Mãe paraibana em Portugal: a rotina de sacrifícios e a busca por um futuro melhor para as filhas no Brasil

A história de Adriana Couto, uma paraibana de 48 anos que trocou João Pessoa por Porto, em Portugal, ecoa a realidade de milhares de brasileiros que buscam no exterior a promessa de uma vida mais próspera para suas famílias. Longe das filhas, Carol e Mariana, que permanecem no Brasil, Adriana personifica a resiliência e o amor materno que impulsionam decisões difíceis em nome de um futuro melhor.

Sua jornada, marcada por desafios e superações, é um recorte humano do crescente fenômeno da emigração brasileira. Entre 2021 e 2022, os dados oficiais do governo apontaram que 194.480 brasileiros deixaram o país, um aumento de 4% em relação ao período anterior, conforme noticiado por portais de grande alcance. Adriana, com sua experiência como prestadora de serviços para imigrantes em Portugal, não é apenas parte dessa estatística, mas uma voz que revela as motivações e os custos emocionais por trás desses números.

A decisão de emigrar e o sonho de uma mãe em Portugal

Adriana Couto, que antes gerenciava um restaurante em João Pessoa, tomou a difícil decisão de deixar sua carreira consolidada e o convívio diário com as filhas para buscar novas oportunidades. O principal motor dessa mudança foi a disparidade econômica: o salário mínimo em Portugal, segundo ela, equivale a quase seis vezes o valor praticado no Brasil. Essa diferença representava a chance real de oferecer uma qualidade de vida que, no país de origem, parecia inatingível.

“Você vai deixar as pessoas que você ama, mas ao mesmo tempo você se sente feliz porque está realizando o sonho e por saber que você está indo em busca de algo melhor, de poder dar uma melhor qualidade de vida para elas”, relata Adriana, expressando a complexidade de seus sentimentos. A escolha não foi solitária; ela contou com o apoio fundamental da família, que se encarregou de cuidar das filhas na Paraíba. Mariana, então com 10 anos, ficou sob os cuidados da avó paterna, Dona Telma, enquanto Carol, já com 25 anos, permaneceu com a avó materna, Dona Maria das Neves.

Os primeiros passos e a adaptação à nova realidade

Ao chegar em Portugal, Adriana enfrentou a realidade de muitos imigrantes: a necessidade de recomeçar “do menos zero”. Apesar de sua experiência profissional no Brasil, ela precisou aceitar trabalhos como assistente de cozinha e assistente administrativa, buscando as oportunidades que se apresentavam. A adaptação foi um processo árduo, mas a presença de amigos que já viviam no país foi um suporte crucial nesse período inicial.

Apesar das dificuldades, o foco de Adriana nas filhas permaneceu inabalável. O esforço financeiro enviado de Portugal permitiu que uma de suas filhas, Carol, concluísse o ensino superior, um testemunho concreto do impacto positivo de sua decisão. A história de Adriana ilustra como a emigração, embora desafiadora, pode ser um caminho para a realização de sonhos educacionais e profissionais que seriam mais difíceis de alcançar no contexto brasileiro.

A distância, a saudade e os desafios emocionais da mãe paraibana

A palavra “resiliência” define a jornada de Adriana diante da distância. Para mitigar a saudade, ela se apoia nas ferramentas tecnológicas, como chamadas de vídeo e ligações diárias, que se tornaram pontes essenciais para manter o vínculo familiar. “Eu busco manter o contato com a minha família, com as minhas filhas e não perder o contato, nem o carinho”, afirma, destacando a importância de cada interação.

No entanto, a tecnologia não pôde preencher todas as lacunas. O momento mais doloroso para Adriana e suas filhas foi o falecimento de sua mãe, Dona Maria das Neves, em abril de 2025. A impossibilidade de estar presente e amparar a família nesse luto profundo representou um dos maiores sacrifícios de sua jornada. “Foi muito difícil receber essa notícia de que eu nunca mais iria ver minha mãe e que isso aconteceu e eu estava distante”, desabafa. Após esse período de luto, Adriana conseguiu retornar ao Brasil para auxiliar na recuperação psicológica da família, um gesto que reforça a força de seus laços afetivos.

O Dia das Mães e o futuro guiado pela gratidão

Atualmente, Adriana reside no distrito de Amarante, na região do Porto, e está em João Pessoa para uma temporada de férias em maio, que felizmente coincidiu com o Dia das Mães. Este ano, a data tem um sabor agridoce: é o primeiro Dia das Mães que ela celebra sem a presença de sua própria mãe, mas com a alegria de poder estar ao lado de Carol e Mariana.

“É algo muito difícil você estar longe dos seus filhos, porque Dia das Mães é uma data muito representativa tanto pra quem é mãe como pra quem tem sua mãe”, reflete. Apesar da dor da perda e da distância, o sentimento que prevalece em Adriana é a gratidão. “Eu sou grata a Deus por todos os momentos vividos em Portugal. Sou grata a Deus por ter guardado minha família e os meus, minhas filhas. E tenho muita gratidão pela maneira que eu fui acolhida por Portugal, pelas oportunidades que eu tenho lá”, conclui, antes de retornar a Portugal para continuar sua missão de construir um futuro promissor para suas filhas.

A história de Adriana Couto é um lembrete poderoso do amor incondicional e da capacidade humana de superar obstáculos em busca de um ideal. Para acompanhar mais histórias inspiradoras e se manter informado sobre temas relevantes, continue navegando no PB em Rede. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e que dialogue com a realidade de nossos leitores.

Fonte de dados sobre emigração: G1 – Itamaraty

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