A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário político em Brasília. O pedido, originado da Polícia Federal (PF), abrange informações cruciais para as investigações em andamento.
A medida, autorizada pelo ministro André Mendonça, permite que a PF acesse dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha. Isso significa que as autoridades poderão analisar o fluxo financeiro e o histórico de comunicações do empresário, marcando um momento significativo nas apurações que envolvem o filho do atual presidente.
O pedido da PF foi protocolado há cerca de um mês, e a liberação por Mendonça ocorreu antes mesmo da votação na CPI mista que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS, a qual também solicitava a quebra de sigilo de Lulinha. A notícia foi primeiramente divulgada pelo site Poder360 e confirmada por outras reportagens.
Investigação Aponta Conexão com Lobista do INSS
A Polícia Federal tem concentrado esforços na apuração de citações a Lulinha em investigações relacionadas à Operação Sem Desconto. Informações sobre o envolvimento do empresário nessas apurações foram encaminhadas ao ministro Mendonça, relator do inquérito sobre o tema no STF.
Desde dezembro do ano passado, menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já vinham sendo divulgadas. Na época, segundo fontes com conhecimento das apurações, essas citações já estavam sendo cuidadosamente investigadas pelas autoridades.
Sócio Oculto e Pagamentos Suspeitos
Uma das linhas de investigação aponta para a possibilidade de Lulinha ter atuado como sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como Careca do INSS. Essa suspeita surge a partir de transações financeiras que chamaram a atenção da PF.
Em uma fase anterior da operação, a PF investigou um pagamento de R$ 300 mil realizado por ordem de Antunes a uma empresária que seria amiga de Lulinha. No total, essa empresária teria recebido R$ 1,5 milhão do lobista, distribuídos em parcelas ao longo do tempo.
Mensagens Revelam Detalhes da Transação
Uma mensagem apreendida pela PF detalha a solicitação de um pagamento. Nela, o Careca do INSS instrui um operador a realizar o depósito de uma parcela de R$ 300 mil para a empresa RL Consultoria e Intermediações, de propriedade de Roberta Luchsinger. Ao ser questionado sobre o destinatário, Antunes responde que seria “o filho do rapaz”, referindo-se a Lulinha.
A defesa de Roberta Luchsinger, representada pelos advogados Bruno Salles e Leonardo Palazzi, declarou à época que a empresária não possui qualquer ligação com os descontos investigados no INSS. Eles afirmaram que as atividades de Luchsinger e sua empresa se concentram na prospecção e intermediação de negócios, e que um contato com a empresa do Careca do INSS em 2024 visava a atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol, mas as negociações não avançaram.
Defesa de Lulinha Afasta Irregularidades
Por sua vez, o advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, já havia se manifestado anteriormente, afirmando que seu cliente é alvo de narrativas falsas e que não possui qualquer relação com as supostas fraudes do INSS ou outros crimes investigados pela Operação Sem Desconto. A defesa reitera a inocência de Fábio Luíz Lula da Silva.
A quebra de sigilo agora autorizada pelo STF permitirá à Polícia Federal aprofundar a análise desses dados, buscando esclarecer as conexões e os fluxos financeiros em questão. O caso continua em desenvolvimento e promete gerar novos desdobramentos no cenário político e jurídico do país.
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