A seleção brasileira feminina de basquete não conseguiu carimbar sua vaga para o Mundial da categoria, marcando a terceira ausência consecutiva da equipe no torneio. A eliminação veio após uma derrota decisiva por 83 a 71 para a anfitriã China, atual vice-campeã mundial, em partida disputada nesta terça-feira (17) em Wuhan. O revés na última rodada selou o destino da Amarelinha na competição qualificatória, frustrando as expectativas de retorno ao palco global do basquete.
O Confronto Decisivo em Wuhan
Sob o comando da técnica norte-americana Pokey Chatman, o Brasil entrou em quadra com a necessidade imperativa de uma vitória para manter viva a esperança de classificação. O confronto contra a forte equipe chinesa, que jogava em casa, mostrou-se um desafio imenso. As brasileiras conseguiram manter o equilíbrio nos dois primeiros quartos, travando uma disputa acirrada. Contudo, no terceiro período, as asiáticas impuseram seu ritmo e construíram uma vantagem considerável, fechando-o em 69 a 54.
A Luta Pela Reação e os Momentos Cruciais da Partida
No quarto final, a seleção brasileira demonstrou grande espírito de luta. Lideradas por uma atuação inspirada de Damiris Dantas, que anotou cinco pontos em um breve intervalo, a equipe conseguiu reduzir a diferença para 70 a 62 a pouco menos de sete minutos do fim. Contudo, a reação brasileira foi contida por um tempo técnico estrategicamente pedido pela China. Após a pausa, o Brasil encontrou dificuldades para pontuar, e a situação se agravou com a saída da pivô Kamilla Cardoso, que cometeu sua quinta falta. Com uma jogadora a mais em momentos decisivos, as donas da casa administraram a vantagem, confirmando a vitória por 83 a 71 e, consequentemente, a desclassificação do Brasil.
Cenário do Grupo e Critérios de Desempate
Com a derrota, a seleção brasileira terminou na quinta colocação do Grupo A, registrando um retrospecto de duas vitórias e três derrotas. A República Tcheca, que possuía o mesmo número de vitórias e derrotas, garantiu a quarta vaga para o Mundial. O critério de desempate, o saldo de cestas convertidas, favoreceu as tchecas, que foram superadas pela Bélgica na mesma rodada. A chave foi liderada pela Bélgica, atual campeã europeia, com a China em segundo e Mali em terceiro, enquanto o Sudão do Sul, sexto colocado, também deu adeus à competição.
Destaques Individuais e o Legado do Basquete Feminino Nacional
Apesar do resultado adverso, a ala-pivô brasileira Damiris Dantas foi eleita a melhor jogadora da partida, com uma impressionante marca de 26 pontos, demonstrando seu talento mesmo em um momento difícil. Pelo lado chinês, o destaque foi Han Xu, contribuindo com 22 pontos e oito rebotes. A ausência no Mundial de 2026 estende um jejum que começou após a participação em 2014. Historicamente, o basquete feminino brasileiro alcançou o pódio pela primeira vez com o bronze em 1971 e, em 1994, conquistou seu único título mundial, batendo a própria China na final, com um elenco memorável que incluía lendas como Hortência, Magic Paula e Janeth.
Olhar Para o Futuro: O Sonho Olímpico de Los Angeles 2028
Embora o caminho para o Mundial de 2026, a ser realizado na Alemanha, tenha sido interrompido, a seleção brasileira ainda terá múltiplas oportunidades de buscar uma vaga para as Olimpíadas de Los Angeles 2028. Entre as próximas chances, destacam-se um torneio internacional organizado pela Federação Internacional de Basquete (FIBA) em agosto, destinado a seleções não classificadas para o Mundial, a disputa da AmeriCupW em 2027 e o aguardado Pré-Olímpico, cujas datas e locais ainda serão definidos. A reconstrução da equipe e a busca por esses objetivos serão os próximos desafios para o basquete feminino do Brasil, mantendo viva a esperança de dias melhores.


















