O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos), garantiu nesta quarta-feira (25) que as propostas legislativas relativas à Escala 6×1, atualmente em tramitação no Congresso, não serão influenciadas pela polarização política. A declaração foi feita em João Pessoa, durante a inauguração de um resort, onde o parlamentar abordou uma série de temas cruciais para a agenda legislativa, incluindo a exploração de terras raras e a controvérsia dos "penduricalhos" no serviço público.
Redefinindo a Jornada de Trabalho: A Proposta da Escala 6×1
Motta expressou a expectativa de que a admissibilidade do texto referente à escala 6×1 seja avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até o início de abril. Entre as propostas em análise estão a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Após a análise pela CCJ, uma Comissão Especial será instituída para aprofundar a discussão sobre o mérito das matérias.
A meta do presidente da Câmara é levar o tema ao plenário já em maio, mês em que se celebra o Dia do Trabalhador, sublinhando a relevância da discussão. Segundo Motta, a iniciativa visa rediscutir a jornada laboral no país, buscando proporcionar aos trabalhadores mais tempo para lazer, convívio familiar e cuidados com a saúde, sem comprometer a produtividade. Diante de um ano eleitoral, ele enfatizou a necessidade de conduzir o debate com equilíbrio, ouvindo tanto os anseios dos trabalhadores quanto as perspectivas do setor produtivo. “O projeto está acima da disputa política que teremos este ano. Os trabalhadores, em sua grande maioria, defendem essa diminuição na jornada. O que precisamos é ter muita sabedoria para ouvir o setor produtivo, e que isso não represente nenhum retrocesso para o nosso país”, ponderou.
O Potencial Estratégico das Terras Raras e a Soberania Nacional
Outro ponto de destaque na agenda legislativa, abordado por Hugo Motta, foi o projeto relacionado à exploração de minerais estratégicos, conhecidos como terras raras. O deputado Arnaldo Jardim é o relator da matéria. Motta ressaltou que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, vitais para o avanço de novas tecnologias em diversos setores.
A proposta legislativa busca criar um arcabouço legal moderno para atrair investimentos, gerar empregos e renda, e, fundamentalmente, fortalecer a soberania nacional. A intenção é superar o modelo de mero exportador de matéria-prima, incentivando o beneficiamento e a industrialização desses minerais em território nacional, agregando valor à produção e impulsionando a economia com itens de maior valor agregado.
Penduricalhos no Serviço Público: Expectativa por Decisão do STF
Em relação aos chamados “penduricalhos”, pagamentos que frequentemente extrapolam o teto constitucional no serviço público, o presidente da Câmara informou que a Casa aguarda uma definição do Supremo Tribunal Federal (STF), prevista para esta quarta-feira. O parlamentar paraibano reiterou seu compromisso pessoal em não pautar proposições que busquem legalizar ou institucionalizar pagamentos acima do limite salarial estabelecido pela Constituição.
Após a decisão do STF, Motta pretende se reunir com o presidente do Senado para alinhar os próximos passos do Poder Legislativo sobre o tema. Um grupo de trabalho, composto por representantes da Câmara, do Senado e do próprio Supremo, já foi estabelecido para realizar um levantamento detalhado da situação atual. “Nós entendemos que a sociedade cobra, principalmente do Congresso Nacional, nesse momento muito rigor com aquilo que está pré-estabelecido”, afirmou, reforçando a seriedade com que a questão é tratada.
As declarações de Hugo Motta em João Pessoa refletem uma agenda legislativa complexa e multifacetada, marcada pela busca de consenso em pautas sociais e econômicas de grande impacto, ao mesmo tempo em que se posiciona firmemente diante de desafios éticos e de gestão pública, com a transparência e a responsabilidade como eixos centrais.



















