A cidade de Remígio, na Paraíba, vivenciou um momento de profunda comoção com o sepultamento de Liana Maria, uma bebê de apenas um ano e seis meses, ocorrido no fim da manhã desta segunda-feira. A cerimônia, marcada por forte emoção, reuniu familiares e amigos que acompanharam o cortejo fúnebre até o cemitério local, após o velório realizado na Câmara Municipal da cidade. A morte da criança, que estava internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, levanta sérias questões sobre uma denúncia de suposta negligência médica que teria ocorrido no Hospital da Criança e do Adolescente, na mesma cidade.
Liana Maria permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Trauma de Campina Grande desde a última terça-feira, dia 24, após uma série de eventos que a família descreve como falhas no atendimento. A confirmação de seu falecimento pela unidade de saúde no domingo, dia 29, intensificou a dor e a busca por respostas por parte dos pais e da comunidade.
A jornada hospitalar e a denúncia de negligência
A saga da bebê Liana Maria começou na última sexta-feira, dia 20, quando foi levada ao Hospital da Criança e do Adolescente em Campina Grande com sintomas gripais. Após um primeiro atendimento, a criança recebeu alta e retornou para casa. Contudo, a família relata que a bebê precisou retornar à unidade de saúde, sendo novamente liberada.
Segundo o tio da criança, que também é profissional de saúde, uma médica teria minimizado as preocupações da mãe, alegando que ela estaria “exagerando por ser mãe de primeira viagem”, e prescreveu dipirona antes de conceder a alta. A família afirma que, após voltar para casa, o quadro de Liana Maria piorou, com o surgimento de vômitos e secreção.
Em um novo retorno ao hospital na segunda-feira, dia 23, a bebê não teria sido examinada e recebeu alta com a indicação de lavagem nasal. A situação se agravou drasticamente quando, já em casa, a criança convulsionou. Na madrugada de segunda para terça-feira, dia 24, Liana Maria foi levada novamente ao hospital, sendo encaminhada diretamente para a ala vermelha, indicando a gravidade de seu estado. O tio da menina, com sua experiência na área da saúde, relata ter sugerido uma intervenção que, segundo ele, foi ignorada. Por volta das 5h50 da terça-feira, a criança foi transferida para a UTI e entubada.
Ações das autoridades e a busca por respostas
Diante da gravidade do caso e da denúncia de suposta negligência, a Secretaria de Saúde de Campina Grande emitiu uma nota lamentando a morte da criança. A pasta afirmou estar empenhada na apuração rigorosa dos procedimentos adotados no Hospital da Criança e do Adolescente, buscando esclarecer as circunstâncias que levaram ao trágico desfecho.
Para garantir a transparência e a profundidade da investigação, a Secretaria de Saúde solicitou o apoio técnico do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). A colaboração dessas instituições é fundamental para analisar a conduta médica e os atendimentos realizados nos hospitais envolvidos, assegurando que todas as etapas do processo sejam devidamente verificadas. As apurações em curso têm como objetivo orientar eventuais responsabilizações e promover ajustes necessários nos protocolos de atendimento, visando aprimorar a qualidade e a segurança dos serviços de saúde oferecidos à população.
O impacto na comunidade e a importância da apuração
A morte de Liana Maria e as denúncias de negligência médica reverberaram profundamente na comunidade de Remígio e Campina Grande, gerando um clamor por justiça e por um sistema de saúde mais eficaz e humano. A comoção demonstrada durante o sepultamento reflete a dor coletiva e a preocupação com a segurança dos pacientes, especialmente das crianças.
Casos como este reforçam a importância de uma investigação detalhada e imparcial, que possa identificar falhas e implementar melhorias. A confiança da população nos serviços de saúde depende da garantia de que os profissionais atuam com a devida diligência e que os protocolos são seguidos rigorosamente. A colaboração entre órgãos de saúde e fiscalização é crucial para assegurar que a ética médica e a qualidade do atendimento sejam sempre priorizadas, prevenindo futuras tragédias e protegendo a vida dos cidadãos.
Fonte: g1.globo.com

















