A tranquilidade de João Pessoa, na Paraíba, foi palco de uma série de eventos chocantes que resultaram na morte da médica francesa aposentada Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, e de seu namorado, Altamiro Rocha. O caso, que teve início com a descoberta do corpo carbonizado da idosa dentro de uma mala, rapidamente evoluiu para uma complexa investigação que incluiu a identificação do agressor e a subsequente localização do seu corpo, decapitado e com as mãos amarradas, um dia após o crime. Diante da gravidade e da nacionalidade da vítima, o Consulado da França no Brasil foi prontamente acionado pela Polícia Civil paraibense para auxiliar na localização da família de Chantal e nos procedimentos necessários.
A Complexa Teia do Feminicídio e a Morte do Suspeito
As investigações da Polícia Civil da Paraíba rapidamente apontaram Altamiro Rocha, namorado da vítima, como o responsável pelo feminicídio. Imagens de circuitos de segurança revelaram Altamiro deixando o apartamento que dividia com Chantal, no bairro de Manaíra, carregando uma mala onde o corpo da médica estava oculto. Evidências periciais confirmaram a presença de sangue no apartamento da vítima, reforçando a dinâmica do crime. A Polícia apurou que o relacionamento entre Chantal, que vivia no Brasil desde sua aposentadoria e desde a pandemia, e Altamiro era marcado por conflitos, principalmente relacionados ao uso de drogas por parte dele, algo que a médica não aceitava. Discussões foram relatadas por vizinhos, embora não fossem consideradas constantes. Para ocultar o corpo, Altamiro teria contratado um homem em situação de rua, oferecendo-lhe drogas para que ateasse fogo à mala. Este indivíduo já foi identificado pela polícia, mas ainda não foi localizado para depoimento, embora não seja considerado participante direto na morte, eximindo-o de responsabilidade criminal pelo homicídio.
O enredo ganhou contornos ainda mais dramáticos quando Altamiro Rocha foi encontrado morto um dia após a localização do corpo de Chantal. Seu corpo foi descoberto decapitado e com as mãos amarradas, no bairro João Agripino, na última quinta-feira (12). A Polícia Civil levanta a hipótese de que a morte de Altamiro pode estar ligada à atuação de facções criminosas, que poderiam não ter aprovado a atenção policial que o crime de feminicídio atraiu para a região de Manaíra. Até o momento, não houve prisões relacionadas à morte de Altamiro. Enquanto o caso de Chantal é tratado como elucidado, um inquérito separado segue em curso para investigar as circunstâncias da morte do namorado.
Apoio Consular e os Próximos Passos para a Família da Vítima
Com a identificação da médica francesa Chantal Etiennette Dechaume, a Polícia Civil da Paraíba acionou o Consulado da França no Brasil. O objetivo é estabelecer contato com os familiares da idosa para informá-los sobre a trágica notícia e coordenar os procedimentos subsequentes. Segundo informações do delegado Thiago Cavalcanti, responsável pelo caso, o consulado já foi comunicado e informou que, após a localização dos familiares, será necessário que eles formalizem a contratação de um advogado para dar entrada no processo específico de traslado do corpo para a França. Atualmente, o corpo de Chantal encontra-se no Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), onde passa por exames adicionais e aguarda a liberação, que dependerá da formalização dos trâmites pelos seus parentes.
Cronologia dos Eventos que Culminaram na Tragédia
A investigação da Polícia Civil reconstituiu detalhadamente os últimos dias de Chantal Etiennette e as ações de Altamiro Rocha, baseando-se em imagens de segurança. A médica foi vista pela última vez saindo e retornando ao seu apartamento no sábado, 7 de março. Após seu retorno às 18h30, ela não foi mais vista em público. Na segunda-feira, 9 de março, Altamiro foi flagrado saindo do apartamento às 22h, retornando 16 minutos depois com um galão de álcool. A etapa crucial ocorreu na terça-feira, 10 de março, quando, às 22h06, Altamiro deixou o apartamento carregando a mala com o corpo da vítima. Às 22h36, ele foi registrado deixando a mala na calçada e, às 23h04, retornou ao apartamento apenas com o carrinho usado para transportar o objeto. Por fim, na quarta-feira, 11 de março, às 01h50, ele foi visto retornando ao local onde havia deixado a mala, desta vez com o galão de álcool, momento em que se acredita ter instruído o homem em situação de rua a incendiar o corpo.
Desdobramentos e Busca por Respostas
O desfecho chocante da morte de Altamiro Rocha adiciona uma camada de complexidade ao já trágico caso de Chantal Etiennette Dechaume. Enquanto a Polícia Civil considera o feminicídio da médica elucidado, o mistério em torno da decapitação do namorado permanece sob intensa investigação. A aguardada chegada dos familiares de Chantal e a conclusão dos trâmites de repatriação marcam os próximos passos desta dolorosa saga, que continua a mobilizar as autoridades e a sociedade local.
Fonte: https://g1.globo.com


















