O avanço da discussão sobre a jornada de trabalho
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados retoma, nesta quarta-feira (22), a análise da PEC 221 de 2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. O debate, que mobiliza o Congresso Nacional e a sociedade civil, gira em torno da alteração do regime atual, onde o trabalhador cumpre seis dias de atividade para apenas um de descanso, visando uma transição para uma jornada de 36 horas semanais ao longo de uma década.
A pauta retorna ao colegiado após um pedido de vista realizado pela oposição na semana anterior, que suspendeu temporariamente o trâmite. O relator da matéria na comissão, deputado Paulo Azi (União-BA), já manifestou voto favorável à admissibilidade da proposta, sustentando que a redução da jornada de trabalho possui respaldo constitucional.
Tramitação e estratégias legislativas
Caso a CCJ aprove a admissibilidade, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), planeja instituir uma comissão especial dedicada ao tema. Este rito prevê entre 10 e 40 sessões plenárias para a análise do parecer. Somente após essa etapa o texto seguiria para votação no plenário, um processo que pode levar meses para ser concluído.
Diante da complexidade e do tempo necessário para a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição, o governo federal buscou uma via paralela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) com regime de urgência constitucional, que propõe a redução da jornada para 40 horas semanais. O mecanismo de urgência obriga a votação em até 45 dias, sob pena de trancamento da pauta da Câmara.
A visão do governo e o futuro da jornada
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, esclareceu que as iniciativas não são excludentes, mas complementares. Segundo o ministro, o PL atua como uma medida de efeito mais imediato, enquanto a PEC garantiria a proteção constitucional contra retrocessos futuros, impedindo que jornadas mais longas sejam reimplantadas por gestões subsequentes.
A PEC em análise unifica propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-RJ). Enquanto o Legislativo mantém o rito da PEC, o governo articula a celeridade do PL para atender às demandas das centrais sindicais, que pressionam por uma resposta rápida sobre a qualidade de vida e o tempo de descanso do trabalhador brasileiro. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras pautas que impactam o cotidiano do país, continue lendo o PB em Rede, seu portal de confiança para informações relevantes e atualizadas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


















