O cenário político paraibano demonstra uma efervescência nas movimentações partidárias, com o período entre as eleições gerais de outubro de 2022 e a mais recente atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em janeiro de 2026, revelando um significativo crescimento no número de filiações para diversas legendas. Este aumento na base de membros é um indicador crucial da vitalidade e do planejamento estratégico dos partidos, especialmente em antecipação aos futuros pleitos. Uma análise aprofundada dos dados do TSE, compilados pelo Jornal da Paraíba, aponta para tendências claras de fortalecimento e, em alguns casos, de retração, redesenhando o mapa da força política no estado.
Liderança em Crescimento Absoluto: Republicanos e a Ampliação de sua Base
Entre as siglas que mais expandiram sua presença na Paraíba, o Republicanos se destaca com o maior crescimento orgânico de filiados. Liderado no estado pelo deputado federal Hugo Motta, o partido registrou um notável incremento de 5.178 novos membros, elevando seu total de 13.062 para 18.240 filiados, o que representa um aumento de 39,6% no período analisado. Tal desempenho sinaliza um esforço consistente na captação e engajamento de novos adeptos.
Outra legenda que demonstrou expansão considerável em números absolutos foi o PSB, do governador João Azevêdo, que adicionou 4.851 filiados à sua base, passando de 16.821 para 21.672, um crescimento de 28,8%. Por sua vez, o Podemos, sob a liderança de Marcondes Gadelha, observou um salto ainda maior, de 7.058 para 13.141 filiados. Contudo, essa alta foi impulsionada pela incorporação do PSC, aprovada pelo TSE em 2023, o que distorce a comparação com o crescimento puramente orgânico de outras siglas.
Destaque Proporcional: A Ascensão Vertiginosa do Partido Novo
Enquanto alguns partidos crescem em volume, outros surpreendem pela intensidade de sua expansão percentual. É o caso do Novo, partido de perfil liberal e de direita, presidido na Paraíba pelo empresário Zé Carneiro. A legenda obteve o maior salto proporcional no estado, registrando um aumento de 283%, passando de apenas 194 para 743 filiados. Esse crescimento, embora em uma base menor, é um indicativo da crescente atração por propostas ideológicas específicas.
Entre os partidos de médio porte, o Solidariedade, encabeçado pelo deputado Eduardo Carneiro, também mostrou um avanço substancial, quase dobrando sua base de 3.109 para 6.037 filiados. O PSD, que tem como uma de suas figuras o ex-deputado Pedro Cunha Lima, angariou 538 novos membros, alcançando 10.005 filiados. Na esquerda, a Unidade Popular (UP) também teve uma expansão expressiva em termos proporcionais, saindo de 159 para 326 filiados.
Grandes partidos como o PT, liderado pela deputada estadual Cida Ramos, e o PL, sob o comando do ex-ministro Marcelo Queiroga, apresentaram crescimentos mais modestos, de 2,6% e 2,9% respectivamente. O PP, do deputado Aguinaldo Ribeiro, registrou uma leve alta de 1,2%.
Dinâmicas de Retração e a Permanência das Grandes Bases Partidárias
Nem todos os partidos experimentaram crescimento. Alguns registraram retração em seu quadro de filiados no mesmo período. O Cidadania, por exemplo, teve a maior queda proporcional, de 19,8%. Outras siglas que viram suas bases diminuírem foram o PSDB (-6,2%), o União Brasil (-2%) e o MDB (-1,1%), sinalizando desafios na manutenção de seus quadros.
Apesar dessas quedas, o MDB do senador Veneziano Vital continua a ser o maior partido da Paraíba em número de filiados, contabilizando 41.657 registros em janeiro de 2026, mesmo após uma leve redução de seus 42.125 membros anteriores. O União Brasil, sob a liderança do senador Efraim Filho, mantém-se como a segunda maior força política no estado, com 33.697 filiados, após partir de 34.374, sublinhando a robustez de suas estruturas.
A Essencialidade da Filiação Partidária para o Processo Democrático
A filiação a um partido político transcende a mera formalidade; ela constitui um pilar fundamental para o exercício da democracia e a participação eleitoral. É o vínculo legal que habilita um eleitor a pleitear um cargo eletivo e, consequentemente, aparecer nas urnas como candidato. Essa condição legal é expressa no artigo 14, parágrafo 3º, inciso V, da Constituição Federal, e no artigo 16 da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995), que exige que o eleitor esteja em pleno gozo de seus direitos políticos para se filiar.
Além de ser um requisito para a candidatura, o ato de filiação fortalece a base de apoio de uma legenda, ampliando sua capilaridade e influência junto à população. Os dados do TSE, referentes ao período entre outubro de 2022 e janeiro de 2026, são essenciais para compreender a dinâmica interna dos partidos e antecipar as estratégias para os próximos ciclos eleitorais, refletindo o empenho das siglas em consolidar e expandir seu alcance.
Em suma, o cenário partidário na Paraíba revela um constante movimento de adesões e desligamentos, com alguns partidos demonstrando notável capacidade de atração e outros enfrentando o desafio de manter suas bases. A performance de crescimento do Republicanos e do Novo, aliada à persistência de legendas como MDB e União Brasil como as maiores do estado, desenha um quadro de intensa disputa e reconfiguração política, pavimentando o caminho para as próximas eleições com bases renovadas e estratégias ajustadas.












