A Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG) iniciou suas atividades legislativas de 2026 nesta terça-feira, 24 de janeiro, com a tradicional leitura da mensagem anual do prefeito Bruno Cunha Lima (UB). Em seu pronunciamento na Casa de Félix Araújo, o chefe do executivo municipal abordou os desafios enfrentados pela saúde da cidade no ano anterior e estabeleceu um prazo firme para a completa regularização do setor. Contudo, a retomada dos trabalhos também reacendeu a expectativa da bancada de oposição quanto à abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar possíveis irregularidades na gestão da saúde.
O Compromisso da Gestão com a Saúde Pública
Em 2025, o sistema de saúde de Campina Grande enfrentou significativos percalços, especialmente a partir de outubro, com registros de atrasos salariais para servidores e até ameaças de greve. Reconhecendo a complexidade da situação, o prefeito Bruno Cunha Lima delineou um plano de ação, fixando o mês de abril como o limite para a completa normalização dos serviços e processos. Segundo o gestor, a expectativa é que, até meados desse mês, a cidade alcance “100% de normalidade” na saúde, superando os desafios mais agudos que marcaram a segunda metade do ano anterior.
A Pressão da Oposição e os Pedidos de CPI
Paralelamente ao anúncio do prefeito, a bancada de oposição na CMCG reafirmou sua determinação em levar adiante a apuração de possíveis desmandos na saúde. O líder da oposição, vereador Anderson Pila (PSB), destacou que a abertura de duas Comissões Parlamentares de Inquérito será uma das principais prioridades legislativas. Uma das CPIs visa investigar um suposto benefício indevido em processo licitatório, enquanto a outra se propõe a analisar indícios de desvio de finalidade na aplicação dos recursos destinados ao setor da saúde. Essas iniciativas visam garantir a transparência e a correta aplicação dos fundos públicos, independentemente das medidas de regularização prometidas pela prefeitura.
O Trâmite Regimental e o Cenário Político na CMCG
Desde outubro do ano passado, a oposição já conseguiu reunir o número mínimo de oito assinaturas necessárias para protocolar os pedidos de abertura das CPIs. No entanto, o andamento dessas comissões enfrenta um entrave regimental: as normas da Câmara Municipal de Campina Grande não estabelecem um prazo específico para que a Presidência determine a abertura das investigações. Diante desse cenário, o presidente da CMCG, vereador Saulo Germano (Podemos), informou que a mesa diretora se reunirá com a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa para definir os próximos passos e um direcionamento claro sobre a instauração das CPIs. A decisão da Presidência será crucial para o avanço das investigações pretendidas pela oposição.
A abertura do ano legislativo em Campina Grande expõe um cenário de expectativas e tensões. Enquanto a gestão municipal se compromete a solucionar os problemas da saúde até abril, a oposição busca no parlamento os mecanismos de fiscalização para escrutinar as deficiências passadas e presentes. O desafio agora reside em como o Executivo cumprirá sua promessa e como o Legislativo equilibrará a governabilidade com a indispensável função de controle, garantindo que a saúde pública, um dos pilares mais importantes para a população, receba a atenção e a gestão que merece.










