A Polícia Civil da Paraíba, em uma operação conjunta de grande envergadura, anunciou a prisão de Jamilton Alves Franco, conhecido como "Chocô", apontado como o principal fornecedor de cocaína e maconha para o estado da Paraíba e regiões vizinhas. A captura ocorreu em um condomínio de luxo em Hortolândia, no interior de São Paulo, revelando não apenas a extensão de sua rede criminosa, mas também um estilo de vida de ostentação e conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Ascensão e os Laços com o Crime Organizado
Natural de Cajazeiras, na Paraíba, Jamilton Alves Franco mudou-se para São Paulo ainda jovem. Sua trajetória criminal no Sudeste, conforme investigações da Polícia Civil, foi crucial para sua consolidação no universo do tráfico de drogas. Durante passagens pelo sistema prisional paulista, Chocô estabeleceu vínculos estratégicos com membros do PCC, uma aliança que, segundo a polícia, foi fundamental para o fortalecimento e expansão de sua rede de distribuição de entorpecentes.
Essa rede de contatos, forjada em prisões paulistas, permitiu-lhe ascender rapidamente e controlar o envio de vastos carregamentos de cocaína e maconha, não apenas para a Paraíba, mas também para áreas limítrofes em Pernambuco e no Ceará. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) estima que Jamilton comandava esse esquema por, no mínimo, uma década, utilizando essa logística para se tornar um ponto estratégico central na distribuição de drogas para a região Nordeste.
A Sofisticada Rota do Narcotráfico
A complexidade da operação liderada por Chocô se estendia desde a aquisição da droga até sua distribuição final. As investigações do delegado Diego Beltrão, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, detalharam um sofisticado modus operandi: as substâncias entorpecentes eram adquiridas em países como Paraguai e Bolívia, e então transportadas para o estado de São Paulo, muitas vezes via o Aeroporto de Guarulhos. A etapa final da logística envolvia o disfarce das cargas, com as drogas sendo despachadas por meio de carretas que transportavam mercadorias lícitas, garantindo o transporte seguro até os destinos finais no Nordeste.
Ostentação e Luxo: O Outro Lado da Atividade Criminosa
A prisão de Jamilton Alves Franco na Operação Argos revelou um contraste gritante entre a natureza ilícita de suas atividades e o estilo de vida que mantinha. Vivendo em uma mansão de alto padrão em Hortolândia, Chocô exibia uma fortuna construída sobre o tráfico. No momento da prisão, foram encontrados e apreendidos diversos itens de luxo que corroboram essa imagem, como um relógio Rolex, joias personalizadas com suas iniciais, anéis e correntes valiosas. A propriedade em si era um reflexo de sua riqueza, com um imponente lustre no hall de entrada e uma Land Rover Evoque 2023 estacionada na garagem, além de valores em dinheiro.
A Estrutura Hierarquizada da Organização Criminosa
As apurações da Operação Argos desvendaram uma intrincada estrutura hierárquica por trás do império de Chocô. A organização criminosa operava em três frentes bem definidas para gerenciar o tráfico interestadual e a lavagem de dinheiro em escala industrial. O <b>Núcleo Gerencial</b>, sediado em São Paulo, era responsável pelas decisões estratégicas de logística e finanças. Paralelamente, o <b>Núcleo Operacional da Paraíba</b> contava com células regionais distribuídas em cidades-chave como João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras, garantindo a capilaridade da distribuição. Por fim, um robusto <b>Sistema de Lavagem de Dinheiro</b> era empregado para ocultar e integrar os lucros ilícitos à economia formal, utilizando o núcleo familiar de Chocô, 'laranjas', empresas de fachada e contas fantasma.
O Impacto da Operação Argos: Descapitalização e Alcance
A Operação Argos, que culminou na prisão de Jamilton Alves Franco, representou um golpe significativo contra o crime organizado, com um alcance que ultrapassou as fronteiras estaduais. No total, a força-tarefa cumpriu 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades, distribuídas por quatro estados brasileiros: Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. O impacto financeiro da operação foi substancial, com a determinação do bloqueio de mais de R$ 104,8 milhões em bens. Além disso, foram sequestrados 13 imóveis de alto padrão e apreendidos 40 veículos, incluindo automóveis de luxo que pertenciam ao grupo criminoso, desmantelando não apenas a liderança, mas também a infraestrutura material que sustentava o esquema.
A prisão de 'Chocô' e o desmonte de sua organização, orquestrados pela Operação Argos, representam um marco importante no combate ao tráfico de drogas no Nordeste e à atuação de facções criminosas como o PCC. A ação demonstra a capacidade das forças de segurança em desarticular redes complexas de narcotráfico e lavagem de dinheiro, cortando as ramificações que sustentam a criminalidade organizada e impactam diretamente a segurança pública e a economia formal.
Fonte: https://g1.globo.com















