A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no campus de Campina Grande, tem sido palco de uma iniciativa pioneira para reverter a sub-representação feminina no campo da computação. O projeto 'Mulheres na Computação', idealizado e liderado pela professora Luciana Gomes, emergiu em 2020 como uma rede vital de apoio e fomento, buscando não apenas acolher alunas dos cursos de tecnologia, mas também projetar a área para a comunidade local e empoderar futuras profissionais.
O que começou com apenas duas estudantes, em um cenário de pandemia, floresceu para se tornar um grupo robusto, com um impacto significativo na trajetória acadêmica e profissional de dezenas de mulheres, desafiando a percepção tradicionalmente masculina do setor e promovendo um ambiente mais inclusivo e propício ao desenvolvimento feminino.
A Gênese de uma Iniciativa Essencial
A inspiração para o 'Mulheres na Computação' nasceu de uma vivência pessoal da professora Luciana Gomes, docente do curso de Ciência da Computação na UEPB. Durante sua própria graduação, Luciana já percebia a escassez de colegas mulheres em turmas de exatas. Anos mais tarde, já como professora, essa realidade persistia, com uma notável desproporção de gênero nas salas de aula de computação – um cenário que reflete uma tendência observada em nível nacional e global. Essa 'inquietação', como ela mesma descreve, foi o catalisador para a criação do projeto, visando ativamente criar espaços mais acolhedores e propícios para a permanência e o florescimento de mulheres na área.
O objetivo central era mitigar os desafios enfrentados pelas estudantes, combatendo o isolamento e a desmotivação, e, em contrapartida, construir uma comunidade que pudesse oferecer suporte mútuo, orientação e oportunidades, incentivando que mais mulheres não apenas ingressassem, mas se destacassem em suas carreiras em tecnologia.
Crescimento e Impacto Interno: Uma Rede de Apoio Sólida
Desde seu lançamento oficial em meio à pandemia de Covid-19, o projeto 'Mulheres na Computação' demonstrou uma capacidade notável de crescimento e consolidação. Atualmente, a iniciativa já abraçou cerca de 90 alunas, que integram um grupo ativo de comunicação via WhatsApp, recebendo uma constante atualização sobre eventos, palestras e oportunidades. Desse contingente, um grupo de 15 a 20 estudantes participa ativamente das atividades mensais, engajando-se em dinâmicas que vão muito além do conteúdo técnico.
Além de promover a permanência no curso, o projeto se tornou um celeiro para o desenvolvimento de habilidades interpessoais e profissionais essenciais. Através das interações e trabalhos em grupo, as alunas aprimoram sua desenvoltura, comunicação e capacidade de colaboração, competências cruciais para o sucesso em um mercado de trabalho ainda predominantemente masculino. Essa abordagem integral visa preparar as participantes não só com conhecimento técnico, mas também com a confiança e a postura necessárias para ocupar posições de destaque na profissão.
Histórias de Sucesso: O Poder da Mentoria e Empoderamento
O impacto transformador do 'Mulheres na Computação' é evidenciado por inúmeras histórias de sucesso, entre elas a de uma ex-aluna natural do interior da Bahia. Inicialmente, a estudante demonstrava grande timidez e incerteza quanto à sua vocação na área da computação. Por dois anos, ela trabalhou diretamente com a professora Luciana no projeto, período em que vivenciou um amadurecimento significativo e desenvolveu habilidades tanto para o mercado de trabalho quanto para a pesquisa acadêmica.
Superando a chamada 'síndrome da impostora' – um sentimento de inadequação comum entre mulheres em tecnologia –, a aluna passou de participante a bolsista de extensão, alcançando o feito de apresentar um trabalho em um dos maiores eventos da área na América Latina. A própria estudante atribui sua evolução e sucesso profissional à experiência e à rede de apoio feminina que encontrou no projeto, que lhe forneceu a base e a força para construir um caminho de conquistas na tecnologia, onde hoje atua profissionalmente e se sente realizada.
Expandindo Horizontes: Inspirando Gerações Futuras
O alcance do projeto 'Mulheres na Computação' transcende os muros da UEPB, atuando como um projeto de extensão universitária que leva suas atividades e mensagem a escolas da comunidade externa. Essa vertente visa desmistificar a área da tecnologia para meninas em idade escolar, apresentando-a como um campo acessível e repleto de possibilidades profissionais para mulheres.
Nesse processo, as próprias alunas da graduação assumem um papel de protagonismo, tornando-se embaixadoras e mentoras. Elas compartilham suas experiências, explicam os desafios e as recompensas da profissão, e servem como modelos inspiradores para as futuras gerações. Essa interação direta não só reforça o poder da tecnologia como ferramenta de transformação social, mas também solidifica o conceito de protagonismo feminino, demonstrando na prática que a tecnologia é um espaço que as mulheres podem e devem ocupar com excelência.
Um Futuro Mais Inclusivo na Tecnologia
O projeto 'Mulheres na Computação' da UEPB exemplifica como a dedicação e a visão de uma professora podem gerar um impacto sistêmico e duradouro. Ao construir uma rede de apoio sólida e proativa, Luciana Gomes não apenas incentiva a participação feminina em uma área crucial para o desenvolvimento contemporâneo, mas também forma líderes e profissionais qualificadas que estão aptas a transformar o panorama tecnológico.
A iniciativa é um testemunho vivo do potencial da universidade como agente de mudança social, que, ao nutrir talentos e empoderar indivíduos, contribui decisivamente para a construção de um futuro mais diverso, equitativo e inovador no setor de tecnologia, onde o protagonismo feminino é cada vez mais reconhecido e valorizado.
Fonte: https://g1.globo.com
















