A Justiça da Paraíba proferiu uma nova sentença que reverberou em todo o estado, condenando o pediatra Fernando Paredes Cunha Lima a 20 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável. A decisão, assinada pela juíza Virgínia Gaudêncio de Novais, da Vara de Crimes contra Pessoas Hipervulneráveis de João Pessoa, foi divulgada em fevereiro e o documento completo da sentença foi acessado pela Rede Paraíba nesta segunda-feira (30). O caso, que envolve a violação da confiança depositada em um profissional da saúde, reacende o debate sobre a proteção de crianças e a responsabilidade de quem atua em áreas sensíveis.
O pediatra condenado: detalhes da nova sentença
A recente condenação refere-se a atos de estupro de vulnerável cometidos contra uma criança durante consultas médicas. De acordo com o documento judicial, os crimes ocorreram em momentos distintos, nos meses de março e abril de 2021. A magistrada responsável pelo caso destacou um padrão de comportamento por parte do réu, evidenciando a reincidência da conduta criminosa.
A tipificação legal aplicada foi a de estupro de vulnerável, um crime de extrema gravidade que visa proteger indivíduos que não possuem capacidade de consentimento ou de oferecer resistência, como é o caso de crianças. Pelo fato de os abusos terem ocorrido em ocasiões separadas, a Justiça aplicou o entendimento de concurso material, que permite a soma das penas para cada crime individualmente cometido. Assim, a pena total foi fixada em 20 anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
É importante ressaltar que, na mesma decisão, o médico foi absolvido da acusação de estupro contra outra menor de idade. A justificativa para a absolvição foi a insuficiência de provas, com a juíza afirmando que “o conjunto probatório não alcança a certeza necessária ao decreto condenatório”. Neste ponto, prevaleceu o princípio jurídico do “in dubio pro reo”, que estabelece que, na dúvida, a decisão deve favorecer o réu, garantindo que ninguém seja condenado sem provas cabais.
O histórico de acusações e a quebra de confiança
O nome de Fernando Paredes Cunha Lima não é novo nos noticiários e nos registros judiciais. O pediatra já havia sido condenado anteriormente por estupro contra outras crianças, o que demonstra um histórico preocupante de violações. A gravidade dos atos levou, inclusive, à cassação de seu registro profissional pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), medida que impede o exercício da medicina por parte do acusado.
A cronologia dos eventos revela uma trajetória marcada por denúncias e fugas. O médico se tornou réu por estupro em agosto de 2024, quando a Justiça da Paraíba aceitou a primeira denúncia formal contra ele. Naquela ocasião, o pedido de prisão preventiva foi negado. Contudo, a decisão pela prisão veio em 5 de novembro de 2024. No mesmo dia, a Polícia Civil tentou cumprir o mandado, mas o acusado não foi encontrado em sua residência, sendo então considerado foragido.
A prisão de Fernando Cunha Lima ocorreu em 7 de março de 2025, no estado de Pernambuco, e sua transferência para a Paraíba se deu em 14 de março do mesmo ano. Desde dezembro de 2025, o médico cumpre prisão domiciliar, após um período detido no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
As denúncias contra o pediatra se multiplicaram ao longo do tempo. Ele foi formalmente denunciado por estupro contra seis crianças que estavam sob seus cuidados como pacientes. A primeira denúncia formal de estupro de vulnerável contra Fernando Cunha Lima foi registrada em 25 de julho de 2024. A mãe de uma das vítimas relatou em depoimento ter presenciado o momento em que ele teria tocado as partes íntimas da criança, agindo imediatamente para retirar seus filhos do local e prestar queixa na Delegacia de Polícia Civil.
Após essa denúncia inicial, uma série de outras vítimas, encorajadas, começaram a procurar as autoridades. Entre elas, uma sobrinha do médico, que relatou ter sido abusada por ele em 1991. Embora não tenha havido uma denúncia formal na época, o fato resultou em um rompimento familiar significativo, evidenciando o longo histórico de condutas abusivas.
Repercussão e a importância da proteção infantil
Casos como o de Fernando Paredes Cunha Lima geram profunda indignação e preocupação na sociedade. A figura do pediatra, que deveria ser um porto seguro para a saúde e bem-estar infantil, foi desvirtuada para cometer atos hediondos. A quebra de confiança é um dos aspectos mais dolorosos, afetando não apenas as vítimas e suas famílias, mas também a percepção pública sobre a segurança em ambientes que deveriam ser de cuidado.
A repercussão desses eventos é crucial para alertar pais, responsáveis e a comunidade em geral sobre os sinais de abuso e a importância de denunciar. A coragem das vítimas e de suas famílias em buscar a Justiça é fundamental para que crimes como esses não fiquem impunes. A atuação de varas especializadas, como a Vara de Crimes contra Pessoas Hipervulneráveis, demonstra o reconhecimento da complexidade e da sensibilidade desses casos, buscando um julgamento justo e a proteção dos mais frágeis.
É vital que a sociedade esteja atenta e que os canais de denúncia sejam cada vez mais acessíveis e eficientes. Para mais informações sobre como denunciar casos de violência e abuso infantil, consulte fontes oficiais como o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
A proteção da infância é uma responsabilidade coletiva, e a punição de agressores é um passo essencial para garantir um ambiente mais seguro para as futuras gerações.
Acompanhe o PB em Rede para se manter informado sobre este e outros casos que impactam a Paraíba e o Brasil. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo análises aprofundadas e reportagens que dialogam com a realidade de nossos leitores. Continue conosco para ter acesso a um conteúdo de qualidade e credibilidade.
Fonte: g1.globo.com


















