O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) afirmou, nesta sexta-feira (20), que não houve erro por parte da instituição no caso do paraibano que ficou preso por engano no lugar de um homem condenado por roubo qualificado pela Justiça potiguar. Segundo o órgão, os dados usados no processo foram informados pelo próprio autor do crime, em 2021, no momento em que foi preso em flagrante e interrogado.
Em nota enviada ao g1, o MPRN explicou que o acusado se identificou voluntariamente como José Wellington Alves de Lima e forneceu dados pessoais que foram registrados pela polícia e usados como base para a denúncia apresentada à Justiça.
O MPRN ainda afirmou que, em 2021, o homem declarou estar em situação de rua e disse não possuir documentos de identificação. Por isso, o sistema de Justiça considerou apenas as informações prestadas verbalmente, sob compromisso legal. A divergência de dados, segundo o órgão, teve origem nessa autodeclaração. O MPRN não informou em que momento e circunstância o acusado foi considerado foragido.
Paraibano preso por engano vai pedir indenização de até R$ 70 mil
O paraibano José Wellington Alves de Lima, que ficou três dias preso após ser confundido com um homem condenado por roubo qualificado, vai entrar na Justiça com um pedido de indenização por danos morais de até R$ 70 mil contra o estado do Rio Grande do Norte. As informações foram confirmadas ao g1 pela defesa dele.
A ação será baseada no mandado de prisão expedido com os dados pessoais de José Wellington, embora os crimes tenham sido cometidos por um homônimo que segue foragido.
A defesa afirma que José Wellington nunca teve passagens pela polícia e que a prisão indevida causou prejuízos que precisam ser reparados.
O g1 entrou em contato com a Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Norte, que responde por ações contra o estado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Um vídeo feito por familiares do paraibano preso por engano, no dia 9 de fevereiro, quando José Wellington saiu da prisão, mostra ele sendo ovacionado pelos amigos que estavam presentes na saída da Cadeia Pública de Itabaiana, no Agreste da Paraíba, para onde ele foi transferido após passar por audiência de custódia, em João Pessoa.
“Só pensava na minha família e nos meus filhos”, diz paraibano

Em entrevista para a TV Cabo Branco, José Wellington disse que no período em que ficou preso, ele só pensava na família e nos filhos, e eventuais desdobramentos nos dois trabalhos que ele tem. Tanto no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) quanto em um lava-jato próprio.
“Só pensava na minha família, nos meus filhos, em como eu vou pagar por uma pena, por um crime que não cometi? Pensava nisso também, como que iria ficar minha vida, meu trabalho? Eu trabalho como vigilante no Samu e também tenho um lava-jato. Como iria ficar? Como iria ficar minha casa? Quem iria fazer as coisas?”, disse.
José Wellington tem filhos e é casado, e disse que a família foi o pilar para conseguir passar por aquele momento. Quando ele saiu da prisão, foi recebido com festa por amigos e parentes. O primo dele, Wanderson Rodrigues, explicou como foi a reação deles quando ele foi preso.
“A gente ficou sem entender, todo mundo se sensibilizou, até na saída dele tinha muita gente. A cidade toda ficou muito feliz com o que aconteceu (a saída). Todo mundo na rua, no Carnaval, passou por a gente dizendo que estava torcendo por ele, porque na verdade não sabemos como aconteceu esse erro”, contou.
Via G1










