A cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba, foi palco de uma tragédia que expôs a fragilidade da segurança alimentar e chocou a comunidade local. Após meses de investigação, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso de intoxicação alimentar em Pombal que resultou na morte de uma mulher e na intoxicação de mais de 100 pessoas, todas após consumirem alimentos de uma mesma pizzaria. O proprietário do estabelecimento, Marcos Antônio Neto, foi formalmente indiciado pelo crime de vender produtos impróprios para consumo, um desdobramento que lança luz sobre a responsabilidade dos comerciantes e a importância da fiscalização.
O incidente, que mobilizou autoridades de saúde e segurança pública, levanta questões cruciais sobre as condições de higiene e manipulação de alimentos em estabelecimentos comerciais, reverberando para além das fronteiras municipais e acendendo um alerta sobre a saúde pública. A conclusão do inquérito, divulgada na última sexta-feira (17), representa um passo significativo na busca por justiça e por respostas para as vítimas e seus familiares.
A Tragédia da Intoxicação Alimentar em Pombal e a Saúde Pública
Em 15 de março, a rotina de Pombal foi abruptamente alterada quando dezenas de pessoas começaram a procurar atendimento médico com sintomas severos de intoxicação alimentar. Náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral foram os relatos comuns entre os pacientes que lotaram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Hospital Regional de Pombal. No total, 117 indivíduos necessitaram de socorro, todos com um denominador comum: haviam consumido pizza do mesmo estabelecimento na noite anterior.
A gravidade da situação escalou com a notícia da morte de Raíssa Bezerra, de 44 anos, servidora pública da prefeitura de Pombal. Sua partida prematura transformou um surto de saúde pública em uma tragédia pessoal para muitos, intensificando a comoção e a demanda por explicações. A repercussão do caso rapidamente ganhou destaque, mobilizando não apenas as autoridades locais, mas também órgãos estaduais de vigilância e investigação.
A Cronologia dos Fatos e a Resposta das Autoridades
Diante do cenário alarmante, a resposta das autoridades foi imediata. A Vigilância Sanitária Municipal realizou uma inspeção inicial na pizzaria, resultando na interdição do local. No dia seguinte, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB) também se deslocou até Pombal para uma vistoria mais aprofundada, evidenciando a seriedade com que o caso foi tratado em diferentes esferas governamentais.
Paralelamente, três órgãos cruciais iniciaram investigações formais: a Polícia Civil, focada no âmbito criminal; a Agevisa-PB, responsável pela dimensão sanitária e de saúde pública; e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), que abriu um procedimento administrativo para acompanhar o caso. Essa ação conjunta sublinhou a complexidade e a abrangência das apurações necessárias para desvendar as causas e responsabilidades.
As Provas Periciais e as Falhas na Manipulação de Alimentos
Os laudos periciais do Instituto da Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) foram determinantes para a conclusão do inquérito. Exames realizados nas vítimas confirmaram a presença de contaminação bacteriana, corroborando as suspeitas iniciais de intoxicação alimentar. Mais especificamente, análises nos alimentos consumidos na pizzaria em 15 de março identificaram a presença de bactérias como Escherichia coli e estafilococos coagulase no molho de tomate e nas pizzas.
Um ponto crucial da investigação foi a análise da carne utilizada no estabelecimento. Os exames indicaram que a carne, em sua origem, não apresentava contaminação. Essa constatação levou a Polícia Civil a concluir que o problema não estava na matéria-prima em si, mas sim no processo de manipulação dos alimentos dentro da pizzaria. Falhas na higiene, no acondicionamento e na conservação térmica foram apontadas pela Vigilância Sanitária, que encontrou insetos, falta de documentação obrigatória, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames, caracterizando uma “total desconformidade” com a legislação sanitária, segundo o inspetor Sérgio Freitas.
A Dor da Perda: O Legado de Raíssa Bezerra e a Luta por Respostas
A morte de Raíssa Bezerra, engenheira agrônoma e servidora da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pombal, foi um golpe duro para sua família e amigos. Descrita como uma pessoa alegre, simples e acolhedora pela prima Izabele Freitas, Raíssa deixou um vazio imenso. A causa de sua morte foi confirmada como infecção intestinal aguda grave, descartando a presença de substâncias tóxicas exógenas.
Apesar da dor, a investigação não conseguiu individualizar uma conduta criminosa que tenha causado diretamente a contaminação, levando o inquérito a não atribuir o resultado morte ou as lesões diretamente ao proprietário ou a outras pessoas. Contudo, o namorado de Raíssa, André Marreiro, de 39 anos, que também adoeceu, expressou sua angústia: “Queremos uma resposta do que aconteceu, porque é muito difícil aceitar que eu perdi Raíssa por causa de uma fatia de pizza”. Seu desabafo reflete a busca por clareza e justiça que permeia o caso, especialmente considerando que Raíssa não possuía comorbidades prévias.
Implicações Legais e o Futuro da Segurança Alimentar na Região
O indiciamento de Marcos Antônio Neto, dono da pizzaria La Favoritta, pelo crime de vender alimentos impróprios para consumo, sem intenção de ferir, marca uma etapa importante do processo legal. Segundo o delegado Rodrigo Barbosa, o proprietário responderá por esse crime 117 vezes, uma para cada pessoa que necessitou de atendimento médico. Esta multiplicidade de acusações sublinha a dimensão do impacto do incidente.
A pizzaria permanece interditada pela Vigilância Sanitária, e a Polícia Civil também solicitou a interdição judicial do estabelecimento, garantindo que não retome as atividades sem as devidas adequações. O inquérito foi agora encaminhado à Justiça da Paraíba, onde os próximos passos processuais serão definidos. A defesa do proprietário informou, através da advogada Raquel Dantas, que ainda não teve acesso ao inquérito eletrônico e se pronunciará após a análise dos autos. Este caso serve como um lembrete contundente da responsabilidade que recai sobre os estabelecimentos alimentícios e da vigilância constante necessária para proteger a saúde pública, um tema de grande relevância para a sociedade e frequentemente debatido em portais de notícias sobre o estado, como o G1 Paraíba.
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