João Pessoa registrou um declínio significativo nos indicadores de saneamento básico, conforme revelado pelo mais recente ranking do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados. A capital paraibana perdeu 14 posições no cenário nacional, passando a ocupar o 70º lugar entre os 100 municípios mais populosos do país. O levantamento, que utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), aponta uma queda no atendimento de esgoto e desafios na cobertura de água urbana.
A Queda nos Indicadores de Atendimento de Esgoto e Água
De acordo com os dados analisados, João Pessoa viu seu percentual de atendimento total de esgoto, que engloba tanto a área urbana quanto a rural, diminuir em 9,24 pontos percentuais no período avaliado entre 2020 e a mais recente projeção para 2025. Atualmente, esse índice se encontra em 72,36%. A piora nesses números foi o principal fator para a queda no ranking geral. No que tange ao atendimento urbano de água, a situação também é preocupante, com a capital ocupando a 94ª posição e apresentando uma cobertura de 78,58%.
Cagepa Contesta Levantamento e Detalha Investimentos Milionários
Em resposta aos resultados divulgados, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que identificou inconsistências no repasse dos dados de João Pessoa ao Sinisa, estando em processo de retificação junto à equipe do Ministério das Cidades. A companhia esclareceu que o índice correto de atendimento total de água na capital é de 98%, diferentemente do percentual apontado pelo ranking. Além disso, a Cagepa destacou um vultoso investimento de mais de R$ 640 milhões, que está sendo aplicado em obras de expansão e modernização dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. As intervenções incluem recuperação de estações e projetos para automação e setorização das redes operacionais do município.
Tratamento de Esgoto: Um Ponto de Destaque para João Pessoa
Apesar dos desafios na cobertura geral, João Pessoa figura entre as sete capitais brasileiras que demonstram um desempenho exemplar no tratamento de esgoto. A cidade alcança um patamar de, no mínimo, 80% de seu esgoto coletado sendo devidamente tratado. Este indicador positivo a coloca ao lado de metrópoles como Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Maceió (AL), evidenciando um compromisso com a qualidade ambiental e a saúde pública, uma vez que a destinação adequada do efluente é crucial para a preservação dos recursos hídricos.
Campina Grande: Destaque Nacional em Universalização do Saneamento
Em contraste com a capital, Campina Grande apresentou um desempenho notável no ranking nacional, subindo uma posição e alcançando o 37º lugar. O município se destaca pela excelência no atendimento urbano de água, registrando 100% de cobertura e dividindo a 1ª posição neste quesito com outras cidades. Mais impressionante ainda, Campina Grande superou a meta de universalização estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento, atingindo 96,86% de atendimento total de esgoto, um feito que a posiciona como um modelo a ser seguido no cenário nacional.
Conclusão: Desafios e Perspectivas para o Saneamento na Paraíba
O recente levantamento do Instituto Trata Brasil expõe a complexidade do cenário do saneamento básico na Paraíba, com João Pessoa enfrentando a necessidade de aprimorar sua infraestrutura de coleta e cobertura, enquanto Campina Grande se sobressai como um exemplo de sucesso. A contestação dos dados pela Cagepa e o anúncio de investimentos robustos na capital evidenciam a importância da precisão das informações e do esforço contínuo para atingir a universalização dos serviços. Garantir água tratada e esgoto coletado e tratado para toda a população permanece um desafio prioritário para o desenvolvimento e a saúde dos municípios paraibanos.
Fonte: https://g1.globo.com



















