Estudo inovador do Inca busca implementar rastreamento de câncer de pulmão no SUS

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) deu um passo fundamental na saúde pública brasileira ao anunciar, nesta quarta-feira (1º), o lançamento de um estudo inédito. A iniciativa visa avaliar a viabilidade da implementação de um programa nacional de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). Em uma parceria estratégica com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e o financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca, o projeto tem como meta principal estabelecer uma diretriz nacional para a detecção precoce da doença, com o potencial de reduzir significativamente a mortalidade no país.

Este estudo representa um avanço crucial na luta contra uma das formas mais agressivas de câncer, que anualmente ceifa milhares de vidas no Brasil. Ao focar na detecção em estágios iniciais, a pesquisa busca transformar o cenário atual, onde a maioria dos diagnósticos ocorre tardiamente, comprometendo as chances de cura e sobrevida dos pacientes.

Avanço na detecção precoce: o estudo do Inca e a tomografia de baixa dose

Conduzido pelo Inca por um período de dois anos, o estudo prevê a participação de, no mínimo, 397 pacientes, com possibilidade de expansão. A seleção dos participantes será realizada em colaboração com o Programa de Cessação de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que já atende cerca de 50 mil pessoas. Essa abordagem é estratégica, considerando que aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente associados ao consumo de derivados de tabaco.

A metodologia central do rastreamento é a utilização da tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD). Evidências científicas, como as publicadas no Jornal Brasileiro de Pneumologia, demonstram que a TCBD pode reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em 20%. Quando combinada com programas de cessação do tabagismo, essa redução pode atingir impressionantes 38%, reforçando a importância de uma abordagem integrada.

Critérios de elegibilidade e o caminho do tratamento no SUS

Para garantir a eficácia e a segurança do estudo, os critérios de elegibilidade dos pacientes foram definidos em conformidade com o Consenso Médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. O rastreamento com TCBD é recomendado para pessoas entre 50 e 80 anos, que sejam fumantes ou ex-fumantes (com interrupção do hábito nos últimos 15 anos) e que tenham um histórico de consumo de 20 cigarros por dia, todos os dias, ao longo de 20 anos.

Caso um diagnóstico positivo para câncer de pulmão seja confirmado durante o estudo, os pacientes serão encaminhados para acompanhamento e tratamento no Hospital do Câncer I (HC I). Esta unidade, parte do Inca, é um centro de referência para o tratamento oncológico no Rio de Janeiro e integra a rede de alta complexidade do SUS, assegurando que os participantes recebam o cuidado necessário dentro do sistema público de saúde.

A voz dos especialistas e o desafio crescente do tabagismo

O estudo é liderado pelo médico epidemiologista do Inca, Arn Migowski, que destacou a importância da detecção precoce. “A gente vai tentar detectar cedo, antes de ter sintomas, um câncer de pulmão, e que a pessoa pare de fumar”, afirmou Migowski em cerimônia no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Ele ressaltou ainda o caráter inovador da pesquisa: “Será um novo protocolo que tem ganhado corpo em evidências robustas que a gente quer implementar aqui e testar. Como funciona na realidade do SUS na vida real? A gente consegue funcionar bem na nossa realidade, tem uma boa adesão, tem riscos. Vamos testar localmente para ir ampliando se for o caso em nível nacional”.

A colaboração entre setores também foi enfatizada por Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca. “O fortalecimento do SUS passa pela aproximação entre setor público e privado. A AstraZeneca é uma companhia privada que atua em câncer de pulmão, mas quer fazer mais do que entregar medicamentos, mas também mudar a história da doença no país”, declarou Lopes. Contudo, o cenário do tabagismo apresenta novos desafios. Gustavo Prado, presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão, alertou para o aumento da prevalência do tabagismo pela primeira vez em mais de 15 anos, impulsionado pela introdução dos dispositivos eletrônicos, como os vapes. “Mais pessoas estão fumando hoje, especialmente os mais jovens de 18 a 24 anos. A gente precisa novamente intensificar as estratégias de prevenção e numa linguagem que atinja os jovens”, pontuou Prado.

O impacto devastador do câncer de pulmão no Brasil

O câncer de pulmão é, lamentavelmente, a principal causa de morte por câncer no Brasil. Dados do Atlas de Mortalidade do Inca revelam que, em 2024, foram registrados 32.465 óbitos decorrentes de câncer de brônquios e pulmão. Esse número alarmante supera a soma das mortes por câncer de próstata (17.826) e de mama (20.849) no mesmo ano, que são os tipos de tumores mais incidentes na população brasileira. O Inca estima que o Brasil terá cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026–2028, consolidando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública do país.

A elevada taxa de mortalidade do câncer de pulmão está diretamente ligada ao diagnóstico tardio: aproximadamente 84% dos casos são identificados em estágios avançados, o que resulta em uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 5,2%. A implementação de um programa de rastreamento nacional, como o que este estudo busca viabilizar, é essencial para mudar essa realidade, oferecendo esperança e melhores perspectivas de tratamento para milhares de brasileiros.

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Fonte: paraibaonline.com.br

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