Destaques:
- STF promove autoelogios e homenagens a ministros em meio à grave crise.
- Celebração de nove anos de Alexandre de Moraes na Corte gera críticas e debate.
- Contexto de investigações e desconfiança pública intensifica a controvérsia.
A Suprema Corte brasileira, enfrentando a pior crise de sua história e uma desconfiança declarada de grande parte da população, tem sido alvo de debates intensos. Em um cenário de questionamentos sobre sua atuação e a conduta de seus membros, o tribunal optou por uma abordagem que tem gerado ainda mais controvérsia: a exaltação de seus próprios feitos e a homenagem a ministros em datas comemorativas.
Essa postura, que inclui brindes e discursos de autoelogio, contrasta fortemente com o momento delicado em que a instituição se encontra. A prática levanta discussões sobre a percepção pública da Corte e a adequação de tais celebrações diante de um cenário de alta tensão institucional e investigações em andamento.
A postura do STF: celebração e “cabotinismo” em questão
Recentemente, a Corte retomou o costume de homenagear ministros em seus aniversários de ingresso no Tribunal. A celebração dos nove anos da nomeação de Alexandre de Moraes foi marcada por discursos de exaltação, que, para muitos observadores, beiraram o excesso. A analogia de uma indústria que para suas operações para elogiar gerentes ilustra a estranheza da situação.
O termo “cabotinismo”, originário do teatro, tem sido empregado para descrever esse comportamento. Ele se refere a uma conduta pretensiosa e vaidosa, de quem busca atenção e anuncia qualidades que nem sempre possui, agindo de forma exagerada para obter reconhecimento. Em um momento de normalidade institucional, tal exibicionismo já seria questionável; no contexto atual, ele se torna ainda mais problemático.
Elogios a Moraes e as críticas silenciadas
O presidente da Corte, Edson Fachin, expressou orgulho pela retomada das homenagens e elogiou a atuação de Alexandre de Moraes. Fachin destacou a “virtude intimorata” de Moraes na condução de ações penais relacionadas a eventos recentes, afirmando que sua postura fundamentou decisões dentro do devido processo legal.
Contudo, a narrativa oficial omitiu aspectos que têm sido alvo de severas críticas. Não foram mencionadas as prisões preventivas em massa sem individualização de conduta, o uso de dados biométricos para identificação e bloqueio de perfis em redes sociais, ou a condenação de réus por supostos crimes de terceiros sob a alegação de “crime multitudinário”. A atuação de Moraes como juiz, investigador, acusador e vítima em alguns inquéritos, bem como as ordens monocráticas de busca e apreensão, quebra de sigilo e bloqueio de redes sociais, também não foram abordadas, levantando preocupações sobre censura e violação da liberdade de expressão.
A “dívida histórica” e as bajulações
Na celebração dos nove anos de Moraes na Corte, o decano Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, proferiram as mais extravagantes bajulações. Gilmar Mendes reiterou a afirmação de que o Brasil tem uma “dívida histórica” com Alexandre de Moraes, sugerindo que a contribuição do ministro vai além de qualquer valor financeiro.
Mendes creditou a Moraes o mérito de ter livrado o país do “assédio” de setores que buscavam desacreditar o sistema eleitoral. Ele afirmou que o inquérito das fake news, conduzido por Moraes, foi um “grande instrumento, manejado de modo firme, corajoso e irretocável” para proteger as instituições contra uma operação sistemática de desinformação e intimidação. Segundo Mendes, o ministro evitou que o país caísse em um “abismo autoritário”, uma declaração que, para muitos, demonstra um distanciamento da realidade.
O contexto da crise e as investigações
A intensidade dos autoelogios e apologias ganha um contorno ainda mais delicado quando contextualizada com as recentes investigações. Horas antes das celebrações, Daniel Vorcaro, banqueiro envolvido em contratos e consultorias milionárias e “ocultas” com ministros, havia sido transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília para iniciar um processo de delação premiada.
O ministro André Mendonça, relator do caso, já sinalizou que não aceitará uma delação parcial que tente poupar políticos ou ministros do Supremo Tribunal Federal envolvidos em possíveis crimes. Esse cenário de investigações e a possibilidade de revelações sobre a conduta de membros da Corte tornam as celebrações internas ainda mais questionáveis aos olhos da opinião pública, que exige transparência e responsabilidade. A situação atual do STF, com a intensificação do debate público sobre sua atuação, reflete a complexidade do sistema de justiça brasileiro. Para mais informações sobre o funcionamento do judiciário, consulte o Portal da Justiça.
Fonte: gazetadopovo.com.br
















