A Paraíba se posiciona diante de um horizonte promissor, onde a preservação ambiental e o investimento em infraestrutura básica podem se traduzir em ganhos econômicos substanciais. Um estudo recente do Instituto Trata Brasil revela que a despoluição de praias e rios, aliada à ampliação do acesso à água tratada, tem o potencial de injetar até R$ 1,7 bilhão na economia do estado no período entre 2025 e 2040. Essa projeção não apenas destaca a importância do saneamento, mas também o seu papel estratégico no desenvolvimento sustentável e na atração de investimentos, especialmente no setor turístico.
O levantamento aponta para um retorno médio anual superior a R$ 108 milhões ao longo dos 15 anos analisados. Este impacto econômico está intrinsecamente ligado à melhoria das condições ambientais de ecossistemas aquáticos, como praias, rios e córregos, e à consequente redução do lançamento de esgoto sem tratamento. Tais fatores são considerados pilares para a manutenção e o crescimento do fluxo turístico, um dos motores da economia paraibana.
O potencial econômico do saneamento na Paraíba
Os números apresentados pelo Instituto Trata Brasil sublinham uma clara correlação entre a saúde ambiental e a vitalidade econômica. A estimativa de R$ 1,7 bilhão em ganhos para a Paraíba não é apenas um indicativo financeiro, mas um reflexo do valor que a qualidade da água e a limpeza das áreas costeiras e fluviais agregam à sociedade. O fortalecimento do turismo, impulsionado por um ambiente mais limpo e seguro, gera empregos, movimenta o comércio e atrai novos investimentos, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento. Além disso, o acesso universal à água tratada melhora a saúde pública, reduzindo gastos com doenças e aumentando a produtividade da população.
Impacto direto na experiência do turista e na saúde pública
A qualidade ambiental é um fator decisivo na escolha de um destino turístico. Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, enfatiza que a experiência do visitante é diretamente influenciada pelas condições do ambiente. O contato com águas contaminadas ou esgoto bruto durante atividades recreativas, como banhos de mar ou rios, pode resultar em problemas de saúde de veiculação hídrica. Essa situação não só compromete as férias do turista, mas também o desestimula a retornar ao local, gerando um prejuízo de longo prazo para a imagem e a economia do destino. Investir em saneamento, portanto, é investir na reputação e na sustentabilidade do setor turístico.
Desafios atuais e o cenário do esgoto não tratado
Apesar das projeções otimistas, o estudo também lança luz sobre os desafios persistentes no estado. Atualmente, cerca de 245 milhões de litros de esgoto doméstico são despejados diariamente sem tratamento em rios e praias da Paraíba. Este volume alarmante representa uma ameaça constante à saúde pública e aos ecossistemas, comprometendo o potencial turístico e a qualidade de vida da população local. A superação desse cenário exige investimentos contínuos em infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto, além de políticas públicas eficazes que garantam a fiscalização e a conscientização. A Paraíba, como muitos estados brasileiros, enfrenta a necessidade urgente de modernizar e expandir seus sistemas de saneamento para transformar esse desafio em oportunidade.
Preservação como diferencial competitivo e distribuição dos ganhos
A professora de turismo e hotelaria da Universidade Federal da Paraíba, Denise Gadelha, destaca que a existência de áreas ainda preservadas confere um diferencial competitivo significativo para o estado. Ela cita como exemplo a orla de João Pessoa, onde a política de construções mais baixas contribui para uma melhor ventilação e manutenção da paisagem natural. A visão é clara: “Só existe turismo quando existe preservação; se não, o visitante encontra mais do mesmo.” Essa perspectiva reforça a ideia de que a Paraíba tem um ativo valioso em sua natureza, que deve ser protegido e valorizado para atrair um turismo de qualidade.
O estudo do Instituto Trata Brasil também detalha a distribuição dos resultados estimados, com João Pessoa concentrando 45,3% dos ganhos projetados, seguida por Campina Grande, com 26,5%. Essa concentração reflete a importância dessas duas cidades como polos econômicos e turísticos, e a necessidade de investimentos direcionados para maximizar o retorno em suas respectivas regiões. A sinergia entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental é crucial para que a Paraíba possa colher plenamente os frutos de um futuro mais limpo e próspero.
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