A urgência de urinar é um sinal natural do corpo que, muitas vezes, é ignorado devido à correria do dia a dia ou à falta de acesso a um banheiro. No entanto, o ato de segurar o xixi por tempo prolongado pode acarretar sérias consequências para a saúde. Recentemente, durante o quadro Consultório JM, do programa Jornal da Manhã, o médico Antônio Henriques abordou o tema, alertando a população sobre os perigos reais e, por vezes, subestimados, de adiar a micção.
O Impacto Fisiológico da Retenção Urinária
Quando a bexiga atinge sua capacidade máxima, a pressão interna aumenta consideravelmente. Ignorar repetidamente esse sinal de plenitude não apenas causa desconforto, mas força o músculo detrusor da bexiga a um esforço excessivo e prolongado. Essa sobrecarga contínua pode levar a um estiramento excessivo das paredes da bexiga, comprometendo sua elasticidade e, consequentemente, sua capacidade de contração eficaz no futuro. O sistema urinário, projetado para expelir resíduos de forma regular, sofre um desequilíbrio quando essa dinâmica é alterada.
Complicações de Saúde Associadas à Micção Retardada
O médico Antônio Henriques enfatizou que a retenção urinária crônica não é um problema isolado, mas uma porta de entrada para diversas enfermidades. A estagnação da urina na bexiga cria um ambiente propício para a proliferação bacteriana, elevando significativamente o risco de infecções do trato urinário (ITUs), que podem afetar a uretra, bexiga e, em casos mais graves, os rins. Além disso, a pressão aumentada pode provocar o refluxo da urina para os ureteres e, subsequentemente, para os rins, uma condição conhecida como hidronefrose, que pode levar a danos renais permanentes.
Outras complicações incluem a formação de cálculos na bexiga, devido à concentração de minerais na urina estagnada, e a disfunção da bexiga, que se manifesta como dificuldade em esvaziá-la completamente ou, paradoxalmente, episódios de incontinência por transbordamento, onde a bexiga não consegue mais reter a urina adequadamente devido ao estiramento excessivo.
Grupos de Risco e Prevenção
Embora o alerta seja universal, algumas pessoas podem ser mais suscetíveis aos malefícios de segurar a urina. Indivíduos com condições preexistentes, como diabetes, doenças neurológicas, ou homens com problemas de próstata, já possuem um sistema urinário mais vulnerável e devem ser ainda mais diligentes. Crianças e idosos também necessitam de atenção especial, pois suas bexigas podem ser mais sensíveis ou ter a percepção da urgência alterada.
A melhor forma de prevenção, conforme destacado pelo especialista, é simples e envolve hábitos saudáveis: manter uma hidratação adequada ao longo do dia e, crucialmente, atender prontamente aos sinais do corpo para urinar. Evitar o hábito de 'treinar' a bexiga para aguentar mais tempo é fundamental. Além disso, a higiene pessoal adequada também contribui para a saúde do trato urinário.
Quando Procurar Ajuda Médica?
Sintomas como dor ou ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, presença de sangue na urina ou febre são indicativos de que algo pode não estar bem e exigem avaliação médica. A intervenção precoce pode prevenir a progressão de condições mais sérias e garantir a saúde a longo prazo do sistema urinário.
Em suma, o alerta do Dr. Antônio Henriques serve como um lembrete importante para priorizarmos a saúde da bexiga. Escutar os sinais do corpo e não adiar a ida ao banheiro são atitudes preventivas simples, mas de grande impacto na manutenção do bem-estar e na prevenção de complicações urinárias potencialmente graves.
Fonte: https://paraibaonline.com.br



















