Tuberculose na Paraíba: estado registra aumento de casos e mortes em 2025

A Paraíba enfrenta um cenário de preocupação crescente na saúde pública, com o registro de um aumento significativo nos casos de tuberculose e nas mortes associadas à doença. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) revelam que o ano de 2025 marcou um novo pico, com 1.581 notificações da doença e 119 óbitos. Este panorama sublinha os desafios persistentes no diagnóstico precoce e no tratamento eficaz dentro da região.

A escalada dos números reflete uma elevação gradual, porém constante, ao longo dos últimos anos, indicando que a luta contra a tuberculose permanece uma prioridade crítica para o sistema de saúde paraibano. Enquanto esforços são empreendidos para expandir o acesso ao cuidado, o contínuo crescimento nos casos reportados ressalta a necessidade de campanhas de conscientização intensificadas e intervenções robustas na área da saúde para conter a disseminação desta doença infecciosa.

Aumento persistente de casos e óbitos por tuberculose na Paraíba

A análise dos dados da SES, realizada pelo g1, demonstra uma tendência de crescimento nas notificações de tuberculose. Em 2022, foram contabilizados 1.385 casos, número que subiu para 1.504 em 2023 e 1.512 em 2024, culminando em 1.581 casos em 2025. Este aumento representa um crescimento de aproximadamente 14% no período.

As mortes decorrentes da doença também seguiram uma trajetória ascendente, passando de 108 em 2022 para 116 em 2023, 117 em 2024 e atingindo 119 óbitos em 2025. A persistência desses números elevados reforça a urgência de fortalecer as estratégias de controle e prevenção em todo o estado.

Desafios no diagnóstico precoce e a demanda por tratamento

O Hospital Clementino Fraga, localizado em João Pessoa e reconhecido como referência estadual para diagnóstico e tratamento da tuberculose, registrou uma alta demanda por seus serviços. Em 2025, foram realizados 3.113 atendimentos por pneumologistas, o que corresponde a uma média de oito atendimentos diários. Nos anos anteriores, o hospital também manteve um volume significativo, com 3.502 atendimentos em 2024 e 3.217 em 2023. Já em 2026, até o momento, foram registrados 135 atendimentos com suspeita da doença.

A pneumologista Gerlânia Simplício destaca que a identificação tardia dos sinais da tuberculose é um fator crítico que favorece o avanço da doença. Os sintomas principais incluem tosse persistente por mais de três semanas, febre, sudorese noturna, perda de peso, falta de ar e hemoptise (escarro com sangue). Muitos indivíduos, ao confundirem esses sinais com viroses ou gripes comuns, demoram a procurar os serviços de saúde, o que pode agravar o quadro clínico e aumentar o risco de transmissão.

Perfil epidemiológico da doença e regiões mais afetadas

A análise epidemiológica da tuberculose na Paraíba revela um padrão de incidência. Em 2025, os homens concentraram a maior parte das notificações, com 1.110 casos, em contraste com 471 casos em mulheres. Este padrão se manteve consistente nos anos anteriores, indicando uma maior vulnerabilidade masculina à doença.

As faixas etárias mais atingidas pela tuberculose são as de 20 a 34 anos, 35 a 49 anos e 50 a 54 anos, períodos produtivos da vida adulta. Geograficamente, as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Bayeux concentram o maior número de registros no estado, sugerindo a necessidade de ações focadas nessas áreas urbanas de maior densidade populacional.

A importância da vacinação BCG e o controle da tuberculose

A vacina BCG desempenha um papel fundamental na prevenção das formas mais graves de tuberculose, sendo administrada em bebês logo após o nascimento. Sua principal função é reduzir o risco de manifestações severas da doença, como a tuberculose de disseminação hematogênica e a meningite tuberculosa, que afeta o sistema nervoso central.

A Paraíba tem demonstrado um desempenho exemplar na cobertura vacinal da BCG, registrando 104,88% em 2024 e 106,64% em 2025, percentuais que superam a média nacional de 90%. No entanto, a pneumologista Gerlânia Simplício ressalta que, embora a vacina seja crucial para proteger contra as formas graves, ela não impede a infecção pela bactéria, o que explica a circulação contínua da doença, especialmente entre adultos. Para mais informações sobre a tuberculose, consulte o Ministério da Saúde.

A proteção conferida pela BCG é mais significativa nos primeiros anos de vida. Por isso, o controle efetivo da tuberculose depende, sobretudo, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado de todos os casos identificados, complementando a imunização na infância para frear a cadeia de transmissão e reduzir a morbidade e mortalidade da doença.

Fonte: g1.globo.com

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