A cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, foi palco de uma tragédia que resultou na morte da servidora pública Raíssa Bezerra e Silva, de 44 anos, e na intoxicação de mais de 100 pessoas, todas após consumirem alimentos em uma pizzaria local. O caso chocou a comunidade e deixou familiares em busca de respostas, especialmente o namorado de Raíssa, André Marreiro, de 39 anos, que também foi uma das vítimas, mas sobreviveu.
André Marreiro, que namorava Raíssa há oito meses, expressa a profunda dor da perda e a incompreensão diante do ocorrido. "É muito difícil de aceitar que eu perdi Raíssa por causa de uma fatia de pizza", desabafou, ecoando o desejo de toda a família por clareza sobre as causas do incidente.
A Noite que Virou Pesadelo: O Último Jantar
O fatídico domingo, 15 de outubro, começou como uma noite comum para André e Raíssa. O casal decidiu experimentar uma nova pizzaria, onde pediram uma pizza com sabores de calabresa e carne de sol na nata. Após a refeição, por volta das 22h30, André deixou Raíssa em casa e seguiu para a sua. Em apenas 15 minutos, os primeiros sintomas de intoxicação começaram a se manifestar em André, com calafrios, náuseas e vômitos.
Pouco depois, uma mensagem da irmã de Raíssa confirmava que ela também estava passando mal. André prontamente buscou a namorada e a levou ao Hospital Regional de Pombal. A cena no pronto-socorro era desoladora, descrita por ele como "uma guerra", com dezenas de pessoas chegando a todo instante com os mesmos sintomas, evidenciando a dimensão do surto.
Agravamento Repentino e a Luta Inesperada pela Vida
Após receberem medicação e apresentarem uma melhora inicial, o casal foi liberado. Contudo, a manhã seguinte trouxe uma piora significativa para ambos, exigindo um retorno imediato ao hospital. Desta vez, foram internados na mesma enfermaria para receber tratamento intravenoso. Enquanto André mostrava sinais de recuperação, o quadro de Raíssa deteriorava-se rapidamente.
Um médico de plantão, ao observar a desidratação severa, alterações nos batimentos cardíacos e saturação de oxigênio instável de Raíssa, determinou sua transferência urgente para a ala vermelha. André, já com alta médica, permaneceu no hospital para acompanhar a namorada. A progressão da doença foi vertiginosa: Raíssa foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na tarde da segunda-feira, 16. Ali, André a viu pela última vez, descrevendo um aperto forte em sua mão, como um pedido de socorro.
Na noite do mesmo dia, Raíssa sofreu falência renal e precisou ser intubada. O desfecho trágico ocorreu na manhã de terça-feira, 17 de outubro, por volta das 8h50, quando a servidora pública faleceu. A notícia abalou profundamente a família e André, que esperavam a recuperação. Raíssa Bezerra e Silva foi sepultada na manhã da quarta-feira, 18, em Pombal.
O Clamor por Respostas e a Dor da Perda
Ainda em luto, André Marreiro e a família de Raíssa buscam incessantemente entender o que provocou a morte da mulher. A incredulidade é ainda maior diante do histórico de saúde de Raíssa, que não apresentava nenhuma doença preexistente conhecida. André relata que exames recentes, incluindo endoscopia e análises de sangue, indicavam um quadro de saúde perfeito, tornando a fatalidade ainda mais inexplicável.
Os planos de casamento, interrompidos abruptamente pela tragédia, agora cedem lugar à necessidade de justiça e clareza. André ressalta que não cabe a ele condenar a pizzaria, mas a ele e à família o que importa é obter respostas concretas sobre as circunstâncias que levaram à perda de Raíssa, uma vida saudável e cheia de planos.
Investigação Policial em Andamento
A Polícia Civil de Pombal, por meio do delegado Rodrigo Barbosa, instaurou um inquérito para investigar os crimes relacionados ao surto de intoxicação alimentar e à morte de Raíssa Bezerra. A apuração inicial foca em homicídio culposo, que se configura quando não há intenção de matar. Além disso, outros aspectos da intoxicação em massa também são considerados.
Para elucidar o caso, foram coletadas amostras do corpo de Raíssa para um exame toxicológico, bem como amostras dos alimentos consumidos e das pizzas da pizzaria em questão. A expectativa é que os resultados dessas análises sejam divulgados em aproximadamente duas semanas, oferecendo subsídios cruciais para a investigação. Até o momento, a polícia considera improvável a hipótese de envenenamento intencional, focando em contaminação acidental ou falhas nos processos de manipulação de alimentos.
Enquanto as investigações avançam, a comunidade de Pombal e os familiares aguardam ansiosamente por respostas que possam trazer algum consolo e justiça diante da dimensão da tragédia que ceifou uma vida e deixou tantas outras marcadas pela doença.
Fonte: https://g1.globo.com
















