Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas e pressões econômicas, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, fez uma rara e contundente crítica direta aos líderes Donald Trump e Vladimir Putin. As declarações, divulgadas na noite de quinta-feira (9) pela rede de TV ITN, revelam um político sob intensa pressão, que se disse “farto” das ações de ambos os líderes, as quais, segundo ele, têm impactado diretamente o custo da energia para os consumidores britânicos.
A fala de Starmer surge em um momento delicado para o Reino Unido e para a aliança ocidental. A guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia de Putin, e o conflito no Oriente Médio, desencadeado por ações dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, criaram um ambiente de instabilidade que se reflete nos mercados globais de energia. Para o líder britânico, as consequências dessas ações são sentidas diretamente no bolso das famílias e empresas, que veem suas contas de luz e gás dispararem.
Impacto nas Contas Britânicas e a Pressão Política
A crítica de Keir Starmer não é infundada. Desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o gasto médio dos britânicos com energia já registrou um aumento de 10%. As projeções são ainda mais alarmantes, indicando que esse crescimento pode atingir até 40%, impulsionado principalmente pela escassez de gás no mercado europeu. A dependência de fontes energéticas e a volatilidade dos preços internacionais colocam o governo britânico em uma posição vulnerável.
Internamente, Starmer enfrenta uma crise de popularidade. Uma pesquisa recente, publicada pelo jornal Telegraph, revelou que 65% dos eleitores desejam sua renúncia. Esse cenário de descontentamento público intensifica a necessidade de o premiê demonstrar firmeza e buscar soluções para a crise energética, mesmo que isso signifique confrontar figuras políticas de peso no cenário internacional.
Manobras Diplomáticas e a Cisão Ocidental
Ciente do potencial estrago de suas declarações, Keir Starmer tentou uma manobra diplomática na manhã seguinte, revelando ter discutido com Donald Trump a questão do fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã. Segundo Starmer, “opções militares” estavam no cardápio da conversa, que ocorreu enquanto ele estava no Qatar para debater a crise. Essa revelação pode ser interpretada como uma tentativa de apaziguar os Estados Unidos e demonstrar alinhamento em questões de segurança.
No entanto, a divisão entre os aliados ocidentais é evidente. Trump, que não consultou seus parceiros europeus sobre o ataque ao Irã, tem criticado sistematicamente a falta de apoio. Ele chegou a classificar a Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, como “covarde” por não enviar navios de guerra a Hormuz, uma região onde nem mesmo os americanos se aventuram devido aos riscos representados pelas defesas iranianas.
A postura britânica inicial no conflito com o Irã também gerou atrito. O Reino Unido, a princípio, não permitiu o uso de suas bases para bombardeiros estratégicos dos EUA, algo que sempre esteve disponível em campanhas militares anteriores. Pressionado, Starmer acabou aquiescendo, liberando o emprego de unidades como Fairford, desde que os ataques fossem de natureza “defensiva” – uma contradição que sublinha a complexidade da situação.
A Otan em Xeque e a Geopolítica da Energia
Outros países europeus adotaram posições ainda mais radicais. A Espanha, por exemplo, não permitiu o uso de suas bases nem de seu espaço aéreo para voos militares americanos. A França também vetou alguns voos, e tanto Paris quanto Berlim criticaram abertamente a guerra, que Starmer havia inicialmente declarado “não ser nossa”.
O isolamento de Trump, ao lado de Binyamin Netanyahu, levou o ex-presidente americano a sugerir, na semana passada, a possibilidade de deixar a Otan. Essa ameaça mobilizou o secretário-geral da aliança, o holandês Mark Rutte, que voou a Washington para tentar acalmar Trump. Apesar das palavras elogiosas, nada de concreto saiu da reunião, e Rutte apenas afirmou que a Otan estaria pronta para ajudar militarmente, se necessário. Essa declaração vaga foi criticada pelo chanceler espanhol, José Manuel Albares, que reiterou: “A Otan não tem envolvimento nesta guerra, o Oriente Médio não está dentro de sua área de atuação”. Qualquer decisão de emprego de força do grupo exige aprovação unânime de seus membros.
Essa cisão geopolítica tem um impacto direto nos mercados. O cessar-fogo anunciado por Trump fez o preço do barril Brent cair de US$ 110 para o patamar de US$ 100 nos contratos futuros. Contudo, a fragilidade do acordo mantém os preços para compra imediata em estratosféricos US$ 145. A insistência do Irã em controlar Hormuz, virtualmente fechado desde o início do conflito, e a proposta de uma rota própria com pedágio para cargas, são pontos cruciais que irritam Trump e dificultam as negociações.
As conversas entre EUA e Irã, marcadas para amanhã no Paquistão, enfrentam obstáculos. Teerã ameaça não comparecer devido à continuidade dos ataques de Israel ao Hezbollah no Líbano. Netanyahu, pressionado por Trump, anunciou negociações com Beirute, mas manteve os combates com o grupo xiita, adicionando mais uma camada de complexidade a um cenário já volátil. A política internacional, a economia e a vida dos cidadãos estão intrinsecamente ligadas, e os desdobramentos desses conflitos continuarão a ser acompanhados de perto.
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