Lula critica guerra no Irã e desmente pretexto de armas nucleares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à intervenção dos Estados Unidos e de Israel no Irã, classificando o conflito como “desnecessário” e fundamentado em uma “mentira”. A declaração foi dada nesta quarta-feira (1º) em Fortaleza, durante uma entrevista ao vivo à TV Cidade, onde o presidente questionou a justificativa de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares.

Para Lula, a alegação sobre o programa nuclear iraniano é falsa, baseando-se em sua experiência diplomática anterior com o país. O posicionamento do chefe de Estado brasileiro reacende o debate sobre a complexidade das relações internacionais e a busca por soluções pacíficas em meio a tensões geopolíticas.

A contundente crítica de Lula ao conflito no Oriente Médio

Em sua fala, o presidente Lula foi enfático ao abordar a situação no Irã. Ele declarou que os Estados Unidos se envolveram em uma guerra que considera sem necessidade, utilizando como pretexto a suposta fabricação ou tentativa de fabricação de armas nucleares por parte da nação persa. “Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira”, afirmou Lula.

A declaração sublinha uma postura crítica à intervenção militar e à retórica que a sustenta, ecoando um histórico de defesa do multilateralismo e da diplomacia por parte do Brasil em questões internacionais. A visão de Lula sugere que as divergências políticas não deveriam escalar para um conflito armado, especialmente quando as justificativas apresentadas são questionáveis.

O acordo de 2010 e a busca por fins pacíficos

Para fundamentar sua posição, Lula relembrou sua visita ao Irã em 2010, no último ano de seu segundo mandato, quando buscou costurar um acordo sobre o enriquecimento de urânio. Na ocasião, o Brasil, em conjunto com a Turquia, propôs um plano para que o Irã pudesse enriquecer urânio para fins energéticos e não militares, utilizando métodos semelhantes aos empregados pelo Brasil, que tem em sua Constituição o uso exclusivo da energia nuclear para fins pacíficos.

“Eu digo que é mentira porque eu fui, em 2010, ao Irã, fazer um acordo. E fizemos um acordo que, depois, os EUA não aceitaram nem a União Europeia”, explicou o presidente. Ele reforçou que, em sua percepção, “não tem arma nuclear lá”, e que a falta de apoio do governo dos EUA, então sob a gestão de Barack Obama, foi um fator determinante para o fracasso da iniciativa diplomática. Lula ainda destacou a importância cultural e demográfica do Irã, um país com quase 100 milhões de habitantes e uma civilização milenar, que não deveria ser reduzido a um cenário de guerra.

Um mês de guerra e os impactos globais

Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, em 2026-04, sem uma perspectiva clara para o fim do conflito. A escalada da violência resultou na morte de importantes autoridades persas, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei, conforme reportado pela mídia estatal.

Um dos desdobramentos mais críticos da guerra foi o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica controlada pelo Irã, por onde circula aproximadamente 20% dos carregamentos de petróleo do mercado internacional. Essa interrupção provocou um aumento de cerca de 50% no preço do barril de petróleo, gerando instabilidade econômica global. Além dos impactos financeiros, pesquisadores já alertam para os riscos ambientais e climáticos associados à continuidade do conflito.

A preocupação com o preço do diesel no Brasil

Em um contexto doméstico, o presidente Lula também manifestou grande preocupação com a escalada no preço do óleo diesel no Brasil. O país depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, tornando-o vulnerável à volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional. O diesel é um combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas, impactando diretamente as cadeias produtivas de alimentos e diversos produtos.

A alta nos custos do diesel tem repercussões diretas na inflação e no poder de compra da população. Lula enfatizou que o governo está monitorando a situação para identificar e combater aumentos abusivos, garantindo que as medidas necessárias sejam tomadas para proteger o consumidor e a economia nacional.

Ações governamentais para conter a alta do combustível

Diante do cenário de alta, o governo federal tem agido para conter o encarecimento do diesel. Lula reforçou que uma fiscalização rigorosa está em curso, envolvendo a Polícia Federal e os Procons estaduais, com a determinação de punir quem praticar abusos. “Nós estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia. [A fiscalização] está ativa, minha ordem é para estrada, posto de gasolina”, declarou o presidente.

Ele também fez uma comparação com o período anterior à privatização da BR Distribuidora, no governo Bolsonaro, observando que, quando a Petrobras baixava o preço, a redução não chegava efetivamente às bombas. A expectativa do governo é publicar, ainda nesta semana, uma Medida Provisória (MP) que criará um subsídio ao diesel importado, oferecendo um desconto de R$ 1,20 por litro. O ministro Dario Durigan confirmou, nesta terça-feira (31) de 2026-03, que a proposta prevê um custo total de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, a ser dividido igualmente entre a União e os estados, com cerca de 80% dos estados já indicando adesão. A iniciativa visa conter a alta dos combustíveis e evitar riscos de desabastecimento, dada a defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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