O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, uma das principais referências em cardiologia e neurologia na Paraíba, localizado em Santa Rita, na Grande João Pessoa, anunciou o encerramento do contrato com a empresa de São Paulo que era responsável pela emissão de parte dos laudos de exames de imagem da unidade. A decisão, que coincide com o vencimento do contrato, surge após uma série de denúncias de profissionais de saúde sobre inconsistências e erros graves nos resultados dos exames, levantando sérias preocupações sobre a segurança dos pacientes e a qualidade dos serviços diagnósticos.
A situação ganhou destaque em fevereiro, quando a direção do hospital foi formalmente informada pela Coordenação Médica da UTI Cardiológica sobre as falhas. Contudo, as denúncias dos profissionais indicam que os problemas nos laudos se manifestavam desde outubro de 2025, período que marcou a transição da responsabilidade pelos exames de imagem. Anteriormente, os radiologistas internos da própria unidade eram os encarregados, mas a partir daquela data, a empresa terceirizada assumiu a função, gerando um debate sobre a gestão e a supervisão dos serviços essenciais.
Denúncias de erros no Hospital Metropolitano e o risco à vida dos pacientes
A gravidade das denúncias foi evidenciada por uma carta interna, à qual a TV Cabo Branco teve acesso, assinada por profissionais de saúde do Hospital Metropolitano. O documento, conforme noticiado por veículos locais, alertava para a ocorrência “reiterada” de laudos com erros, que, segundo os médicos, “carecem de descrição técnica pormenorizada dos achados tomográficos, apresentando-se de forma excessivamente sucinta e, por vezes, limitadas a conclusões genéricas”. Essa falta de detalhamento e precisão em exames de alta complexidade pode ter implicações diretas na conduta clínica e, consequentemente, na vida dos pacientes.
Um dos relatos mais alarmantes, feito por um profissional de saúde que preferiu não se identificar, descreveu um caso crítico. Em uma situação específica, uma imagem de tomografia revelava um aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões, mas o laudo correspondente ignorava completamente esse diagnóstico vital. O profissional enfatizou o perigo: “É uma emergência médica que pode ter consequências catastróficas para o paciente, pode causar morte desse paciente em pouco tempo”. Tal falha diagnóstica em um hospital de referência em cardiologia sublinha a urgência e a seriedade da apuração.
Ações e investigações em curso sobre os laudos
Diante das denúncias, o Hospital Metropolitano agiu em diversas frentes. A apuração interna sobre o caso foi iniciada em 10 de fevereiro, confirmando as inconsistências nos laudos de exames de radiologia realizados pela empresa. A fundação que administra o hospital, a PB Saúde, notificou diretamente a empresa, que, em resposta, afastou os integrantes da equipe médica envolvidos nas falhas. Paralelamente, o próprio Hospital Metropolitano abriu uma sindicância interna para investigar os erros.
A repercussão do caso mobilizou também órgãos externos. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) abriu sua própria sindicância para apurar as denúncias, enquanto o Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) informou que acompanha a situação de perto, após ter sido procurado pelos médicos da unidade. Em 4 de março, o Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio da promotoria de Santa Rita, realizou uma inspeção nas instalações do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) e do setor de radiologia do hospital, buscando esclarecer os fatos e garantir a segurança dos pacientes.
O modelo de laudos e a defesa do Hospital Metropolitano
Em sua defesa, o Hospital Metropolitano explicou que adota um modelo que “conta com uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis pela emissão de laudos de Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba, além da realização de ultrassonografias”. Segundo a fundação, esse sistema foi implementado para “garantir agilidade na liberação dos resultados, atendimento contínuo à população e suporte especializado às equipes médicas”.
A PB Saúde também se manifestou sobre as alegações de erros, argumentando que “divergências de interpretação podem ocorrer na prática médica, especialmente em exames de alta complexidade”. A instituição reforçou que “a elaboração do laudo é um ato médico técnico, baseado em critérios científicos e de responsabilidade do profissional que o assina”. Além disso, o hospital destacou que a “conduta clínica, por sua vez, é definida pela equipe assistencial com base na avaliação completa do paciente que inclui exame físico, histórico e demais informações clínicas, além do laudo de imagem”, e que o laudo, embora essencial, “não constitui, por si só, o único determinante da estratégia terapêutica”.
Enquanto as sindicâncias e apurações continuam, a direção do Hospital Metropolitano aguarda a conclusão desses processos e a realização de uma audiência com o Ministério Público para definir as próximas medidas. A instituição reiterou que, caso sejam comprovadas irregularidades no serviço prestado pela empresa, todas as providências cabíveis serão adotadas, reforçando o compromisso com a qualidade e a segurança dos pacientes.
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