entender o papel do ex-governador e as possíveis implicações dessas transações no contexto do crime organizado.
A investigação sobre o Banco Master e suas supostas irregularidades é um ponto crucial para a CPMI, que tem como missão apurar esquemas criminosos que afetam a economia e a estrutura do Estado. A ausência de Ibaneis Rocha impede que a comissão obtenha informações diretas sobre um período crítico de sua gestão, quando as negociações com o Banco Master estavam em andamento.
Críticas do presidente da CPMI ao Supremo Tribunal Federal
Na abertura dos trabalhos da CPMI, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), expressou sua insatisfação com as recentes decisões do STF que, segundo ele, têm inviabilizado as investigações parlamentares. Contarato fez um discurso contundente, destacando uma suposta desigualdade na aplicação da lei no Brasil.
“Todos somos iguais perante a lei, independentemente de raça, cor, etnia, religião, origem, orientação sexual. Só que, no Brasil, uns são mais iguais que outros”, afirmou o senador. Ele criticou a agilidade da justiça em casos envolvendo “pobre e preto”, em contraste com a lentidão ou as decisões favoráveis a investigados em “crimes de colarinho branco, crimes de sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, crimes envolvendo agentes políticos, crimes envolvendo outros agentes de outros poderes”.
Contarato enfatizou que, embora a comissão vá se curvar às decisões judiciais, a advocacia do Senado está recorrendo de todas as medidas que, em sua avaliação, impedem o avanço das apurações. “A população tem que entender que a CPMI está tentando, e tentando com toda a isenção e responsabilidade, tanto da parte do relator quanto da minha parte, enquanto presidente, que a gente apure. Ninguém está acima da lei”, declarou, classificando as decisões como “não razoáveis”.
Desafios e o futuro das investigações parlamentares
A situação envolvendo a ausência de Ibaneis Rocha e as críticas do senador Contarato ao STF ilustram os desafios enfrentados pelas comissões parlamentares de inquérito no Brasil. A tensão entre os poderes Legislativo e Judiciário, especialmente em investigações de grande repercussão, é um tema recorrente na política nacional. A capacidade das CPMIs de cumprir seu papel de fiscalização e apuração depende, em grande parte, da cooperação e do respeito mútuo entre as instituições.
A população brasileira, por sua vez, acompanha de perto esses embates, esperando que a verdade seja apurada e que a justiça seja feita, independentemente dos cargos ou do poder dos envolvidos. O desfecho dos recursos apresentados pela advocacia do Senado e as próximas ações da CPMI serão cruciais para determinar o andamento das investigações e a efetividade do trabalho parlamentar. Para se manter informado sobre este e outros desdobramentos importantes, continue acompanhando o PB em Rede, seu portal de notícias com informação relevante, atual e contextualizada.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



















