Beirute, a capital do Líbano, foi palco de intensos bombardeios israelenses nesta quarta-feira, 18 de março, mergulhando a população em um novo capítulo de terror e exaustão. Os ataques, que resultaram em um saldo de doze mortos e dezenas de feridos, atingiram bairros densamente povoados e instalações ligadas ao Hezbollah, grupo pró-Irã, em uma clara escalada da ofensiva militar israelense na região. Este último episódio ressalta a grave crise humanitária e a constante ameaça que paira sobre os civis, que se veem cada vez mais sem refúgio seguro.
Ataques em Beirute Aprofundam Crise Humanitária
O centro da capital libanesa foi severamente atingido, com três de seus bairros mais populosos, incluindo um próximo à sede do governo e a embaixadas, transformados em cenários de destruição. Entre as doze vítimas fatais, está Mohammed Cherri, diretor de programas políticos da emissora Al-Manar, ligada ao Hezbollah, que perdeu a vida junto com sua esposa no bairro de Zokak al-Blatt. Seus filhos e netos ficaram feridos, em um testemunho brutal do impacto direto nos lares. O Ministério da Saúde informou, ainda, que 41 pessoas ficaram feridas e restos humanos foram encontrados no local.
No bairro de Bachoura, um edifício desabou completamente após um alerta israelense, deixando as ruas cobertas por escombros. Imagens da devastação mostram máquinas trabalhando para desobstruir vias e remover destroços, enquanto comerciantes observam suas fachadas destruídas sob o incessante zumbido de drones israelenses. A população expressa um medo profundo e a sensação de impotência diante dos bombardeios, que não dão trégua e se manifestam a cada poucas horas, como relatou Zainab, de 65 anos, descrevendo o ataque como "muito forte, como se estivesse acontecendo sobre nossas cabeças" e questionando: "para onde deveríamos ir?"
Estratégia Militar de Israel e Escala da Guerra
A ofensiva israelense não se restringiu à capital, mas também revelou uma estratégia militar mais ampla. O Exército israelense anunciou planos de destruir pontes sobre o rio Litani, localizado a cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira, com o objetivo de interromper qualquer via de apoio militar ao Hezbollah. Esta tática visa isolar ainda mais o grupo, cujos combatentes têm enfrentado tropas terrestres em aldeias fronteiriças, e levou a ordens de evacuação para a população residente ao sul do rio.
A atual escalada de violência tem suas raízes em um ataque lançado pelo Hezbollah contra Israel em 2 de março, que provocou uma resposta aérea israelense em larga escala. Desde o início dos confrontos, o Líbano tem sofrido um custo humano devastador, com pelo menos 912 mortos, incluindo 111 crianças, segundo as autoridades. Mais de um milhão de pessoas – o que representa mais de um sexto da população do país – foram forçadas a abandonar suas casas, tornando-se deslocadas internas e agravando a já frágil situação humanitária.
Impacto no Sul do Líbano e Novas Ameaças
Além dos ataques a Beirute, a violência se estendeu a outras regiões libanesas, particularmente no sul do país. Na cidade de Saïda, um ataque aéreo atingiu um veículo, resultando na morte de duas pessoas, entre elas um socorrista. O incidente ocorreu perto da orla marítima, um local onde muitos deslocados buscam refúgio, dormindo em seus próprios carros, o que sublinha a vulnerabilidade extrema da população. Moustapha Khairallah, um idoso que se viu forçado a deixar sua casa pela primeira vez, exemplifica a crescente abrangência dos ataques a civis.
A situação se agravou ainda mais com uma ordem de evacuação israelense que provocou pânico na milenar cidade de Tiro, reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco. Centenas de famílias de Tiro fugiram em direção a Saïda, enquanto outras buscaram abrigo nas partes antigas da cidade, que não foram incluídas na diretriz de evacuação. Estes eventos demonstram a expansão geográfica do conflito e a constante ameaça que força comunidades inteiras a se deslocarem em busca de segurança, muitas vezes em condições precárias.
A Exaustão de uma Nação sob Cerco
A sucessão de bombardeios e a incessante ameaça de novos ataques deixam a população libanesa em um estado de exaustão e desespero. Testemunhos como o de Haidar, um comerciante de 68 anos que expressa o terror de ataques sem aviso, ou de Sarah Saleh, uma jovem de 29 anos forçada a fugir de sua casa de pijama para uma praça central, pintam um quadro sombrio de uma nação à beira do colapso. Com mais de um milhão de pessoas deslocadas e a constante pergunta "para onde deveríamos ir?" ecoando entre os sobreviventes, o Líbano enfrenta uma crise humanitária de proporções gigantescas. A vida sob o zumbido constante de drones e a incerteza do próximo bombardeio se tornaram a dura realidade, sem perspectivas claras de paz ou segurança para um povo já severamente testado.
Fonte: https://g1.globo.com

















