A cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, vivenciou momentos de profunda consternação nesta quarta-feira (18) com o sepultamento de Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. A servidora pública faleceu após uma suspeita de intoxicação alimentar, desencadeada pelo consumo de uma pizza. O trágico evento não se restringiu à Raíssa; o caso ganhou proporções alarmantes ao envolver mais de uma centena de pessoas que procuraram atendimento médico com sintomas semelhantes após frequentarem o mesmo estabelecimento.
Última Despedida e Perfil de Raíssa Maritein
O velório de Raíssa Maritein teve início na terça-feira (17), às 18h, no Auditório da Unidade Básica de Saúde (UBS) Solar das Oiticicas, em Pombal, e contou com uma missa de corpo presente às 22h. O sepultamento ocorreu na manhã seguinte, quarta-feira (18), às 10h, no Cemitério São Francisco. Familiares e amigos se reuniram para a última homenagem a uma mulher descrita como alegre, simples e acolhedora.
Raíssa era engenheira agrônoma e dedicava sua vida profissional à prefeitura de Pombal, atuando na Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Sem filhos e não casada, ela mantinha um relacionamento amoroso há cerca de um ano e, na fatídica noite de domingo (15), estava com o namorado na pizzaria para comer uma pizza de carne de sol.
A Cronologia da Tragédia e a Ampla Atingência
O quadro de saúde de Raíssa deteriorou-se rapidamente após a refeição. Ela foi internada no Hospital Regional na segunda-feira (16), vindo a óbito na manhã de terça-feira (17) devido à suspeita de intoxicação alimentar. O namorado da vítima também buscou atendimento médico após o consumo do alimento, mas, felizmente, não enfrentou complicações graves em sua saúde.
A dimensão do incidente expandiu-se drasticamente. Paralelamente ao caso de Raíssa, 118 outras pessoas buscaram assistência médica, apresentando sintomas de mal-estar e intoxicação, todos relacionados ao consumo de alimentos no mesmo estabelecimento. Diante da gravidade da situação, a Polícia Civil prontamente instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias e apurar eventuais responsabilidades.
Dono da Pizzaria se Pronuncia em Meio às Investigações
Marcos Antônio, de 24 anos, proprietário da pizzaria em questão, pronunciou-se pela primeira vez sobre o caso. Em um vídeo divulgado, ele expressou seu profundo lamento pela morte de Raíssa e pelos transtornos causados às mais de cem pessoas que necessitaram de atendimento médico. O jovem empresário garantiu estar colaborando integralmente com as investigações e afirmou não compreender o que possa ter ocorrido com os alimentos em seu estabelecimento.
Ele enfatizou que jamais teria a intenção de prejudicar seus clientes, ressaltando que o comércio representa sua vida e o sustento de seus seis anos de dedicação. A advogada que o representa, Raquel Dantas, corroborou a disposição de Marcos Antônio em colaborar, mencionando que uma inspeção inicial não encontrou produtos fora da validade ou estragados, e que a causa poderia, eventualmente, ser alguma bactéria não visível a olho nu. Ele disse estar fornecendo amostras para a Vigilância Sanitária e informações para a Polícia Civil e prefeitura, em busca da verdade.
Interdição e Problemas Encontrados pela Vigilância Sanitária
Em resposta ao surto de intoxicação, a Vigilância Sanitária Municipal agiu rapidamente, interditando o estabelecimento. A Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa-PB) também realizou uma inspeção detalhada na pizzaria. Durante a vistoria, foram identificados diversos problemas sanitários, incluindo a presença de pragas e insetos, além de falhas no acondicionamento adequado dos alimentos. Essas descobertas adicionam complexidade à busca por respostas sobre a origem da contaminação.
As autoridades continuam empenhadas em desvendar as causas exatas do surto e determinar as responsabilidades, garantindo que medidas sejam tomadas para prevenir futuras ocorrências e assegurar a segurança alimentar da população.
Fonte: https://g1.globo.com


















