A cidade de Pombal, localizada no Sertão da Paraíba, foi palco de uma grave crise de saúde pública que resultou na morte de uma mulher e deixou mais de uma centena de pessoas enfermas. Todos os casos estão sendo relacionados ao consumo de alimentos em uma pizzaria local. Diante da dimensão do incidente, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias, enquanto a Vigilância Sanitária agiu prontamente, interditando o estabelecimento responsável e revelando uma série de irregularidades.
O Surto e Seus Impactos na Saúde Pública
Entre o domingo (15) e a noite de terça-feira (17), um total de 118 indivíduos procuraram atendimento médico em duas unidades de saúde de Pombal. Os pacientes apresentavam quadros clínicos caracterizados por náuseas, vômitos, dores abdominais intensas, diarreia e um mal-estar generalizado. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) municipal registrou 44 ocorrências com esses sintomas, enquanto o Hospital Regional de Pombal atendeu outras 74 pessoas, sendo 36 no domingo e 38 na segunda-feira.
O ponto em comum relatado pela maioria dos pacientes foi o consumo de pizza proveniente do mesmo estabelecimento comercial na noite de domingo. Embora a UPA tenha informado que todos os seus pacientes receberam alta após o atendimento, o Hospital Regional, até a última atualização, mantinha uma criança de 8 anos e uma mulher sob cuidados médicos, necessitando de internação.
A Tragédia de Rayssa Maritein
A vítima fatal do surto foi identificada como Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Engenheira agrônoma e servidora pública, Rayssa foi descrita por seus familiares como uma pessoa alegre e acolhedora. Na noite do domingo (15), ela esteve na pizzaria com seu namorado, onde ambos consumiram uma pizza de carne de sol. Embora o namorado tenha passado por atendimento e não desenvolvido complicações graves, Rayssa começou a sentir-se mal logo após retornarem para casa.
Após um atendimento inicial e liberação, o quadro de saúde de Rayssa deteriorou-se rapidamente na manhã de segunda-feira (16), levando-a a ser novamente internada no Hospital Regional. A unidade de saúde informou que a paciente apresentou uma evolução clínica extremamente rápida, sendo prontamente encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso severo. Infelizmente, Rayssa veio a óbito na terça-feira (17). O velório está sendo realizado no Auditório da UBS Solar das Oiticicas, em Pombal, com o sepultamento agendado para a quarta-feira (18), às 8h, no Cemitério São Francisco, também na cidade.
Irregularidades e Interdição do Estabelecimento
A gravidade da situação levou à interdição da pizzaria pela Vigilância Sanitária de Pombal já na segunda-feira (16). No dia seguinte, uma equipe da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB) realizou uma vistoria mais aprofundada no local, revelando uma série alarmante de infrações sanitárias que comprometiam a segurança alimentar e a saúde pública.
Entre as inadequações encontradas, destacam-se a presença de pragas e insetos, a ausência de documentação obrigatória que comprove a adoção de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), a inexistência de protocolos eficazes de higiene e controle de pragas, além de alimentos mal acondicionados e condições térmicas impróprias para o armazenamento. O inspetor sanitário da Agevisa, Sérgio Freitas, sublinhou que o estabelecimento operava em total desconformidade com as normas, inviabilizando qualquer funcionamento.
A Investigação em Curso
Com o objetivo de determinar as causas exatas do surto de intoxicação e da morte de Rayssa Maritein, a Polícia Civil de Pombal abriu um inquérito. Paralelamente, exames periciais cruciais serão realizados. Material coletado na pizzaria e amostras do corpo da vítima fatal serão analisados por peritos da Polícia Civil e por órgãos de saúde, como a Agevisa-PB. Estes exames são fundamentais para identificar o agente causador da intoxicação e estabelecer a relação causal com o óbito.
Até o momento, não há um prazo definido para a conclusão e divulgação dos resultados dessas análises. A investigação busca não apenas esclarecer o que aconteceu, mas também responsabilizar os envolvidos e garantir que medidas preventivas sejam implementadas para evitar que tragédias como esta se repitam na comunidade.
A comunidade de Pombal, chocada com a dimensão do ocorrido, aguarda as respostas da investigação e as providências das autoridades para assegurar a segurança alimentar em estabelecimentos comerciais. A morte de Rayssa Maritein e a doença de tantas pessoas reforçam a importância da rigorosa fiscalização sanitária e da responsabilidade dos empresários no cumprimento das normas de higiene e manipulação de alimentos.
Fonte: https://g1.globo.com
















